Conheça o mágico catarinense que é um dos grandes talentos da nova geração da magia

Jorian Peçanha estreia superprodução nesta sexta-feira, em Florianópolis

jorian peçanha
Jorian Peçanha Foto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Depois de nove meses de uma intensa preparação, esta sexta-feira é um marco na carreira do jovem mágico Jorian Peçanha. Aos 25 anos, ele estreia em Florianópolis, numa apresentação única, o espetáculo Elements, uma superprodução que une os quatro elementos: ar, terra, fogo e água. Com números de levitação e até um enorme tanque de água, de onde Jorian precisa escapar amarrado e algemado, o show deve seguir em turnê para o restante do país levando o talento do catarinense para todo o Brasil.

É até engraçado imaginar que o maior mágico de Santa Catarina poderia ter se tornado comissário de voo. Apesar de saber desde pequeno a carreira que queria seguir, Jorian, que é natural de Lages mas sempre morou em Florianópolis, acabou concluindo o curso para agradar os pais, que achavam que o filho precisava de um “plano B”. Quis o destino que ele nunca precisasse fazer nenhum voo profissional. Autodidata, Jorian revela nesta entrevista à Versar como aprendeu os truques e os riscos reais que existem durante a apresentação.

Como surgiu seu interesse pela mágica?
Foi aos 12 anos, no Natal, assistindo a apresentação de um primo que é mágico. A partir dali a mágica me despertou um encantamento muito bacana que é o que eu busco transmitir para as pessoas. Gosto que fiquem em dúvida sobre o que é real e o que não é.

Como você aprendeu os truques? Existe um curso?
Quando eu comecei não sei se existiam vídeos ou livros, mas eu não tinha acesso, então tive que ser muito autodidata. Assistia e tentava descobrir uma maneira de fazer, similar ou diferente, e aos poucos começou a vir a habilidade manual, dos segredos em si. Ainda na adolescência assisti algumas conferências na Associação de Mágicos de São Paulo, porém um curso completo, faculdade, só existe fora do país. E se a gente quer se destacar não pode depender de um curso básico. Eu gosto muito de buscar o que está em alta fora e trazer para o Brasil.

Quando começaram as primeiras apresentações?
Já durante a adolescência, com 14, 15 anos, em alguns eventos esporádicos. Junto veio outro desafio, porque eu era extremamente tímido, e foi mais uma barreira que a mágica me ajudou a quebrar.

Seus pais te apoiaram a seguir na carreira?
Acho que é uma preocupação que toda família tem. Ao mesmo tempo que apoiavam a carreira de mágico eles queriam resultado, tinham receio. Eu estudei num colégio muito bom no Ensino Médio, então tinha aquela expectativa de faculdade e o que eles me pediram foi que eu tivesse pelo menos um plano B. De diversas opções, acabei fazendo um curso de comissário de voo, mas nunca cheguei a trabalhar, não precisei. Apesar disso o curso me ensinou muito sobre ter atenção aos pequenos detalhes, segurança, não reatividade diante de alguém. Enfim, sempre tem alguma coisa que agrega e hoje me ajuda na mágica.

Você participou recentemente do programa Fábrica de Talentos, no Multishow. Como foi?
Foi incrível, não posso contar sobre os resultados, mas foi a primeira experiência nacional, foi bem interessante.

O que é o mais difícil na vida de mágico?
O equilíbrio. O grande desafio é porque eu não posso ser apenas mágico. Para rentabilizar a mágica precisei estudar um pouco de negócios, de marketing e ao mesmo tempo ir construindo as próprias mágicas porque não tem à venda e, quando tem, às vezes custam 5 mil euros os equipamentos maiores. E tem que ter tempo para a família, amigos. Eu abro mão de final de semana, de feriado, a fim de alcançar a maestria da mágica.

Em quem você se inspira?
Eu gosto muito de um aspecto de cada um, mas temos grandes nomes como Cooperfield, que é muito conhecido, e o Houdini, que eu gosto muito, com números reais, de escapismo, perigosos. Eu gosto de fazer e mexer com o emocional das pessoas.

Existe risco real nesses números?
Existe, temos relatos até de morte, mas é algo extremamente incrível, muitas vezes nós não sabemos o nosso próprio limite e no espetáculo Elements temos o número do tanque de água. Eu fico acorrentado, com algemas, com cadeado fora da caixa, e a fuga acontece na frente das pessoas. Às vezes demora mais, às vezes menos, pode emperrar alguma coisa, realmente tem essa tensão. É legal despertar esse sentimento nas pessoas, relembra um pouco da delicadeza que a vida tem, da linha tênue entre a vida e a morte.

Já aconteceu de alguma mágica dar errado?
Pode acontecer, a ideia é que não aconteça, mas a gente não tem o controle 100%. O legal da mágica é que as pessoas não sabem o que vai acontecer no final, então você pode ter um plano B, plano C, e as pessoas não percebem, a menos no caso de uma mágica como a do tanque. Nesse caso, se der errado, entra uma equipe para socorrer, mas o combinado é me tirar só se eu desmaiar.

Serviço:
Jorian Peçanha – Show Elements
Dia 31/08, 20h30min
Teatro Pedro Ivo (Rodovia José Carlos Daux, 4600, Saco Grande, Florianópolis)
Ingressos: Desconto de 40% para sócio do Clube NSC e acompanhante na compra do ingresso antecipado no site Blueticket

Assista ao vídeo com a entrevista:

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