Conheça o primeiro salão de beleza ecológico de Santa Catarina

Salão natural, orgânico e vegano fica na lagoa da Conceição, em Florianópolis

Ecosalão fica na Lagoa da Conceição (Fotos: Tiago Ghizoni)

“Nossa missão é promover a beleza integral — física, mental e espiritual. Acho que temos que nos cuidar como um todo. É uma beleza que a gente expressa, não uma beleza que a gente imprime”. Foi com esse propósito que há quase um ano e meio Janine Schmitz, gaúcha radicada em Santa Catarina, resolveu colocar em prática a concepção do primeiro salão natural, orgânico e vegano do Estado.

Idealizadora do projeto, Janine começou o negócio com um crowdfunding. À frente de uma distribuidora de produtos de higiene e beleza minimamente poluentes, ela viu no ecosalão a oportunidade de difundir ainda mais sua preocupação com o meio ambiente.

— A gente fez um financiamento coletivo, em que precisávamos algo em torno de R$ 14 mil, mas conseguimos só R$ 1,5 mil. Eu pensei: “a gente vai conseguir, vamos atendendo”. A primeira coisa que fizemos foi colocar o lavatório do lado do banheiro e puxar uma mangueirinha. Algumas pessoas vieram mesmo desse jeito, e assim as coisas foram evoluindo e a gente está aqui. Agora temos um fluxo maior de clientes e profissionais comprometidos, mas no início foi mais demorado — recorda a empreendedora.

Formada em Turismo, Janine sempre se preocupou com as questões ambientais. Há 20 anos, ela se tornou vegetariana.

— Eu brinco que eu sou ecologista desde criança, sempre me preocupei muito com as questões da Amazônia e tudo mais. Eu me formei em Turismo e ficava pensando que eu poderia fazer mais coisas pelo mundo. Eu queria deixar o mundo melhor. E como eu gosto muito dessa questão de se cuidar, de terapias e de beleza, então pensei em fazer tudo de uma forma não poluente.

O salão funciona em uma casa na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e tem todos os serviços de um salão tradicional, além de oferecer terapias alternativas como reiki, diagnóstico ayurvédico, florais, reflexologia, entre outros. Os preços estão na mesma faixa de um salão comum.

— Temos todos os serviços de um salão de beleza convencional, inclusive coloração e descoloração para fazer mechas, depilação vegana, corte de cabelo à seco, todos os serviços, só que na versão ecológica — esclarece Janine.

Idealizadora do ecosalão Janine Schimtz

O espaço também oferece cursos, oficinas e treinamentos relacionados à beleza integral, consumo consciente e sustentabilidade para profissionais da área, bem como pessoas interessadas em geral.

A preocupação nos serviços é poluir minimamente o meio ambiente e consequentemente todo o ecossistema.

— Quando cuidamos da água também estamos cuidando da gente — comenta Janine, ressaltando a importância de trabalhar com produtos biodegradáveis.

ecosalão

Maquiagem feita de argila

A maquiagem utilizada pela profissional Dyane Belmonte é feita 98% de argila. Pó facial, blush, sombras, todos são produzidos de forma natural por uma marca catarinense. De acordo com a maquiadora, atualmente a linha de produtos já atende as necessidades para uma produção noturna e diurna, mas ela reconhece que o Brasil ainda tem uma produção muito limitada de produtos com esse propósito.

— A natureza tem sua própria inteligência. Esses produtos têm uma performance diferente. São mais que somente embelezar, são também um tratamento para a pele — ressalta Dyane.

90% dos produtos utilizados no salão são naturais e certificados pelo IBD e Ecocerte.

A preocupação do ecosalão está do começo ao fim de todos os processos. Embalagens são reaproveitadas, restos de cabelos são entregues para uma artistas plástica baiana, Andreza Pires, e mechas maiores são entregues no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) para confecção de perucas. Até mesmo pequenos pedaços de metal, como clipes, grampos que prendem caixas e embalagens são entregues para artistas que desenvolvem trabalhos com resina.

Resíduos orgânicos produzidos no salão recebem a destinação adequada. Na parte externa do estabelecimento, uma composteira recebe casca de frutas e restos de comidas que viram adubo para as plantas do jardim.

Confira a entrevista com Janine Schmitz:

Leia também:

Restaurante de Santa Catarina é o primeiro do Brasil a receber o certificado Lixo Zero

Artesã de Florianópolis é reconhecida internacionalmente com projeto de reciclagem de rede de pesca