“Conta comigo”, uma maneira de demonstrar gratidão

vanessa tobias
Leo Munhoz/Agência RBS

Passei por umas boas refletindo mais profundamente sobre meus valores e descobrindo o quanto abrir mão do que valorizo, em qualquer proporção, é uma conta que se paga, futuramente, com alto nível de amargor. A a não ser que se tome, finalmente, uma lição a partir do erro.

Percebi que vinha pecando em duas coisas fundamentais: na clareza e na carência. Tenho uma lista não tão pequena de erros que sempre cometo quando entro no que eu chamo aqui de “minha receita da tristeza” – a reunião essencial de passos que eu sempre dou na direção de me sair mal em alguma escolha.

Dentre os erros comuns sempre está, e vamos ver se estamos no mesmo clube: idealizar, fazer a vontade do outro reprimindo a minha, ter pressa, agir sem buscar informações suficientes, querer estar errada sobre alguma coisa que minha intuição já sinalizou que vai dar errado, não escutar as pessoas mais queridas, fazer vista grossa para erros que considero graves… e por aí vai.

Outro dia respondendo meu Instagram, coloquei uma frase que sempre uso: “Conta comigo”, e pensei: Como será que o outro interpreta e recebe essa minha frase? Como eu disse, às vezes erro na clareza. Contar comigo não pretende que eu faça o trabalho do outro, mas que eu esteja aqui fazendo o meu esforço diário de evolução – essa era a lição que precisava compreender sobre clareza.

“Conta comigo” é quase um mantra meu, porque eu acredito que não existe maneira mais poderosa de manifestar a gratidão do que comprometendo-se com seu próprio processo de evoluir e de expandir a nossa consciência sobre as coisas.

Quando eu digo “conta comigo” estou me comprometendo com o outro a fazer o meu melhor com a minha vida, comprometida a procurar em cada ação do meu dia, manifestar minha vontade de crescer. Também significa minha compaixão com o outro quando ao dizer “conta comigo” subentendo um “conto com você” – porque nascemos para manifestar nossa fidelidade à nossa natureza e sei que é uma escolha diária a de envolver-se com essa disciplina de conscientizar-se. E não sei se há algo maior que se pode fazer na vida do que dedicar-se a cuidar dela – a vida.

Mas para se ter clareza, é preciso diálogo – porque dá oportunidade de alinhar o significado que cada um de nós atribui às coisas. Liberdade, por exemplo, pode ter infinitas interpretações – e se não converso sobre o que isso significa para cada um, é possível que dois seres que valorizam a liberdade tenham traduções diferentes e a relação será vivenciada com alguma estranheza: Tem o “livre” que prefere sair da rotina e não ter hora para as coisas e tem o “livre” que acredita que a rotina é o meio mais poderoso de obter esse valor. E ai?!

Para fazer nossa própria receita do autoconhecimento – para que não seja a da tristeza – é preciso lembrar de alguma história em nossas vidas, quando algo deu errado e perguntar-se: O que eu fiz que contribuiu para que o final fosse esse? A gente vai perceber que quase sempre fez e continua fazendo as mesmas coisas, e cai a ficha de que somos nós que permitimos as coisas.

Daí é aumentar o nosso nível de alerta e desenvolver um antídoto para cada passo. Por exemplo: quando vejo que estou idealizando, coloco uma data limite para entrega do trabalho prometido e compartilho a ideia para ver se é factível ou ilusão, quando tenho pressa, avalio se aumentar o estresse aumentará a eficiência e se fará diferença no resultado final, e com cada uma das “falhas comuns” vou atuando com os antídotos – e descobrindo como melhorar cada vez que mais um erro se apresenta.

Parece ser um caminho justo, que pretende reduzir as chances de repetir os mesmos aprendizados, e a gente ainda aumenta as possibilidades de ser alguém com que podemos contar.

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