É preciso estimular a criatividade em casa, no trabalho e nas escolas

Um dos principais nomes da economia criativa no Brasil desmistifica a palavra e fala sobre como o ambiente influencia nas atitudes

lucas foster
Foto Victor Afarro/Divulgação

Lucas Foster é um dos principais nomes da economia criativa no Brasil. Psicólogo, ele idealizou o World Creativity Day, Dia Mundial da Criatividade, movimento global que tem como objetivo democratizar e desmistificar a criatividade. Cinquenta cidades brasileiras terão programação gratuita no dia 21 de abril, entre elas Florianópolis. A ideia é encorajar as pessoas a utilizarem seu potencial criativo, buscando novas maneiras de lidar com antigas e novas questões.

Criatividade e inovação viraram mantra nas empresas. Como transformar a teoria em prática?
É preciso liderança e entusiasmo. Uma organização é feita por pessoas e seus resultados dependem das atitudes que serão estimuladas e valorizadas. Mais do que novos conhecimentos e habilidades técnicas, as áreas responsáveis pela gestão de pessoas devem buscar novos modelos de trabalho e adaptar as empresas para uma nova cultura de trabalho que valorize novas dinâmicas, estimulem a colaboração e a troca de ideias de maneira significativa.

“As pessoas não nascem criativas, elas se tornam criativas”. Você concorda com essa frase? Como exercitar a criatividade?
As pessoas nascem com o potencial criativo. Todo ser humano é capaz de utilizar seu repertório para solucionar problemas de ordem pessoal ou profissional. No entanto, ao longo do tempo, e de acordo com o contexto em que esse indivíduo se desenvolve, ele pode ampliar seu repertório e ter mais liberdade e flexibilidade interna e externa para propor e agir de maneira criativa em seu dia-a-dia. O exercício da criatividade se dá na relação de um indivíduo com ele mesmo e na interação dele com outras pessoas e com o ambiente externo. É fundamental que o indivíduo tenha uma percepção positiva sobre si mesmo e que tenha desenvolvido uma capacidade de interagir de maneira curiosa e horizontal com o mundo a sua volta. Para isso, é importante que educadores, pais e líderes construam um ambiente de confiança, encorajamento e desafios estimulantes.

Muitos acham que é preciso inventar a roda para ser criativo. Qual o seu conceito de criatividade?
Criatividade é a capacidade humana de utilizar um determinado conjunto de repertórios (memórias, conhecimentos, habilidades) de maneira individual ou coletiva em uma determinada situação presente seja para resolver um problema de curto, médio ou longo prazo. O problema pode estar relacionado com aspectos de busca de prazer (Ex: um novo destino turístico) ou de redução de riscos, desperdícios e danos (Ex: uma inovação para acabar com inundações em uma área da cidade). É importante destacar também que criatividade não precisa necessariamente ser aplicada para resolver um problema externo, mas pode servir para satisfazer em algum grau o indivíduo que cria como no caso das artes, da música ou até mesmo de como um exercício intelectual.

Como levar a criatividade para a vida, não apenas para o ambiente corporativo?
Levar a criatividade para a vida depende da maneira com o indivíduo enxerga e encara a realidade em que vive. Melanie Klein dizia que “a gente enxerga o mundo com os olhos de dentro” e para incentivar a criatividade é preciso ter curiosidade e interesse em interagir com o mundo de maneira ativa. Para isso, é fundamental preservar uma postura de confiança e esperança de que somos capazes de transformar a realidade seja em nossa casa, em nosso trabalho ou em nossa escola. A palavra vida está contida dentro da palavra criatividade e, com certeza, é possível qualificar a experiência de vida das pessoas se elas tiverem mais incentivo e coragem para pensar em diferentes tipos de soluções para resolver problemas dos mais variados tamanhos e objetivos. Isso é o que nos torna humanos.

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