Conheça os lugares que inspiraram a obra de Jorge Amado em Ilhéus, na Bahia

Entrar no Bataclan é sentir-se dentro da história de Gabriela, em um mergulho pela ficção. Mas este não é o único lugar de Ilhéus em que fantasia e realidade confundem-se

Ilhéus
Ilhéus (Fotos: Stefani Ceolla)

Foi no bordel Bataclan que Maria Machadão consolidou seu nome na história. Personagem de Gabriela, cravo e canela, obra de Jorge Amado, ela foi vivida na televisão primeiro por Eloísa Mafalda, em 1975, e por Ivete Sangalo, em 2012. Mulher de pulso firme, amiga de coronéis e que conduzia o lugar mais movimentado de Ilhéus, na Bahia, Maria Machadão é um personagem icônico da literatura e dramaturgia nacional, e foi inspirada em uma história real.

Ivete Sangalo como Maria Machadão
Ivete Sangalo como Maria Machadão (Foto: Raphael Dias/TV Globo)

A mulher existiu e comandou o Bataclan, bordel que ficava no centro histórico de Ilhéus e teve seu auge entre os anos 1920 e 1940. Depois, ela sumiu. O Bataclan fechou, o prédio em que estava instalado se deteriorou e toda a história relacionada ao local ficou restrita à obra de Jorge Amado — o que impediu que fosse esquecida.

Em 2004, o prédio tombado como patrimônio histórico foi reaberto e hoje funciona como restaurante e espaço cultural. A estrutura passou por reformas, mas mantém características originais. Foi um trabalho difícil para os responsáveis pela obra, já que não há fotos e são escassos os registros que descreviam o prédio.

Bataclan

Para que o Bataclan não perdesse as características do lendário bordel, a história oral foi fundamental. Relatos que atravessaram gerações em Ilhéus ajudaram a remontar o prédio, inclusive o quarto de Maria Machadão, reerguido no piso superior com a ajuda de moradores que doaram móveis, utensílios e objetos decorativos da época. Até uma foto dela está exposta na parede do quarto.

Entrar no Bataclan é sentir-se dentro da história de Gabriela, em um mergulho pela ficção. Mas este não é o único lugar de Ilhéus em que fantasia e realidade confundem-se.

Todo o centro histórico da cidade de cerca de 150 mil habitantes – segundo o censo do IBGE de 2010 – lembra a obra de Jorge Amado. A poucos metros do Bataclan – mais precisamente atrás dele – está a praça em que fica a Catedral de São Sebastião e o restaurante Vesúvio.

Catedral de São Sebastião
Catedral de São Sebastião

A catedral foi inaugurada em 1967 depois de 30 anos em construção. Ela chama atenção pelas cores e pelo tamanho: o prédio tem 48 metros de altura. Dentro dela, há imagens de santos com mais de um metro de altura, vitrais coloridos e pisos que remetem aos portugueses.

Ao lado da catedral está o Vesúvio. O bar é quase um personagem de Gabriela: era nele que a protagonista – vivida primeiro por Sônia Braga e depois por Juliana Paes na TV — trabalhava e dava às refeições o tempero de cravo e canela. Foi lá, também, que se envolveu com o sírio Nacib, personagem central da trama.

 

Gabriela (Juliana Paes) Nacib (Humberto Martins) (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

“Eu acredito que ela tem o tipo de magia que provoca revoluções e promove grandes descobertas. Não há nada que eu goste mais do que observar Gabriela no meio de um grupo de pessoas. Você sabe o que ela me lembra? Uma rosa perfumada num bouquet de flores artificiais”
(Jorge Amado em Gabriela, cravo e canela)

Vesúvio
Vesúvio

O restaurante, aberto desde a década de 1920, ainda é o mais tradicional da cidade. Comida árabe faz parte do menu pelo menos uma vez por semana. Em frente a ele, há um banco com uma estátua de Jorge Amado sentado e a frase “Baiano é um estado de espírito”. Não há como discordar.

Teatro de Ilhéus
Teatro de Ilhéus

Atravesse a rua e, poucos metros depois do teatro, também histórico, está o principal ponto de imersão na vida de Jorge Amado: a casa em que viveu parte da infância e adolescência. Ela foi construída em estilo neoclássico no final da década de 1920 pelo pai dele. O palacete ocupa uma área de 600 metros quadrados, com cinco metros de pé direito, piso de jacarandá e azulejos ingleses na varanda.

Em 1997 a estrutura foi restaurada e transformada em Casa de Cultura. Nela estão expostos roupas, fotos, documentos e vídeos sobre o escritor. O museu integra o Circuito de Memória da cidade.Casa de Cultura Jorge Amado

Casa de Cultura Jorge Amado

Uma caminhada pelo calçadão em que está a casa de Jorge Amado é um passeio pelo passado. É possível ver prédios históricos, coloridos, por todos os lados. Mas quem procura a casa da icônica cena em que Gabriela sobe no telhado para buscar uma pipa, parando a cidade, não vai encontrar: essa parte da história só existe na ficção!

Praias e fazendas de cacau

Ilhéus

Se o centro histórico de Ilhéus remete quase que totalmente à Grabriela, cravo e canela, o interior da cidade lembra outras obras do autor. A areia branca e os coqueiros estão presentes no livro Tieta do Agreste, ambientado no interior da Bahia, que também fez sucesso na TV.

Já as fazendas de cacau na área rural de Ilhéus – responsáveis pelo auge econômico da cidade até os anos 1980, mas também pela absurda desigualdade social e predomínio do poder dos coronéis, que mantinham práticas semelhantes ao período escravagista em suas terras mesmo quase um século depois da abolição da escravatura – estão presentes em livros como Cacau (1933), Terras do Sem Fim (1943), São Jorge dos Ilhéus (1944) e Tocaia Grande (1984).

As fazendas também fazem parte do circuito turístico da cidade hoje, e se reformularam após uma praga que devastou as plantações na década de 1980. Mas isso é outras história, que você também lerá aqui!

*A Revista Versar foi para Ilhéus a convite do Cana Brava All Inclusive Resort

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