Desmistificando as previdências: entenda a diferença entre os planos e saiba qual o melhor para você

Atualmente, existe grande oferta de produtos, permitindo uma identificação e satisfação infinitamente superior aos planos de aposentadoria de cada indivíduo

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No dicionário da língua portuguesa, previdência significa faculdade ou ação de prever; precaução, cautela. Previdência social é o conjunto de instituições ou de medidas de proteção e assistência aos cidadãos em caso de doença, desemprego, aposentação, etc. Ou seja, quando falamos de previdência, falamos sobre aposentadoria e futuro.

No Brasil, Previdência Social nada mais é do que uma garantia que o país oferece a todos aqueles que contribuíram com alguma produção ao longo de muitos anos, um investimento mensal (descontado na folha de pagamento) para aposentar-se com tranquilidade financeira. Trabalhadores com carteira assinada contribuem com o chamado INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) a fim de recolher seus frutos na aposentadoria. Sem entrar no tema de política brasileira e nem suas decisões, o texto visa munir o cidadão de informação para que com ela, sinta-se apto a tomar decisões que melhor o convém.

Existe disponível no mercado a Previdência Privada, que, seguindo a ideia de planejamento, segurança e aposentadoria, foi criada visando disponibilizar uma alternativa à Previdência Social, um instrumento financeiro que deixa de ser subordinado ao INSS e passa a ser gerida pela Susep (Superintendência de Seguros Privados).

É mais flexível que a política social, uma vez que o investidor tem liberdade para escolher muitas das características inerentes aos planos, como valor a ser investido mensalmente, momento de resgate e tipo de performance. Atualmente, existe grande oferta de produtos dessa linha, permitindo uma identificação e satisfação infinitamente superior aos planos de aposentadoria de cada indivíduo.

Sem esquecer que, para aqueles que contribuem com Previdência Social mensalmente (INSS), nada impede de seguir com novas aplicações em uma Previdência Privada. Elas podem coexistir para quem já contribui ou ser a única alternativa para quem não fornece contribuição social. Para entender melhor as opções e como elas são oferecidas pelo mercado, existem algumas aspectos a serem observados, são eles:

VGBL/PGBL

Por estar subordinada à Susep, a Previdência Privada é um instrumento oferecido pelas seguradoras, mas sua estrutura se assemelha aos fundos de investimentos tradicionais, com algumas características específicas em relação às políticas de investimentos, nos custos e na tributação.

Um plano de previdência pode ser de dois tipos: Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) ou Vida Geradora de Benefício Livre (VGBL) e a diferença entre esses dois planos está na forma com que as mesmas são tributadas. O PGBL é indicado para pessoas que fazem a declaração completa do IR, porque permite que o investidor utilize uma parte desses recursos (até 12%) para abatimento do IR. Porém, no resgate, a alíquota de imposto será calculada sobre o valor total da mesma. Já o VGBL é mais indicado para aqueles que fazem declaração simplificada ou não a fazem, porque ela não permite o abatimento na declaração anual de imposto de renda. Mas, como vantagem, a alíquota do imposto será calculada apenas sobre os rendimentos do plano e não sobre o valor total como no PGBL.

Tabela Progressiva x Regressiva

Outra característica que precisa ser escolhida logo no início do planejamento é o tipo de tabela a ser utilizada no momento do resgate. Aqui ela pode ser Regressiva, onde a cada dois anos a alíquota cobrada será 5% menor, começando com 35% e chegando até a 10% depois de 10 anos, ou a tabela progressiva que se assemelha a tabela dos salários e do carnê leão e que tem uma faixa isenta e vão de 7.5% até 27.5% de acordo com os valores retirados.

Assim sendo, existem quatro configurações básicas para um plano de previdência: VGBL Regressivo, VGBL Progressivo, PGBL Regressivo ou PGBL Progressivo. Aqui mais uma vez o especialista em investimentos pode fazer uma grande diferença, encontrar a melhor configuração para o seu perfil envolve uma série de questões que precisam ser consideradas.

Após definido essas características básicas, o investidor precisa definir que tipo de aplicação irá remunerar os recursos aportados e quais os custos envolvidos nessa parte da operação. De forma geral os principais custos são:

1. Taxa de administração que é cobrada por todos os fundos de previdência atualmente e elas podem ser maiores ou menores de acordo com a definição de cada gestor. Geralmente taxas menores significam melhores retornos, mas em determinados casos as taxas maiores são para fundos com performances melhores então é importante que isso seja avaliado junto ao especialista de investimentos.

2. Taxa de carregamento é um percentual cobrado pela instituição financeira sobre os aportes recorrentes feito pelo investidor. Por exemplo, se o investidor aporta 1000 reais por mês em um plano que tem 5% de taxa de carregamento a instituição cobrará R$50,00 reais e aplicará apenas R$ 950 em nome do investidor. Essa é uma taxa que tem diminuído recentemente com a informação mais acessível ao investidor.

2.2. Taxa de carregamento (de saída) é quando os recursos que são retirados antes do prazo de vencimento do plano.

* Entenda porque taxa de carregamento é algo que o investidor precisa diminuir ou zerar no momento da negociação do seu plano. Digamos um cenário básico em que o investidor vai guardar 1000 reais por mês durante 20 anos, performando 10% ao ano. Em um plano com taxa de carregamento de 5%, o acumulado nominal após esse período seria aproximadamente 36 mil reais menor do que o plano sem taxa de carregamento, ou seja, dinheiro que poderia estar compondo a renda do investidor na aposentadoria foi consumida por uma taxa no meio do caminho.

Conservador, moderado ou agressivo

E o terceiro aspecto a ser considerado é a estratégia do fundo utilizado pelo plano de previdência. Ele pode ser um fundo conservador, agressivo ou mesmo uma mescla dos dois. Não existe uma melhor opção nesse caso pois cada investidor tem um perfil diferente, então mais uma vez o auxílio de um especialista é fundamental para a escolha do melhor ativo.

Vale ressaltar que com tantos detalhes envolvidos nesse tipo de plano contar com o apoio e a expertise de um especialista pode representar uma diferença financeira muito grande no seu futuro. As possibilidades são inúmeras. Boas e ruins, então cabe ao investidor entender qual caminho seguir e fazer as escolhas corretas.

Texto escrito por Fernando Soethe, CFP®

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