Conheça um dos embaixadores catarinenses da cultura cervejeira

Juliano Mendes. Foto ESB, divulgação

Blumenau é a capital nacional da cerveja. A conquista do título não veio por acaso. Berço da maior Oktoberfest realizada fora da Alemanha, a cidade é um pólo regional de produção de cervejas artesanais e o epicentro de um movimento iniciado anos atrás e que ganha força em diferentes partes do País: a consolidação da cultura cervejeira. Juliano Mendes tem participação importante nesse movimento. Junto com o pai e o irmão, ele foi um dos fundadores da cervejaria Eisenbahn, que completou 17 anos em julho e que tem peso importante na popularização da cultura cervejeira no País.

Mais recentemente – há três anos – se tornou conhecido também em outra seara mais incomum em sua carreira como empresário: a televisão. Atualmente no ar pelo canal Multishow e pela TV Globo como jurado da terceira edição do reality show Mestre Cervejeiro, competição nascida há 10 anos com a intenção de valorizar e democratizar a cerveja artesanal brasileira, o blumenauense auxilia os participantes do concurso na busca pela receita da cerveja perfeita com seu extenso conhecimento técnico sobre cervejas especiais.

Ele conta que estar na TV o tirou da zona de conforto, mas considera uma experiência única.

– O desafio é enorme, pois precisamos criar um conteúdo no programa que seja interessante tanto para o leigo quanto para o conhecedor. Não pode ser tão básico que desinteresse quem já conhece, mas não pode ser tão técnico que afaste quem só gosta de beber uma cerveja diferente e boa. Está sendo uma experiência maravilhosa – afirma.

Juliano Mendes, que se aventura também por outras áreas, como a fabricação de queijos finos, fala a seguir de sua experiência na TV e comenta a relação do brasileiro com cervejas artesanais. Confira a entrevista:

Como e por que surgiu a ideia de promover um concurso cervejeiro no país?

Um dos principais motivos da criação do concurso, há 10 anos, foi buscar meios de dar visibilidade à cultura das cervejas especiais para apresentá-la para o grande público que ainda não conhecia outros estilos. Além disso, essa é uma forma de valorizar os cervejeiros que produzem de forma manual, que são aquelas pessoas mais apaixonadas por cerveja, pois vivem intensamente o processo de fabricação. Como a Eisenbahn começou a crescer para além dos muros de Blumenau, onde ela foi criada, é natural que houvesse um distanciamento dos pequenos produtores. Então o concurso também foi criado para manter a proximidade da marca das suas raízes artesanais, dos produtores caseiros. Imaginamos que esse seria um grande incentivo também para que os mestres cervejeiros se empenhassem em apresentar suas melhores receitas.

E o processo de mudança de formato do concurso que antes era fora das telas para se tornar um reality show, como foi?

Quando o concurso foi para a TV há três anos em formato de reality, a ideia era ampliar o acesso das pessoas à cultura cervejeira, impactar um público que ainda não conhecia cervejas especiais e incentivá-lo a experimentar diferentes estilos. Entendemos que o desafio é enorme, pois precisamos conversar com pessoas que já conhecem da linguagem técnica cervejeira, mas principalmente que esse conteúdo seja acessível, interessante e construtivo para um público maior. Está sendo uma experiência maravilhosa.

Ao longo dos 10 anos de concurso, como você avalia a receptividade do público com a cultura cervejeira no país? Você acha que o brasileiro tem bebido melhor depois desse trabalho de difusão da cultura da cerveja artesanal?

Eu sinto uma receptividade maior por parte do público que está começando a conhecer diferentes estilos de cerveja e esse é exatamente o grande objetivo do concurso, trazer gente nova para o nosso mundo cervejeiro. As pessoas me abordam pra contar que se surpreendem, se empolgam com o programa, com a dinâmica entre os participantes, se emocionam e absorvem o conhecimento de forma divertida e lúdica. Sem dúvida essa receptividade se reflete na ampliação do leque de possibilidades de quem gosta de cerveja. É só a gente reparar nas ruas, nas festas, nas praias, no churrasco, nos bares: as pessoas estão consumindo mais e se interessando em provar outros estilos. E a grande intenção do concurso é ampliar e democratizar esse acesso para um público maior e também para que o mercado proporcione melhor preço, melhor distribuição, permitindo que as pessoas consumam com melhor qualidade.

Como está sendo a experiência de participar de um programa de TV como jurado?

Participar desse programa é uma experiência única e que me tirou totalmente da minha zona de conforto. Apesar de estar acostumado com a exposição na TV que os compromissos com a Eisenbahn sempre me proporcionaram, eu não sou uma pessoa de TV, não é o meu dia a dia e por isso eu busco me preparar, estudar bastante pra poder ser espontâneo e técnico ao mesmo. Com certeza eu aprendo bastante, me envolvo muito com as gravações, sinto falta quando acaba. Tudo é muito profissional, a produção é de primeira e por isso é um aprendizado enorme. E a cada temporada e episódio eu tenho me sentido mais confortável, acho que as pessoas percebem isso.

Conta um pouco como você concilia a sua rotina como empresário em Pomerode com a Vermont e os compromisso como consultor e embaixador da Eisenbahn?

É uma agenda bem intensa, porque eu me envolvo muito com tudo que eu faço. Sou embaixador e consultor da Eisenbahn, mas tenho uma rotina como queijeiro com meu irmão em Pomerode, somos os administradores da empresa, nós que fazemos as vendas, as apresentações e as palestras, sem falar na atenção que precisamos dar para a família. Então não é fácil conciliar todos os compromissos, mas eu sempre fui assim e no fundo eu gosto dessa vida ativa e dinâmica.

 

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