Dia Mundial do Orgasmo: 55% das brasileiras não chegam lá

No Dia Mundial do Orgasmo, entenda quais distúrbios podem impedir que as mulheres ‘cheguem lá’

dia do orgasmo
Foto: Gabriel Matula/Unplash

Comemorado no dia 31 de Julho, o Dia Mundial do Orgasmo é motivo de preocupação entre as mulheres, pois, muitas não conseguem comemorar. Segundo o estudo de Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos do ProSex, da USP, 55% das mulheres não atingem o orgasmo durante a relação sexual. Um dos principais motivos, é a dor durante o sexo, que atinge 59% da população feminina.

Existem duas formas de chegar ao orgasmo: por estimulo do clitóris ou com a penetração. Porém, mulheres que sentem dores durante o sexo dificilmente conseguem uma penetração completa e, consequentemente, não chegam ao orgasmo.

– Antes de buscar o prazer a mulher deve buscar tratamento para se livrar da dor, para que esta associação ou memória de dor relacionado ao sexo deixe de existir – explica a fisioterapeuta pélvica Debora Pádua, fundadora da primeira clínica especializada em dor na relação no Brasil.

– Como a mulher pode sentir prazer se ela sente dor? – adiciona.

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Os principais transtornos, que podem dificultar as mulheres de chegarem ao orgasmo são vaginismo, dispareunia ou a vulvodínia. Em resumo, os três são dolorosos e, segundo a especialista, as causas podem ser orgânicas, como infecções mal tratadas, endometriose ou doenças do aparelho urinário. Entretanto, na sua maioria, está relacionado a problemas psicológicos como traumas, abusos e educação rígida.

– Ao procurar por tratamento, pode ser difícil para o profissional distinguir com exatidão qual é o distúrbio, pois todos estão relacionados à dores. Não apenas durante o sexo, mas ao tentar introduzir um absorvente, dedos, ou especulo durante exame de rotina – adiciona Débora.

Para ajudar as mulheres a identificar os sintomas do distúrbio, a especialista explica um pouco sobre cada um.

Vaginismo

São espasmos involuntários e recorrentes que contraem a vagina causando dores durante a penetração ou até em exames ginecológicos.

Algumas infecções e lesões podem ser a causa do vaginismo, no entanto, os principais diagnósticos são ocasionados por traumas ou repressão sexual. Educação rígida é um fator que contribui para o vaginismo, uma vez que a mulher sente medo e, inconscientemente, a musculatura do canal vaginal se contrai.

Dispareunia  

Este se difere do vaginismo porque não há a contração involuntária, sendo caracterizado pela dor recorrente no canal vaginal e que pode ocorrer antes, durante e após a penetração, ou seja, a dor não impede a penetração.

Neste caso, os fatores que causam o distúrbio são mais ocasionados por problemas clínicos, como infecção na vulva, herpes genital ou outras DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

Vulvodínia

Passou a ser mais conhecida por não ter cura. A vulvodínia é dor do lado de fora do canal vaginal. A mulher sente dor, ardência e algumas relatam que parece que tem uma faca rasgando tudo ou que tem a impressão de estar em carne viva. Mesmo sem causa exata, a vulvodínia pode ser tratada.

Os três distúrbios podem atingir mulheres em qualquer período, desde a adolescência até a menopausa. O ideal é buscar o especialista para um diagnóstico preciso e saber explicar a dor pode ajudar no diagnóstico e tratamento.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FebrasGo), o tratamento com fisioterapia é um método eficaz e que pode ser concluído em poucos meses.

– Não é comum sentir dores na relação e não é vergonhoso compartilhar com um especialista – finaliza Debora.

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