CTG Os Praianos realiza o maior rodeio de SC e é celeiro de laçadores

Renan Herculano Pereira – nascido e criado no CTG Os Praianos. Foto: Cristiane Estrela

No começo dos anos 1970, doze amigos da Grande Florianópolis que costumavam participar de folguedos de origem açoriana, como a farra do boi, desenvolveram um interesse também por rodeios. O grupo passou a participar de festividades campeiras em outras cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e resolveu criar seu próprio rodeio e um Centro de Tradições Gaúchas em São José. Assim nascia, inicialmente de maneira informal, o CTG Os Praianos, em 1972. 46 anos depois, o Centro promove, mais uma vez, o Rodeio Nacional CTG Os Praianos, considerado a quarta maior festa de Santa Catarina e o segundo maior rodeio do Sul do país. O evento começa neste sábado e vai até o dia 6 de maio, com shows nacionais, grupos tradicionalistas, programação cultural, gastronomia, danças, exposições e competições artísticas. Os ingressos estão à venda via Blueticket e nas lojas físicas da Multisom.

Os nove dias de programação intensa devem movimentar a cidade do litoral catarinense. Só a área de camping vai reunir 8 mil pessoas vindas de todo o país para celebrar o tradicionalismo gaúcho. Além das competições campeiras, haverá leilão de cavalos crioulos, free style motocross, carreteiro e baile dos Praianos.

As competições começam no dia 3. Entre as modalidades de laço que prometem animar o público nas arquibancadas da cancha de laço estão Laço Pai e Filho/Filha, Laço Seleção de CTG, Laço Taça Cidade São José, Laço Patrão de CTG, os duelos da Força A e B, a tradicional Gineteada, quando o peão tenta permanecer sobre o lombo do animal por mais tempo, e a Vaca Parada – categoria infantil que consiste em laçar uma vaca de brinquedo e por onde as crianças iniciam a prática.

Foto: Cristiano Estrela

Renan Herculano Pereira foi uma delas. Hoje com 25 anos, o laçador de Palhoça ganhou o primeiro troféu aos três anos, no Rodeio de Vacaria, considerada a maior festa tradicionalista da América Latina – desde então, todas as vezes que ele participou do evento na cidade gaúcha ele ganhou em pelo menos uma prova.

— Desde pequeno tive esse contato com cavalo e rodeio. De lá para cá, essa paixão e a vontade de laçar só aumentou. Sou “praiano” desde pequeno. Tudo que conquistei e o que sou hoje é graças ao CTG — orgulha-se.

Hoje, já são cerca de 600 troféus na estante, em modalidades como Laço Piá, Guri, Dupla, Equipe, Seleção, Prova de Rédea, Vaca Parada, entre outras. Ele também já ganhou prêmios como carro, moto e até um cavalo.

Em 2001, Renan se consagrou campeão brasileiro na modalidade Vaca Parada no rodeio de Brasília

Tradição familiar

O jovem Renan começou a chamar a atenção no CTG Os Praianos e em outros rodeios pelo Brasil ainda na adolescência. Se antes ele tinha que conciliar a prática com os estudos, hoje ele teve que diminuir o ritmo por causa do trabalho. Técnico em segurança do trabalho, agora ele costuma ir aos eventos nas sextas-feiras, depois do horário de serviço, mas faz questão de ficar acampando durante o fim de semana e participar das provas que consegue.

— É uma questão de família, de cultura, que eu sempre tive comigo através do meu pai. Já tive opções de fazer outros esportes mas minha paixão por cavalos e rodeio falava mais alto. Então sempre acompanhei meu pai nessa trajetória. Desde pequeno, me destaquei. O que me deixava mais feliz era ir para o rodeio. Entrar em uma cancha de laço, com a arquibancada toda torcendo e vibrando, é uma sensação muito boa — complementa o laçador.

Renan entre seus troféus. Foto: Cristiano Estrela

O pai que o levou para esse universo é Osmar Herculano Pereira, mais conhecido como Jacaré e o atual patrão (o mesmo que presidente) interino do CTG Os Praianos. Gaúcho que veio morar na Grande Florianópolis na juventude, ele está no Centro desde 1991 e assumiu o primeiro cargo na patronagem em 1997. Antes disso, começou a visitar eventos como peão e, com o surgimento da modalidade Vaca Parada, passou a narrar as competições de brincadeira e tomou gosto pela coisa. Desde então, já são mais de 25 anos de narração e passagem pelos maiores rodeios do Brasil. Para ele, ter um filho que segue a tradição é um orgulho.

— Tenho um filho que gosta e que hoje tem os melhores títulos que um peão de rodeio gostaria de ter, e o melhor, que é um peão nascido e criado no CTG Os Praianos. Já tive o prazer de narrar várias várias vezes ele na final, sempre contendo a emoção e com muito profissionalismo, mas é um orgulho muito grande saber que o filho da gente cultiva a nossa tradição e gosta do que a gente admira — conta.

O sentimento de satisfação e paixão por essa cultura é compartilhado pelo jovem laçador.

— Hoje sou o mais novo sócio patrimonial, ou seja, o sócio mais novo que pode votar. Isso para mim é um orgulho. Representar o CTG por onde eu vou. Defendo muito o CTG, é uma paixão que não tem explicação, vem de família mesmo — finaliza Renan.

Renan e o pai, o “Jacaré”, em 2004. Fotos: Arquivo pessoal

Os Praianos

O fato de um grupo de amigos, todos de origem açoriana, terem criado um Centro de Tradições Gaúchas no litoral catarinense pode ser curioso. Mas há explicações para o fato. Segundo o livro CTG Os Praianos – 30 anos de Tradição, os que moravam próximo ao mar passaram a se interessar pela comercialização e abate de bovinos há mais de dois séculos, influenciados por tropeiros que desciam a serra com animais, charque e couro para serem negociados na região. Com isso, criou-se uma relação com o gado e hábitos campeiros.

Outro motivo apontado pelo livro é o fato dos fundadores serem adeptos da farra do boi, que hoje é proibida mas que nos anos 1960 e 1970 era muito comum e aceita no litoral catarinense. Com o tempo, a prática foi sofrendo cada vez mais críticas e, nesse contexto, o uso da cancha de laço surge como uma alternativa.

Shows

Uma das novidades deste ano é que o evento passa a integrar o Circuito Brahma Sertanejo 2018 e terá, além da programação tradicional, shows de grupos locais e nacionais de Felipe Araújo, Thiago Brava e Gusttavo Lima. Os ingressos para os shows nacionais estão à venda pelo site da Blueticket e nas lojas físicas da Multisom, e dão direito à entrada no Parque do CTG Os Praianos.

— Nesses 46 anos de história, é um motivo para reencontrar os amigos e mantermos a tradição cada vez mais forte, apesar de termos que nos adaptar sempre à evolução. Hoje estamos entre as maiores festas de Santa Catarina — pontua Jacaré.

 

Leia mais:

Veja a programação completa

46º Rodeio Nacional CTG Os Praianos terá shows nacionais e grupos tradicionalistas