Fugindo dos clichês germânicos: engenheiro aposta em design para todos

Ricardo Vasselai - Foto Marco Favero
Fotos Marco Favero, Diário Catarinense
Empreender nunca esteve tão em alta e tão necessário quanto nos últimos anos. Com boas ideias, bem executadas, um pouco de sorte e muito conhecimento (suor também ajuda), alguns jovens de Blumenau – representantes de outros nomes de diferentes áreas – ganharam terreno fugindo da obviedade que cerca a maioria dos projetos.
O Vale do Itajaí é conhecido por alguns clichês que (deliciosamente, por que não?) fazem parte da história da região. Na gastronomia, na construção civil ou na indústria têxtil, força motriz que deu fama mundial àquele pedaço de terra cravado entre rios e montanhas.
Para a primeira desta série de reportagens que vai circular por diferentes regiões de Santa Catarina, fomos atrás de personagens e suas histórias de paixão, de brilho nos olhos, de ousadia.

Outras histórias

No primeiro post da série, encontramos um engenheiro civil que se uniu a um grupo de criativos para levar design aos condomínios até então caretas da cidade. Nos próximos dias, aqui no site e na edição impressa,  também ouvimos o relato divertido de duas irmãs que criaram uma marca de roupas para mulheres empoderadas, que aceitam seus corpos. Atuais, como deve ser um empreendedor.
Descobrimos ainda como uma advogada se tornou uma das chefs de nutrição funcional mais badaladas do país. Para encerrar, um publicitário que mudou de vida ao se transformar em montanhista. Tudo inspirador. Não é um guia, mas tem várias dicas transformadas em palavras.

Design para todos

Ricardo Vasselai não tinha dúvidas sobre qual carreira seguir. O pai investia em imóveis o que ganhava na área de seguros e um dos tios fazia loteamentos. Na hora do vestibular, a escolha por Engenharia Civil na UFSC foi natural. Mas aos poucos seu feeling, moeda importante nesse Banco Imobiliário da vida real, apontava que um caminho óbvio não estava nos planos. — Durante a faculdade fui visitar bastante obra, fiz cursos, estava lendo bastante, procurando entender e como entrar no mercado. Eu ainda tinha uma cabeça de engenheiro — conta o blumenauense de voz mansa e firme.

Parceria que deu certo

Depois de um MBA em marketing, ele decidiu que sua incorporadora não seria só uma empresa de projetos comuns. Como uma fórmula, lá no início dos anos 2000, seguiu o que pregam muitos cases de sucesso dessa nova economia que vem mudando o mundo: quando começar um projeto, procure novos nomes, gente que está começando. A energia é outra. E assim Ricardo encontrou o arquiteto Osvaldo Segundo, outro rapaz educado, elegante e dono de um gosto tão refinado que flerta com aquele minimalismo quase incompreendido pela massa. Juntos, trocaram ideias e experiências e ainda ganharam a importante colaboração dos criativos da Firmorama, de Jaraguá do Sul.

 — Com eles eu aprendi essa outra parte, do design, de criar um conceito. Eles trouxeram outra visão. Todo mundo tinha conhecimento para compartilhar. Antes, você construía um prédio, dava um nome qualquer e entregava, Nós criamos um time criativo bem forte. Começamos a viajar para Nova York, Dubai, Londres, Milão, sempre em feiras, em busca de novos nomes — comemora o engenheiro.
Para seus prédios de classe média, alguns nomes conhecidos do design nacional e mundial já assinaram as áreas comuns. Artistas visuais como Nestor Jr. e Julian Gallasch, figuras incensadas das artes catarinenses, também rabiscaram paredes, algumas ainda em obras e preservadas até hoje. Há uma outra características nas criações da trupe: os empreendimentos não têm piscina, têm poucas áreas comuns e algumas unidades contam com um rooftop, o velho terraço que agora ganha frequentadores que gostam de churrasco, futebol, cerveja artesanal e trabalham com tecnologia, moda e arquitetura.
— Quando a gente vive um excesso de informações, as pessoas vão atrás do que é mais puro, o que tem mais significado. O consumidor de um prédio não é diferente daquele de comida, de roupa ou de carro — finaliza.
Veja histórias de outros empreendedores que saíram dos clichês:
Foto Marco Favero, Diário Catarinense
Ricardo Vasselai – Fotos Marco Favero, Diário Catarinense