Documentário catarinense é selecionado para festival de cinema no Japão

Obra que registra a vida de um sobrevivente da bomba atômica será exibida em setembro em Nagazaki

Documentário registra a vida de Kazumi Ogawa, sobrevivente da bomba atômica de Nagazaki (Fotos: Divulgação)

O documentário Memorial à Paz vai representar o Brasil no Festival de Cinema no Japão, que ocorrerá em Nagasaki este ano, no mês de setembro. A produção é catarinense, gravada em Frei Rogério, no Meio Oeste, por um grupo de amigos de Joaçaba. O personagem central percorreu uma longa história antes de se radicar em Frei Rogério, que abriga a maior comunidade japonesa de Santa Catarina.

Kazumi Ogawa sobreviveu à explosão atômica em Nagazaki e, pouco depois, resolveu vir para Santa Catarina como imigrante, trazendo a tradição da cultura de maçãs para a cidade que já tinha aptidão para agricultura. Foi nesse período da vida que o japonês se dedicou à luta pela paz mundial.

Produzido por Rodrigo Gomes Leite, Alex Morais e Enio Brambatti, o documentário registra as iniciativas de Kazumi, que, entre tantas façanhas, cultivou uma fruta em memória dos atingidos pela bomba.

— Ele cultivava uma pera, muito suculenta, que representa a sede que passaram naqueles tempos. Muitos acabavam bebendo água dos rios e eram contaminados e morrendo dessa forma. Mas o objetivo da fruta não é lembrar os horrores da guerra, é uma homenagem aos que passaram por essa tragédia – conta Rodrigo.

O filme foi produzido em 2005 pelos três amigos que, na época, cursavam Rádio e TV numa universidade de Joaçaba. Com equipamentos alugados e carro emprestado, eles registraram a história do sobrevivente na cidade próxima.

— Com o que nós tínhamos em 2005, sem dinheiro, carro emprestado para chegar pela estrada de chão entre Joaçaba e Frei Rogério, material emprestado… talvez isso que dê uma grandiosidade maior para o documentário. Foi mais por paixão mesmo do que profissionalismo — comenta Rodrigo.

— As fotos e imagens da época do atentado nós conseguimos com autoridades japonesas. Algumas imagens, inclusive, somente o governo japonês tem e nós conseguimos fazer cópias e mandar de volta para eles – acrescenta.

Desde então, o filme tem passado por festivais e exibições históricas, mas esse foi o primeiro convite para fora do Brasil. A data de exibição e os detalhes do festival ainda estão em negociação com as autoridades do país, mas os produtores do documentário já comemoram a conquista.

— Um dos responsáveis pelo festival de cinema em Nagazaki entrou em contato e informou que através de indicações eles assistiram nosso documentário e foi escolhido para representar o Brasil nesse gênero cultural em 2019. Mas somente saberemos mais detalhes dos tramites formais em março e, até lá, estamos na expectativa.

Foto: Arquivo pessoal

Kazumi Ogawa faleceu em setembro de 2012 e deixou um legado, reconhecido como Militante da Paz, com viagens, ações, palestras e homenagens em todo o Brasil e também exterior.

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