Crossfit e circo para crianças: atividades físicas lúdicas e atraentes

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A sala repleta de caixotes de madeira, cordas, anilhas e outros equipamentos de malhação podem não remeter ao universo infantil no primeiro olhar. Mas as caras e bocas contorcidas pelo esforço físico e o clima de competição típicos de uma aula de crossfit normal dão lugar aos movimentos desengonçados e às brincadeiras na turma infantil da Crossfit Four, estúdio de Florianópolis. Sim, agora a modalidade também é para as crianças.

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Com pouco tempo de funcionamento, a escola criou a turma Four Kids, para crianças de 6 a 13 anos que querem se movimentar. No lugar das cargas, entra só o peso do próprio corpo e os desafios de repetições são trocados por brincadeiras de bola e corrida em estilo livre. Embora não pareça em nada com a ideia que se tem da modalidade – de competidores musculosos desafiando o próprio corpo –, a versão infantil traz a essência do esporte.
– Decidimos estender para crianças também porque vários pais vinham com seus filhos, que ficavam no espaço kids imitando os movimentos deles. Mas também por ser uma tendência. Os pais têm procurado cada vez mais atividades físicas para as crianças, já que muitas delas não têm onde brincar e se exercitar no dia a dia. As crianças têm uma variedade muito grande de movimentos, os professores ensinam as posturas com cuidado para que não se machuquem. Notamos evolução em coordenação motora e resistência, logo, as mesmas evoluções que vemos nos adultos, vemos nas crianças também – explica Fabiana Beltrame, sócia-proprietária da Crossfit Four, da Capital.

Apesar das diferenças, os treinos para crianças guardam muitas semelhanças com os dos adultos.
– A aula é dividida como a aula dos adultos. Nas de adulto tem o aquecimento, a técnica do dia e depois o workout of the day, que é o treino dia a dia. Para as crianças também há todas essas etapas, só que de uma forma lúdica, com brincadeiras, e os treinos não podem ser tão sérios senão elas perdem o interesse mesmo. O movimento tem que mudar mais rápido, as brincadeiras devem ser mais curtas. Todos os dias são diferentes, não fixamos um horário porque varia, mas dura cerca de 15 minutos. Como têm pais que fazem, é mais uma coisa em comum entre pais e filhos e mais uma razão de interação e de conversa entre eles – completa ela.

Benefícios para saúde e socialização

Todo mundo já ouviu falar dos benefícios físicos e sociais da prática de uma atividade física regular. Com o crossfit não é diferente.
– O fundador do crossfit, Gregor Glassman, dizia que nossas necessidades não se diferem pelo tipo, mas sim pelo grau. O que vai diferenciar o que um adulto precisa do que uma criança precisa é a carga e a intensidade do movimento. Mas os movimentos são os mesmos. Isso vai proporcionar à criança a aptidão física, o desenvolvimento neuromotor, a criança vai aprender a utilizar o corpo de maneira correta. Muitas chegam aqui sem conseguir agachar sem tirar o calcanhar do chão. A partir do momento que a criança vai criando auto-confiança, além da integração social, o espírito esportivo. O lema é o mesmo, de superação. Crianças aprendem muito mais rápido que os adultos. É mais fácil aprender o movimento correto do que corrigir lá na frente o movimento errado – afirma.

E se a criança tem alguma dificuldade ou restrição motora, isso não é motivo para não aderir à prática.
– Todos os movimentos do crossfit podem ser adaptados. Se ela não consegue fazer aquele movimento, adapta-se. Se ela não conseguir fazer, a professora troca o movimento por um que envolva a mesma musculatura e que seja feito sem prejuízo algum para a criança – finaliza Fabiana, que convida os pequenos a fazerem uma aula experimental de graça.

No papo inicial, a professora conversa com os pais ou os responsáveis para saber o histórico da criança e eles devem assinar um termo de responsabilidade para iniciar a prática.

Circo para as crianças

Nos anos 1950, o circo era uma das principais formas de entretenimento para crianças e adultos. No entanto, ele sempre foi considerado uma arte “marginal” – até hoje, apesar de existirem grandiosas companhias (como o Cirque du Soleil), ainda há uma série de circos pequenos e familiares que, mesmo em meio a dificuldades financeiras, sobrevivem e atraem muitas crianças. Além de entreter, as atividades circenses podem ser uma ótima opção para as crianças de movimentarem. A Escola Roiter Neves, de Joinville, pioneira na região, oferece diversas atividades para os pequenos.

– As crianças podem praticar trapézio, tecido, lira, minitrampolim, acrobacia… São atividades que mexem o corpo e são lúdicas e descontraídas ao mesmo tempo. Todo dia acaba sendo uma aula diferente, porque vão aprendendo gradualmente cada uma no seu tempo as diferentes dificuldades de cada aparelho. Cada um tem seu tempo para aprender as coisas de uma forma lúdica. A ideia é que eles amem a atividade circense, mas sem se sentirem aborrecidas, entediadas ou cobradas. Até porque as crianças já são muito cobradas na escola, nos cursos de idioma, no balé… nosso interesse é no aprendizado, claro, mas muito mais no espaço que a criança deve ter para ser ela mesma – explica Griselda Neves, idealizadora da escola ao lado do marido, Roiter Neves.

O casal é argentino e mora em Joinville há 15 anos. Vieram para acompanhar o filho que entrou no grupo Bolshoi de balé e, por serem artistas circenses, começaram a iniciativa por aqui.
– A partir das aulas formamos dois artistas que estão trabalhando em circo itinerante e outros que trabalham na companhia fazendo eventos como formaturas, casamentos, atividades em shopping e etc – conta Griselda.

Devolver as farras de criança, o espírito das brincadeiras na rua e de convivência em grupo é o objetivo da Escola.
– As crianças não podem mais sair na rua para brincar, se pendurar em uma árvore… Hoje em dia não se tem mais isso. Estão brincando no celular, no tablet, os pais precisam tirar os filhos do apartamento, desse ciclo vicioso – frisa Griselda.