“Desconectar para conectar”: entenda o conceito e a importância de aplicar no dia a dia

Atleta Diogo Guerreiro, de Florianópolis, que faz expedições pelo mundo, explica a importância de viver o momento presente

Diogo Guerreiro
Diogo Guerreiro (Foto: Instagram/Reprodução)

Desconectar para conectar. Esse é o conceito que rege a vida de Diogo Guerreiro. Atleta, empresário e expedicionário, aos 37 anos ele já viajou o mundo. Natural de Florianópolis, Diogo foi o capitão mais jovem do Brasil a dar a volta no planeta de veleiro. Também é íntimo da costa brasileira: fez a travessia do Chuí ao Oiapoque de windsurf. Estão entre suas aventuras mais recentes cruzar o estreito de Magalhães a bordo de sua prancha e atravessar a Groenlândia a pé.

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Suas histórias são divididas com os expectadores em um programa que dirige e protagoniza um programa no Canal OFF. Diogo é um dos palestrantes do Festival Social Good Brasil, que acontece em Florianópolis, nesta sexta-feira e sábado. A palestra “Desconectar para conectar” está marcada para às 18h30min de sábado. Com ingressos esgotados, ela pode ser vista ao vivo, on line, no site do evento.

Nesta entrevista para a Versar, Diogo fala sobre o conceito, suas expedições, e de que forma tem se encontrado e vivido o momento presente. Confira:

Desconectar para conectar. Explique esse conceito.

Eu sou um aventureiro profissional. Vivo fazendo aventuras e gravando programa de televisão. As minhas aventuras são para lugares meio remotos, em que a gente desconecta do mundo e fica totalmente focado no presente. Não existe superficialidade. O fato de desconectar faz com que a gente se reconecte com nós mesmos, comece a dar atenção para o que realmente importa. Na sociedade a gente é muito solitário, nosso tempo tá sempre consumido por alguma coisa. Ou a gente tá falando com alguém, ou tá no Instagram, ou tá mandando mensagem. Muito pouco tempo a gente se permite a reflexão pura. Essa abundância de informação faz a gente perder um pouco essa conexão íntima com nós mesmos. Quando a gente faz uma jornada dessas, como a última que fiz à Groenlândia, 26 dias a pé, com um trenó com tudo que eu precisava, barraca, comida, foi uma oportunidade fantástica de pensar sobre a própria vida, reavaliar os valores.

Você percebeu isso viajando ou o autoconhecimento já era algo que te interessava?

Eu sempre gostei. Meu pai contava as histórias dos grandes navegadores, grandes expedições, e desde criança eu pensava nisso e na importância que tinham as decisões que eles tomavam. Quando a gente tá em frente a algo tão intenso assim, a gente fica totalmente conectado no presente, ficando super presente. Eu já tinha um pouco disso na cabeça.

Você viaja sozinho? Sempre optou por lugares remotos?

Eu tenho feito várias expedições, mas em geral sempre tem alguém que eu convido para ir comigo, para compartilhar. É importante ter mais uma pessoa. Eu já fui sozinho, de Fernando de Noronha a Natal de windsurf, com um barco de apoio. Eu ia fazer com um amigo, que deu a volta ao mundo comigo de veleiro, mas ele foi mordido por um cachorro um dia antes. Acabei decidindo ir. Foi muito intensa pra mim.

Qual é a próxima expedição?

Tem o projeto de ficar morando num iceberg por 20 dias, mas a data não está definida.

Como você se prepara?

Dependendo do tipo de expedição, priorizo a parte física. Pra caminhada na Groenlândia me preparei durante um ano e meio. Fiz um projeto nutricional. Em algumas tenho que ganhar peso. Pra essa ganhei nove quilos. Perdi oito na viagem. A preparação psicológica também é algo que ao longo do tempo eu faço. Tento me concentrar, projetar situações de risco, como reagir, pra que na hora seja uma coisa quase que automática e não entre em pânico.

Já passou por situações mais arriscadas?

Sim. Toda expedição tem riscos envolvidos. Nessa última eu peguei três tempestades muito violentas, com temperaturas abaixo de -40°C. São situações em que a gente fica muito vulnerável, com a sensação de que não pode cometer nenhum erro. Mas nada que eu pensei que ia morrer. Porque havia um planejamento. Tomo sempre muito cuidado. Na Groelândia antecipei minha parada, fiz vários processos e ações pra que na hora da tempestade eu tivesse preparado. Me senti seguro.

Dividir essa experiência com outras pessoas motiva essa busca pra que se conectem com elas mesmas? Qual o retorno que você tem?

O reflexo disso pra mim é o seguinte: quando você ta lá, na Groenlândia, no meio de uma tempestade, as dificuldades da vida cotidiana parecem simples. As minhas empresas, engarrafamento, comparados à expedição, são pouco. A gente se reorganiza. O reflexo é esse. A gente está preso demais aos problemas. Mas eu tenho interesse em criar algumas expedições que sejam acessíveis ao grande público e ao mesmo tempo algo que elas tenham essa sensação de conquistar isso, de realizar. Porque o reflexo na vida depois é muito positivo.

Você acha que é possível desconectar para conectar no dia a dia, dentro da rotina?

Com certeza. A gente precisa aprender a desconectar. Nos últimos anos, qualquer dois minutos de ócio, a pessoa pega o celular pra dar uma olhadinha. A gente acabou desaprendendo a ficar no nosso silêncio, a simplesmente pensar, entender em que momento da vida a gente tá. A gente tá preenchendo muito esse vácuo, que é importante, com atividades cotidianas pequenas.

Assista aqui ao vídeo “Desafio Extremo”, sobre a expedição na Groenlândia

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