“Precisamos de mais mulheres nas áreas de tecnologia e engenharia”

Corinne Giely comanda ONG que aproxima meninas de escolas públicas de profissões dominadas por homens

corinne giely
Foto Felipe Carneiro/Diário Catarinense

Ela abriu mão de uma carreira internacional de mais de 20 anos e um emprego como diretora de marketing em uma multinacional na França para se dedicar a um propósito: ajudar meninas e mulheres a quebrar as barreiras impostas pela cultura quando o assunto é mercado de trabalho. Morando há cinco anos em Florianópolis, a francesa Corinne Giely comanda a ONG Inspiring Girls Brasil, criada para ampliar o horizonte profissional de meninas conectando alunas da rede pública com mulheres que atuam nas áreas de tecnologia e engenharia. Corinne também é a responsável por trazer ao Brasil um programa de capacitação criado na Inglaterra que prepara mulheres para assumirem cargos de gestão. Quer inspiração melhor para fechar o mês dedicado a nós?

Como é o trabalho da ONG Inspiring Girls Brasil?
O objetivo da ONG é ampliar o horizonte profissional das alunas entre 10 e 15 anos de escolas públicas da Grande Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e, em breve, Rio Grande do Sul. São promovidos encontros nas escolas ou nas empresas com mulheres inspiradoras das áreas de tecnologia ou engenharia. Hoje os dados são absurdos, temos menos de 15% de mulheres na tecnologia e menos de 10% na engenharia. Em Florianópolis temos um polo de tecnologia e podemos fazer parcerias com as empresas.

Por que essas áreas têm tão poucas mulheres?
Já está provado que antes dos seis anos de idade as meninas descartam essas profissões pelos brinquedos que recebem que não estimulam a vontade de montar, construir, desmontar. E muitas vezes as interessadas têm que passar por experiências doloridas nas universidades, são recebidas com discriminação, sofrem comentários até dos professores e quando chegam nas empresas abandonam por encontrar um ambiente machista e sem mulheres ao redor inspirando e incentivando.

Como funciona o programa Springboard, que prepara mulheres para os cargos de gestão?
É uma capacitação corporativa que visa colocar mais mulheres na liderança. Nós preparamos elas para terem mais poder e responsabilidade nas empresas porque o que está acontecendo com as meninas se reflete na idade adulta. Quando as mulheres chegam aos cargos onde vão precisar ter mais responsabilidade, muitas por volta dos 30 anos, acham que esse não é o lugar delas, que devem parar, ter filhos. Nós estamos tentando com essa capacitação de quatro meses mostrar que elas também têm que ter mais responsabilidade, podem ter mais poder e equilibrar sua vida profissional e pessoal.

Existe um segredo para conseguir esse equilíbrio?
Acho que quando você consegue desenvolver um pouco mais de assertividade no que você quer e você não quer, quando você consegue delegar mais, seja em casa ou no trabalho, você consegue equilibrar, porque você responsabiliza todos ao seu redor.

Ter mais mulheres em cargos de gestão é bom também para as empresas?
É muito bom para as empresas. Existem várias pesquisas que mostram que ter mulheres na liderança traz mais lucro, um ambiente mais cooperativo e traz mais inspiração porque um ambiente diverso traz mais felicidade, mais produtividade e mais criatividade também, então todos ganham.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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