Contribuir socialmente ajuda o amor-próprio e a noção de pertencimento

Nossa tarefa é buscar essa reconexão e transformar as nossas escolhas pensando grande e para a frente

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Foto: Pexels

Sou voluntária em um projeto social que teve início em Joinville e veio para Florianópolis neste ano. O Projeto Resgate – Think Tank reúne estudantes que pensam e praticam soluções para suas comunidades. É muito bom. Contribuir socialmente ajuda em nosso amor-próprio e trabalha nossa noção de pertencimento – é um trabalho cívico.

Nosso grupo de alunos tomou a decisão de trabalhar o tema depressão entre os adolescentes. Gosto de assuntos densos e me apaixono pela vulnerabilidade. Em minha visão, boa parte das crises se dá por falta de pertencimento, origem e acolhimento; e carência de diálogo para compreensão, despertar e orientação.

Utilizo e recomendo, pelo menos, 5% do nosso tempo e dos nossos recursos em atividades voluntárias. É uma métrica mínima, que organiza e orienta nossa rotina e nossas escolhas. Essa foi uma decisão tomada muito cedo e em família. Em 2014, eu e meu irmão, Juliano, decidimos honrar as bênçãos em nosso trabalho e começamos a pensar uma maneira de retribuir a fé que nos depositam – então, desde lá, também trabalhamos em nosso próprio instituto.

No final de semana passado, eu e o Ricardo, meu noivo, decidimos passear e fomos até Curitiba. Nós amamos pegar estrada, porque na viagem a gente fica bem juntinhos, conversa sem pressa, ouve e canta músicas bem variadas e come uns quitutes de beira de estrada. Como estamos organizando nosso casamento, aproveitamos o tempo para bolar uma lista de músicas especial para a data, e pensamos em uma música que represente cada convidado. Para o meu pai, saiu uma do Julio Iglesias; da mãe, Elba Ramalho; do Juliano, Rio Negro e Solimões; do Junior, Zeca Pagodinho; das gurias, Tribalistas… Rimos muito!

Imaginamos alguns duetos, algumas danças, e estão em nossa lista com (já!) mais de 60 músicas, de Silvio Santos até o Hino à Bandeira – que fazia realmente muito tempo que eu não escutava. Sempre tive um estilo patriota: Meu antigo celular tocava o Hino Nacional quando alguém me ligava. E, muito embora eu ainda não faça ideia de como deixar claro meu compromisso com o meu país, até no meu casamento – porque parece não ter nada a ver – compreendo profundamente o berço que abraça, junto aos meus pais, a decisão de me juntar a outra pessoa, para percorrer a jornada da minha vida. Como vivemos o berço de nossa família, impacta na sociedade que criamos e, como eu falei: sempre tive um estilo patriota.

Pensar o casamento – e a vida – requer uma revisão de origem e de jornada. É uma passagem pela nossa história, realmente emocionante. E não houve, em minha infância, semana sem Hino Nacional, ou sem as músicas da igreja, e também Ilariê. Quando pensei em minha madrinha, lembrei das missas em que ela me levava todos os finais de semana – ouvindo Alcione, quando aprendi Um vaso novo, que canto até hoje – e a fazer a Oração pela família, do Padre Zezinho – que eu também cantava na escola, no Dia das Mães, dos Pais.

Na conversa do Think Tank, quis lembrar que se pode falar de motivação, que podemos abordar qualquer tema que fale de sonhos, mas que a força da vontade de cada ser está no hino em que a gente canta, no Deus que cada um constrói e na base da família de onde tivemos a sorte de ganhar a vida. Nossa tarefa é buscar essa reconexão e transformar as nossas escolhas pensando grande e para a frente.

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