Que tal um cruzeiro da Austrália à Nova Zelândia para degustar vinhos brancos?

Fotos: arquivo pessoal

Nova Zelândia, fomos até este país distante para um encontro com os famosos Sauvignon Blanc de Malborough. É comum muitas pessoas falarem “eu não gosto de vinho branco!”. Eu afirmo que você talvez “ainda” não goste de vinho branco.

Se existe um vinho branco que você deve provar, estamos falando do Sauvignon Blanc, (originário de Bordeaux, França) da região de Malborough, na Nova Zelândia. Que por ventura é o vinho branco favorito dos seus vizinhos australianos. Claro que os franceses não contestam que o melhor Sauvignon Blanc é o de Loire Valley, mas se nos perguntarem de “bate-pronto” qual é o melhor, ficamos com Marlborough.

Winemakers do mundo todo chegam até este pedaço de terra, no Oceano Pacífico, para aprenderem as técnicas de vinificação deste renomeado vinho branco, que por característica, não passa por barrica são secos e entregam notas de maça verde, limão e maracujá, indo até pêssego aos vinhos mais “maduros”. Porém, uma das características mais marcantes são as notas verdes, aromas de grama, que alguns winemakers tentam disfarçar e outros potencializar. Preferimos os que potencializam! E não, esta não é mais uma “viagem” dos sommeliers tentando encontrar descrições absurdas em uma taça de vinho, se você cheirar uma taça de Sauvignon Blanc de New Zealand, como um “Dashwood by Vavasour”, por exemplo, vai entender o que estamos falando.

Saímos de Sydney, na Austrália, para um cruzeiro de 14 dias pela Nova Zelândia, parando em portos fantásticos até chegarmos em Picton, o porto que nos leva diretamente a Marlborough, a Meca dos Sauvignon Blanc.

Com uma van fomos visitando algumas das primeiras vinícolas da região, conhecendo desde boutique wineries até a famosa Cloudy bay. Nossa primeira parada foi na Johanneshof cellars, uma família alemã, que planta vinhos aromáticos, como o Gerwustraminer — que ganhou medalha de ouro da revista Decanter como o melhor aromático do mundo, desde 1977.

Tendo Sauvignon Blanc ocupando mais de 85% da produção da Nova Zelândia, é interessante visitar vinícolas que fazem algo diferente e provar, por exemplo, o Pinot Noir de Johanneshof, que é um raro exemplar que necessita tempo em garrafa, por usarem fermentos indígenas e não serem filtrados.

Na Nova Zelândia você não vai encontrar vinhos com rolha, todos são com tampa de rosca. Aí alguns “entendidos” irão comentar: “Eu não tomo vinho branco, sem rolha então, jamais!”. Bom, entramos em uma discussão que não é mais nem discussão, e sim, informação. Vinho que precisa de tempo em garrafa, digamos uns 10 anos, precisa de rolha para a micro-oxigenação, seriam os vinhos tintos potentes, encorpados, de taninos fortes. Os vinhos para serem tomados jovens, os brancos e alguns tintos como Pinot Noir e Beaujolais, devem usar tampa de rosca, pois não querem esta oxigenação, ponto.

Segunda parada foi na Saint Clair, que produz um ótimo espumante feito pelo método tradicional, feito com Chardonnay e Pinot Noir.

O Sauvignon Blanc, para variar, é excelente. Produzido em pequenas quantidades de vinhedos, são servidos neste visual, ideal para tomar um vinho geladinho.

Terceira parada foi na Wairau River, parada obrigatória para degustar a tábua com queijos locais e um bom Sauvignon Blanc, é claro.

Quarta parada, Jackson Estate, que para desespero de Burgundy, é considerado o melhor Pinot Noir do mundo, ao menos para os locais.

Quinta parada, Bladen, que em meio a Pinot Gris e Riesling, nos apresentou talvez o melhor Sauvignon Blanc do passeio.

Sexta parada, Hunters Wines, onde provamos um “espumante” diferente do restante, feito com Sauvignon Blanc. O vinho é engarrafado enquanto ainda fermentava, para criar um vinho espumante, com gás natural. Este método, chamado de PET NAT (pétillant naturel) ou método ancestral, entrega um vinho turvo, com sedimentos residuais da fermentação e pode ser comparado a uma cidra.

Sétima parada — sim, visitamos sete vinícolas em um dia — foi na famosa Cloudy Bay. Dos mesmos donos da famosa grife Louis Vuitton e das renomeadas vinícolas Moët & Chandon e Chateau D´Yquen, esta é, provavelmente, uma das mais bonitas da região, onde o vinho, passa ser apenas parte integrante do cenário.

Quanto as iguarias locais o Green Lipped Mussel, ou marisco do lábio verde, é o prato a ser provado. Este mexilhão é usado na medicina para tratamento de artrite e asma.

Falando em propriedades curativas, você já ouviu falar do manuka honey? É um tipo de mel nativo da Nova Zelândia que possui propriedades antibacterianas e antivirais. Em 2007 foi aprovado pela FDA, dos EUA, como forma de tratamento para feridas. De tão poderoso, ele não é usado como adoçante, nem para passar no pão, do contrário, apenas uma colher de chá pela manhã, é usada como tônico e preventivo de doenças.

Entre passeios de trem, restaurantes e tours de vinhos. Acreditamos que este cruzeiro, que para em 10 portos, foi a melhor forma de conhecer a Nova Zelandia.

Fica a dica para as suas próximas férias.

Salud.

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