Dê a Vanessa para a Vanessa

borboleta
Foto: pexels, banco de dados

Hoje de manhã recebi uma amiga que é arquiteta e paisagista — genial — para um papo sobre o jardim da nossa empresa. A área é muito grande e bastante nobre. O pomar junto com a horta reúnem mais de 40 tipos de frutas, ervas e verduras. Temos espaço para os cachorros brincarem, a casa recebe nossos cursos e a equipe tem um visual lindo da nossa Beiramar. Com as chuvas do ano uma parte do muro da frente cedeu e acabamos por movimentar uma grande quantidade de terra — e o espaço de jardim que não tinha recebido a maior atenção, virou de pernas para o ar.

Toda vez que entro em nosso escritório meu foco muda para o desejo de modificar o projeto e fazer ficar bem lindo. Sempre associo obras físicas com obras emocionais. Uma vez li que “todo mestre certa vez foi um desastre”, daí me anima quando estou de frente com um terreno bagunçado e cheio de potencial. Logo me pergunto: qual reforma dentro de mim terá essa mesma proporção?

Meu nome significa borboletas, então pensei em criar borboletas nesse novo jardim – porque além de representarem o equilíbrio do ecossistema, são uma homenagem à conexão que todos temos com o que nasce conosco — o nosso dia, nosso nome e mais — e que representa, nesse caso ainda mais literalmente, a nossa natureza mais profunda e autêntica.

Outro dia nosso designer disse que na vida temos que “dar tempo ao tempo”. Parece que foi a primeira vez que ouvi essa frase com o sentido dela. Dar o tempo ao tempo é como se estivéssemos o presentando com o que pertence a natureza dele, sem tentar mudar sua estrutura ou forçar sua transformação. É como me dar borboletas. Dê a Vanessa para Vanessa. Oito são os casulos que se formaram espontaneamente em torno do nosso jardim, justamente nessa fase. E lá estão elas no caminho do voo de cada uma, com o tempo que cada uma precisa. Notei que frequentemente tive dificuldade em aceitar meu ritmo — ora devagar, ora apressada para o olhar do outro. Dediquei até esforços para me adequar ao ritmo que me pedem. Nem nunca tinha entendido — por mais óbvio que seja — que a cada um de nós pertence um fluxo e que só é possível viver em nosso melhor se nos devotamos de maneira comprometida a defender o nosso processo íntimo para fazer nossas escolhas e desfrutar delas.

A gente procura por respostas ou maneiras de fazer as coisas — como se ao encontrar um padrão vivido por outro nos fosse oferecer a mesma alegria que o outro um dia teve. Nem sempre isso acontece. Por isso é que tenho insistid em me dar a mim mesma — minha intuição, a coragem de viver meu ritmo e a benção de ter em meu nome o sinal da permissão da transformação diária. Isso nos libertará da necessidade de ser para o outro e nos dará asas para finalmente voar.

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