Dia da Mulher: conheça histórias de catarinenses que quebram tabus

Da jogadora de futebol de apenas nove anos à idealizadora de uma ala de passistas plus size, passando por youtuber, atriz global e outras donas de grandes feitos. Conheça 11 mulheres inspiradoras

Arte sobre fotos: Gabriela Fantini

Oito de março é o dia de celebrar as mulheres. Não é difícil encontrar as histórias inspiradoras. Afinal, tripla jornada diária de trabalho, cuidar sozinhas dos filhos, ter salários menores que os homens mesmo ocupando as mesmas funções são alguns dos motivos que fazem de toda mulher uma lutadora. E é justamente por encararem um cenário nada favorável que elas merecem ter suas atitudes reconhecidas. Neste Dia da Mulher, selecionamos histórias de catarinenses que quebram tabus e são donas de grandes feitos. Confira:

Nati Pereira, a primeira menina contratada por um time de série A masculino no Brasil 

Foto: Diorgenes Pandini

Natália Pereira está entre os atletas da equipe sub-10 do Avaí. Ela passou nos testes e se tornou a primeira menina a integrar o elenco de formação de um clube da Série A do Campeonato Brasileiro. A menina de nove anos recebeu o mesmo tratamento de qualquer jogador da idade, e ela conquistou esse espaço após muito treino. Com o feito, Nati foi reconhecida em todo o cenário nacional. Em fevereiro, Nati foi convidada para contar sua história no Encontro com Fátima Bernardes.

Louie Ponto

Louie Ponto (Foto: Leo Munhoz)

Com mais de 480 mil inscritos em seu canal no Youtube, a catarinense que mora em Florianópolis ficou reconhecida por falar de forma clara e inteligente sobre assuntos relacionados a feminismo, gênero e sexualidade desde quando esse tipo de conteúdo era raro nas redes sociais.

Bruna Linzmeyer

Foto: Reprodução/Instagram

A atriz catarinense se tornou um símbolo das discussões sobre questões de gênero e LGBT+. Em entrevista à revista Marie Claire, ela falou que sofreu ataques homofóbicos ao assumir publicamente seu primeiro relacionamento homossexual com a cineasta Kity Féo, em 2016: “Perdi trabalhos de publicidade, mas não me importo. Fiz uma escolha. Nunca pensei em omitir”, disse ela à publicação. No ano passado, ela participou de um protesto em Cannes. Entre as reivindicações estava a equiparação salarial entre gêneros e um ambiente seguro para mulheres.

Cores de Aidê

Bloco Cores de Aidê no Centro de Florianópolis (Foto: CR2 Fotografia/Divulgação)

Por meio da música, o grupo formado por 10 mulheres em Florianópolis tem como diferencial não apenas suas componentes, mas seu palco — Cores de Aidê toca, com frequência, nas ruas da cidade — e quer passar uma mensagem de resistência e dar protagonismo àquelas estão à margem em dose dupla: por serem mulheres e por serem negras. É no sutil ato de protesto, sem agressividade, numa doce revolta, que Cores de Aidê tem conquistado fãs. O tambor é a arma, e o batuque deixa todo mundo feliz, mas também faz pensar.

Passistas plus size

Coordenadora da Ala de Passistas Plus Size da escola Consulado, Monique Heloisa da Luz. Foto: Tiago Ghizoni

No Carnaval deste ano, Florianópolis teve pela primeira vez uma ala de passistas plus size no desfile. Uma postagem no Facebook da agremiação Consulado foi o suficiente para reunir um grupo de 30 mulheres e um muso, já com uma lista de espera com 15 nomes, e com projeto de estender a ala no próximo ano para 50 pessoas.

Elisa e Ro Freitas

ro e elisa freitas
Foto: Marco Favero

Primeiro elas criaram uma marca social. Desenvolveram camisetas que trazem na estampa frases cheias de significado. Uma delas, inclusive, foi utilizada num show em Florianópolis pela cantora Sandra de Sá que de cara apadrinhou o projeto. Depois inauguraram uma exposição fotográfica reunindo várias mulheres negras e valorizando suas histórias. A mostra faz parte de um projeto maior de empoderamento dessas mulheres que muitas vezes se sentem invisíveis.

Daisy Benvenutti

daisy benvenutti
Foto Tiago Ghizoni/Diário Catarinense

Natural de Jaraguá do Sul, Daisy Benvenutti largou uma carreira promissora como economista na década de 50 para seguir o coração e trabalhar no rádio e no teatro. Ela conta com muito orgulho, aliás, que foi a primeira mulher a se formar no curso de Economia da Universidade Federal do Paraná, tendo recebido inclusive uma homenagem recente da instituição que criou um coletivo feminista com seu nome. Ainda jovem e apontada pelos críticos como um dos maiores talentos da sua geração, tendo recebido prêmios como locutora de rádio e atuado nos palcos com grandes atrizes como Fernanda Montenegro, Daisy mais uma vez seguiu o coração e se mudou para a Itália, acompanhando o marido, Ruggero Jacobbi, que era natural daquele país e com quem anos antes havia fundado uma companhia de teatro. Chegou grávida na Europa e lá escreveu outros capítulos importantes de sua história. Teve a única filha, fez teatro, tradução, deu aulas de português e virou inclusive nome de rua por toda a sua contribuição com as artes.

Gabi e Dani Vanzuita

Foto: Marco Favero

As irmãs Gabi e Dani Vanzuita estavam cansadas das mudanças administrativas na empresa da família, produtora de roupa de cama, característica da indústria têxtil local, em Blumenau. Quando uma figura masculina assumiu o comando do negócio, as duas, que desde sempre tiveram uma vontadezinha de criar uma marca, não se sentiram intimidadas. Sentiram uma oportunidade de mudança de rumo. Enquanto isso, lá por 2013, o mundo já fervilhava em debates sobre feminismo e igualdade de gêneros. A camiseta com a frase “Não sou Obrigada” foi o que deu o start. As irmãs criaram um manifesto a favor das mulheres, dos negros, dos gays, escreveram uma carta a próprio punho, como fazem até hoje, e enviaram para 17 influenciadores digitais. Então, a 787 Shirts ganhou fama.

Flávia Flores

Flavia flores
Foto: Divulgação

A ex-modelo catarinense Flávia Flores foi diagnosticada com câncer aos 35. Não foi só com a doença que precisou lidar na época: encarou, também, a solidão. O namorado da paciente terminou o relacionamento assim que soube que seria preciso fazer a retirada das mamas. A situação poderia ter abalado a autoestima de Flávia, mas a motivou a lutar contra a doença e se unir a outras mulheres. Foi a partir disso que surgiu o Instituto Quimioterapia e Beleza, que trabalha o amor próprio da mulher com câncer.

Idealizadoras da primeira livraria feminista de SC

Mari Pelli (D) e Ligia Moreiras fazem a curadoria das obras buscando escritas do perfil da Livras (Fotos: Tiago Ghizoni)

As paredes coloridas, com quadros e bancos lúdicos, criam o ambiente convidativo da iniciativa inédita em Santa Catarina. O nome Livras ressalta o feminino que as curadoras querem trazer para o mercado, inaugurando a primeira livraria feminista do estado, em Florianópolis. As obras são selecionadas por Mari Pelli e Ligia Moreiras, que buscam conteúdos que retratam mulheres, crianças, questões raciais e temas LGBT.

Projeto Refletindo a Deusa

Claudiane Pires (Foto: Stephanie Mella/Divulgação)

Há dois anos, a goiana Claudiane Pires, 33 anos, moradora de Florianópolis há seis e pós-graduada em Gineterapia, criou o projeto Refletindo a Deusa. Com encontros focados nas celebrações celtas da roda do ano, na Capital, ela e o clã de três colaboradoras e facilitadoras provem workshops sobre o sagrado feminino — ensinamentos sobre o corpo, emocional e como harmonizar os ciclos de acordo com a natureza. Desta forma, o grupo permite que outras mulheres se conectem com o ritmo da Terra e reconheçam a essência do seu sexo, desde a saúde física até o poder místico das quatro fases das fêmeas (infância, adolescência, maturidade e velhice) relacionadas com o enaltecimento das estações do ano dentro e fora de cada uma delas.

*Colaborou Priscila Araújo

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