Imagine uma criança feliz. Ela provavelmente está fazendo barulho

Queremos crianças felizes?

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Feche os olhos e imagine uma criança feliz. Faça isso, por favor, e volte aqui em cinco segundos. (Espero que você não esteja no escritório. Seus colegas vão achar que você caiu no sono). Pois bem, você imaginou uma criança feliz. Ela estava fazendo o dever de casa? Sentada e quieta? Estava prestando atenção na lição de matemática?

Adorei quando um amigo me contou sobre uma pesquisa informal que fez com alguns alunos de até 10 anos. Perguntados como seria a escola ideal, responderam: um lugar em que pode correr e pode conversar. Ou seja, o oposto das escolas de hoje. Os escritórios das empresas mais modernas têm pista de corrida para os funcionários fazerem reuniões enquanto se exercitam. Pode correr e pode conversar. Steve Jobs, uma das mentes mais criativas da história, adorava fazer reuniões caminhando e defendia a ideia de que, em movimento, temos ideias melhores. Quantos de vocês eram ótimos alunos, estudiosos e dedicados, tiravam notas boas, mas a professora reclamava que eram “muito conversadeiros”?

Como se conversar fosse uma habilidade ruim. Como se não possibilitasse conexões, aprendizados, contato com outras opiniões, culturas. Conversar é uma habilidade fantástica, completamente demonizada na sala de aula. Algumas pesquisas mostram que as pessoas aprendem mais quando estão discutindo em grupo. Está provado que aprendemos mais quando ensinamos outras pessoas. Falar é melhor do que prestar atenção. Pode correr e pode conversar.

Os países com os melhores níveis de aprendizado estão diminuindo a quantidade de tempo dentro da sala de aula. “Eles precisam brincar mais”, afirmam os pedagogos. Na Finlândia e Suécia as crianças não levam tarefas para casa. O tempo com a família deve ser aproveitado sem pressão ou estresse.

Me impressiona a quantidade de cursos de humanização e criatividade para adultos – sinal apenas de que o sistema educacional nos desumaniza e tira todo o potencial criativo. Temos que, depois de formados, buscar cursos de humanização. Você já presenciou um desses cursos? São cheios de adultos brincando de pega-pega e escravos de Jó. Passamos anos perdendo uma série de habilidades para depois tentar recuperá-las.

Imagine uma criança feliz. Ela provavelmente está fazendo barulho. Ela não está em uma sala fechada. Ela está viva, inspirada. Queremos crianças felizes?

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