“Meu novo disco é um convite à reflexão sobre a epidemia de ódio que assolou o Brasil”, diz Duca Leindecker

Duca
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Um dos trechos da música Baixar Armas, que dá nome ao novo álbum de Duca Leindecker, diz: “O teu caminho é o meu caminho. Azar ou sorte, estamos na mesma direção. Enquanto eu falo, você não escuta, eu não escuto o que você fala. E assim nós vamos, em separado, mesmo ao teu lado. Ninguém mais quer se ouvir”. No novo trabalho, Duca propõe abrir os ouvidos, baixar a guarda e dizer um sonoro sim à empatia.

– O disco é um convite à reflexão sobre a epidemia de ódio e de intolerância que assolou o Brasil nos últimos anos – diz o músico, que ao longo de sua trajetória, que inclui a banda Cidadão Quem, teve trabalhos interpretados por artistas como Milton Nascimento, Chimarruts e Tiago Iorc.

Com participação de Humberto Gessinger, Shana Müller, Luciano Albo e outros músicos, o novo álbum tem 13 faixas inéditas que misturam elementos do rock’n’roll com influências da MPB e do regionalismo. Duca se apresenta em Florianópolis neste domingo, no Teatro Ademir Rosa. Confira a entrevista:

Revista Versar – O que o público que acompanhou as bandas Cidadão Quem e Pouca Vogal, além de sua carreira solo, pode esperar de Baixar Armas e do show de domingo?
Duca Leindecker – Acredito que o mais importante é que as pessoas podem esperar uma banda cheia de vontade de tocar. O Baixar Armas nos enche de motivação. O show está muito dinâmico e ainda traz uma mensagem contemporânea. Um convite à reflexão num mundo de violência e intolerância. A banda agora conta com o Igor Conrad no baixo, Claudio Mattos na batera e Chaise na guitarra e vocais. Vale ressaltar que não deixamos de tocar as músicas mais importantes da minha trajetória apesar de ser o show de lançamento de um disco novo.

RV – O disco tem uma pegada clássica do rock gaúcho e parece inspirado em Cidadão Quem. Foi uma volta às origens?
DL – Com certeza. É o meu primeiro disco inédito e com banda desde o álbum 7 da Cidadão Quem. Pegar nas guitarras e compor com a forma da Cidadão foi como voltar pra casa.

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RV – As participações são bastante diversas. De Shana Müller, muito conhecida no tradicionalismo gaúcho, a Humberto Gessinger. Qual foi o intuito de reunir tantas referências?

DL – São excelentes artistas que, por felicidade da vida, são os meus melhores amigos. Chamei quem tem mais a ver comigo. Quem está mais presente na minha vida. Todos os baixos do disco foram gravados com o Fender Jazz Bass do Luciano. Foi uma espécie de homenagem assim como a canção “Mais um Dia” dedicada ao Luciano.

RV – Como o público de Santa Catarina recebe o seu trabalho e que artistas locais você costuma ouvir?
DL – Sempre fui muito bem recebido aqui e tenho muito carinho por este lugar, que é o sonho de consumo dos gaúchos! Lembro que eu sonhava vir pegar as ondas daqui e acabei comprando uma casa na Guarda do Embaú. Quanto às bandas, acho que o Dazaranha foi a que mais se projetou. E eu tive a oportunidade de trabalhar com a banda 9 de Espadas. Produzi um disco muito legal deles.

RV – Seu novo disco é “um convite à reflexão sobre a epidemia de ódio e intolerância que assolou o Brasil nos últimos anos”. Como surgiu a necessidade de falar, através da música, sobre os tempos sombrios que vivemos?
DL – Naturalmente. Canto as coisas que me afligem e me encantam. Essa é a parte que me aflige. Ver as pessoas caminhando para uma encruzilhada onde todos perdem. Perder a sanidade e o respeito não é bom pra ninguém.

RV – Você acredita que a música precisa voltar a ser mais política?
DL – Não gosto do engajamento da arte. Acho triste a arte estar a serviço de qualquer coisa, mas há momentos em que a política, ou o que seja, tem impacto muito forte na vida do artista. E é natural que isso se reflita em seu trabalho.

RV – E quem vive da cena cultural? Acha que precisa se posicionar mais politicamente? Afinal, a cultura vem sofrendo duros golpes no que diz respeito a financiamentos e também por parte da opinião pública, como críticos da Lei Rouanet, por exemplo.
DL – Com tantos retrocessos e intolerância todos nós nos vemos obrigados a sair da nossa zona de conforto para defender o que achamos certo.

RV – E já que disco fala sobre epidemia de ódio, a contracapa do seu disco, em que aparece parcialmente nu, gerou algum burburinho?
DL – Acho que está tão coerente a granada explodindo pétalas em cima de alguém absolutamente desarmado e vestido apenas com sua música, que não vejo a nudez como algo isolado.

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