Conheça o “bun”, o pãozinho chinês que virou tendência no Brasil

O bao — conhecido no ocidente como bun — é um pão de origem chinesa feito a base de farinha e fermento e depois cozido no vapor

Bun do Restaurante Manaká (Foto: Renata Diem)

Antes de falar sobre o bun, começaremos pelos dumplings: bolinhos de massa que podem ou não conter recheio. Definir o que seriam exatamente os dumplings é um pouco complicado. Sua definição pode ser bastante abrangente conforme a cultura e o lugar, com diferentes formatos e técnicas de cozimento, mas eles mantêm sua essência no que são basicamente: bolinhos feitos com massa.

Poderíamos incluir aí qualquer alimento de massa recheada, por que não? Mas vamos tomar como base do bom senso o trecho de um artigo do Washington Post: “No final, a decisão se resume aos nossos instintos — você sabe que é um dumpling quando vê um.” E o bun pode se encaixar em uma dessas inúmeras variações.

O bao — conhecido no ocidente como bun — é um pão de origem chinesa feito a base de farinha e fermento e depois cozido no vapor. Essa técnica de cozimento o deixa esbranquiçado e aparentemente sem graça. A falta de interesse inicial se dissipa tão logo o mordemos pela primeira vez — e nos é revelada uma textura fofinha (devido ao seu longo tempo de fermentação), úmida e de sabor levemente adocicado que acaba conquistando um lugar aconchegante em nossas memórias gastronômicas.

A fama do bun no ocidente chegou com o chef americano-coreano David Chang em Nova York, quando ele o colocou no cardápio do seu Momofuku Noodle Bar e o serviu com o recheio tradicional de barriga de porco. O pãozinho acabou atraindo uma forte clientela e sua fama começou a ganhar o mundo.

Em São Paulo, já existem inúmeros lugares servindo os buns ou baos, como o Bao Bao Baby, uma lanchonete em Pinheiros especializada nos pães chineses. No cardápio, recheios com cupim, abobrinha, frango, porco e até versões inusitadas como o Bao Jé, uma mistura de bao com acarajé que leva vatapá de bacalhau, vinagrete de quiabo e camarão seco.

Bao Jé (Foto: Bao Bao Baby/ Divulgação)

Em Florianópolis, podemos encontrar o bun no Restaurante Manaká com três opções de recheios salgados: carne, frango ao curry ou shimeji e um doce; recheado com chocolate.

Bun recheado com frango ao curry do Restaurante Manaká – Foto: Renata Diem

Curta de animação vencedor do Oscar

Foto: Reprodução – Walt Disney Studio Motion Picture

Dirigido pela chinesa Domee Shi, Bao ganhou o prêmio de melhor curta de animação no Oscar 2019 e mostra a síndrome do ninho vazio representada metaforicamente através de um dumpling.

Em chinês, bao pode significar duas coisas: bolinhos cozidos no vapor ou algo precioso como “tesouro”. O curta teve inspiração na história de vida da própria diretora; ela e sua mãe costumavam fazer os bolinhos aos finais de semana. A mãe de Domee é especialista em dumplings e, inclusive, foi até a Pixar dar aulas para a equipe de animadores e criadores de efeitos especiais para que eles pudessem estudar maneiras de reproduzi-los fielmente no computador. O curta e sua atual premiação ajudarão a impulsionar ainda mais os bolinhos e pães asiáticos como tendência gastronômica.

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