Carnaval: Saiba como evitar as doenças transmitidas pelo beijo

Especialistas catarinenses falam sobre a importância de manter a saúde bucal durante os dias de folia

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Carnaval, para muitos, é uma época de pura diversão. Festas, bailes e blocos de rua atraem milhares de foliões por todo o país, que na euforia de aproveitar as festas podem esquecer alguns cuidados básicos com a saúde.

— É comum, no Carnaval, a pessoa chegar em casa bêbada e não dar muita atenção para a escovação antes de dormir — alerta o cirurgião dentista Rafael Fonseca de Andrade.

O especialista lembra que o álcool se transforma em açúcar e aumenta o risco de formação de cárie, além da própria alimentação, que em dias de festa acaba sendo desregulada. Além de reforçar a importância de escovar os dentes ao menos antes de dormir, o dentista explica que o consumo de água é um importante auxiliar para evitar doenças bucais.

— A hidratação é fundamental para higiene bucal, porque a saliva é um detergente da boca e equilibra o PH. A saliva é 99% água, então a desidratação causa desiquilíbrio da fauna bacteriana aumentando o risco de cárie e de problemas bucais.

Além das cáries

Entretanto, a preocupação durante o Carnaval vai além das cáries e do mau hálito. Muito comuns nessa época do ano, as doenças bucais aumentam consideravelmente por descuidos durante a folia.

De acordo com a médica infectologista Magali Domingos Ferreira, as doenças bucais podem ser transmitidas de duas formas durante o beijo: pela saliva ou pelo contato com a lesão infectante.

— Pela saliva podem ser transmitidas doenças desde resfriados, gripes, até doenças um pouco mais preocupantes como citomegalovirose e mononucleose infecciosa. Já por contato, a gente tem a herpes e até mesmo a sífilis, que é conhecida pela transmissão sexual, mas, se a pessoa tiver uma ferida ativa na boca, a doença é muito contagiosa e pode, sim, ser transmitida simplesmente pelo beijo.

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Doença do beijo

Entre as inúmeras doenças citadas pela especialista, a mononucleose inefecciosa, conhecida também como “doença do beijo”, é a mais recorrente. Segundo a médica, cerca de 70% a 80% da população adulta já tiveram contato com a doença, que tem um pico de incidência de infecção entre os 15 e 24 anos.

— O tratamento baseia-se no alívio dos sintomas com antitérmicos, controlar os sintomas de dor na garganta, cefaleia e mialgia com analgésicos, às vezes até usar um anti-inflamatório. O repouso é importante porque a pessoa fica bastante delimitada e tem a questão de poder aumentar o baço, que é um órgão do sistema linfático e participa do processo imune, então o repouso é para evitar até o rompimento desse baço quando ele estiver num aumento muito expressivo.

Use camisinha

Magali destaca que, não apenas pelo beijo, muitas doenças são contraídas pela boca, mas devido ao sexo oral.

— A gente tem inúmeras doenças transmitidas por sexo oral, mas podemos citar a sífilis – a gente está vivendo uma epidemia de sífilis sem conseguir controlar esse crescimento -, a gonorreia, a clamídia, o herpes, o HPV, também podemos citar as hepatites virais como transmitidas pelo sexo oral e o HIV, que apesar de ter um risco extremamente baixo de transmissão de sexo oral, é um problema a parte que inclusive as pessoas menosprezam esse risco e acabam se expondo mais.

A exposição aos vírus é o principal risco de transmissões e, segundo a infectologista, a melhor forma de prevenir é evitar esse contato com varias pessoas, já que “quanto maior a exposição, maior o risco de encontrar uma pessoa infectada e transmitindo uma infecção”.

— Outra forma de prevenir é melhorando o seu status imune, diminuindo a sua suscetibilidade de adquirir alguma infecção, mantendo a saúde em dia, a saúde bucal em dia, sem ferimentos, sem machucados, evitar excessos durante o carnaval e manter-se hidratado.

Imunidade alta previne muitas doenças

Para de evitar o risco de transmissões, também é importante, fazer os exames periódicos. Segundo o cirurgião dentista Rafael Fonseca de Andrade, é indicado fazer um check-up nos dias que antecedem a folia.

— O risco de transmissão aumenta se houver a presença de ferimentos na boca, aftas, gengivites, então o importante é manter a boca saudável — acrescenta também Magali Domingos Ferreira.

— A dica para aproveitar bem o carnaval: ter sempre em mente que o autocuidado tem que estar à cima de qualquer coisa. Cuide-se bem, proteja-se, não dê bobeira, use sempre camisinha. O carnaval passa mas a sua saúde merece respeito, a sua saúde fica — conclui a infectologista.

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