Crianças mal educadas são sempre uma derivação do comportamento adulto

São muitos os lugares onde é proibido entrar crianças, cheios de adultos se comportando mal.

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Não tenho problema algum com comentários maldosos, acho-os divertidos, consigo ver a graça na perversidade, desde que inofensiva. Imagino como é prazeroso, para uma pessoa sem filhos, comentar sobre o filho dos outros. “Aquele é uma pestinha!”, dizem alguns. “Sabe uma creche boa para aquele ali? A prisão!”, já ouvi de uma amiga. Acho graça, quero crer que é brincadeira. Malvadezas colocam pra fora esses nossos demônios. Todos os temos.

Me incomoda, apenas, quando de tanto nos permitir falar barbaridades, acabamos nos tornando bárbaros. Cuidado com o que finge ser, pois você é aquilo que finge
ser, disse o escritor.

Nossas brincadeiras a respeito das crianças, de vez em quando, escorregam pra realidade. Gritamos com crianças, arrancamos-lhes coisas das mãos, damos castigos, batemos neles. Reclamamos de crianças em viagens de avião, odiamos pequenos nos restaurantes, criamos ambientes onde é proibida a presença de menores. Odiamos, assim, nós mesmos. Fomos todos crianças um dia, talvez piores do que estas.

Em primeiro lugar, crianças são reflexo dos pais.

Crianças mal educadas são sempre uma derivação quase impecável do comportamento adulto. São muitos os lugares onde é proibido entrar crianças, cheios de adultos se comportando mal. Restaurantes onde você vai pra se ver longe dos filhos, cheios de adultos inconvenientes, bebendo e falando alto.
Segundo, crianças mal educadas são a minoria. A maioria das crianças é dócil, amável, está em processo de aprendizado. Choram quando estão desconfortáveis, derramam líquidos tentando equilibra-los.

São filhos de todos nós. Estamos juntos nessa: é responsabilidade de todos criá-los.

“Problema é da mãe”, já ouvi. Maldade. O problema é de todos nós. Crianças serão a sociedade que queremos no futuro. Cuidarão (ou não) de nós, quando formos velhos. Formá-los educados, amáveis e justos é cuidar de todos nós.

Ajudar uma mãe no aeroporto, ao invés de julgá-la. Respeitar um pai que precisa faltar ao trabalho pra ficar com o filho, ao invés de diminuí-lo. Conversar com crianças com gentileza quando não se comportam. Ajudar a cuidar de todas as crianças que aparecem na nossa frente, sem achar que é obrigação apenas da mãe ou da escola. É um exercício diário de ir contra nosso instinto malvado. De cuidar de todos como se fossemos um. Somos todos pais da próxima geração.

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