Em SC, João Barone, dos Paralamas do Sucesso, fala sobre livro em que conta histórias de guerra

"1942 — O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida",ganhou nova edição no ano passado e conta histórias de brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial, entre eles catarinenses

Foto: Felipe Carneiro

Ele já está acostumado com noites de autógrafos, mas dessa vez não foi em um fim de show. João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, esteve em Florianópolis para um bate-papo em que falou sobre seu livro 1942 — O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida, lançado em 2013 e que ganhou uma nova edição no ano passado. A obra conta histórias de brasileiros que participaram da Segunda Guerra Mundial, entre eles catarinenses.

O livro é inspirado na experiência de vida do pai de Barone, que não era militar, mas foi convocado para ir para a guerra pela Força Expedicionária Brasileira.

— Meu pai era da classe média emergente do Brasil nos anos 1940. Era servidor público, falava inglês, e sabia porque a gente estava indo para guerra, coisa que muitos brasileiros não sabiam, principalmente os mais humildes — comenta o músico.

A principal inquietação de João Barone é a falta de informação sobre a participação dos brasileiros no conflito. Apesar de ter crescido com a imagem do pai — “aquela figura heroica dos filmes de guerra que a gente via nos anos 1960” — o livro não faz essa referência.

— Ele era esse símbolo do herói silencioso. Ele nunca glamorizou, sempre falava da coisa horrível da guerra, que ele viu muita gente sofrendo, destruição, a morte, o cheiro da morte. Ele contava isso para a gente, para dar uma dimensão de que não foi uma brincadeira. Cresci com esse assunto em casa, então não deixa de ser uma homenagem a ele, mas é uma tentativa de manter isso vivo e, aproveitando a minha exposição como artista e como músico, eu achei que poderia ser oportuno lembrar que o Brasil também participou da Segunda Guerra e que nós fomos lá lutar por democracia, pela liberdade.

Foto: Felipe Carneiro

Catarinenses na história

O livro conta mais do que a história do pai de Barone e traz uma pesquisa intensa sobre a participação dos brasileiros no conflito.

— Como é que o Brasil, um país de quarto mundo nos anos 1940, foi participar da Segunda Guerra Mundial, e foi o único país da América Latina a mandar tropas para a Europa para lutar? Não foi pouca coisa, foi um esforço incrível e que nós temos que saber colocar numa perspectiva histórica legal.

Segundo Barone, o texto é escrito numa tentativa de “tornar o assunto meio pop”, inspirado nas produções de outros escritores como Eduardo Bueno, no historiador Pedro Dória e no jornalista Jennie Bond.

Durante as pesquisas, Barone se deparou com relatos de catarinenses que fez questão de destacar.

— Tem uma história muito pitoresca de uma família de Jaraguá do Sul, que um dos filhos se alistou na marinha americana e foi para a guerra, e aqui ficaram muito tempo sem receber notícias dele. Então outro filho resolveu se alistar no exército brasileiro para ir atrás do irmão, numa história que termina em desencontro. Mas, na Europa, o catarinense acabou conhecendo um conterrâneo, descendente de alemão, que estava como prisioneiro brasileiro, justamente porque estava lutando pelo exército alemão. Imagina, esse mundo tem cada enredo que a gente não acredita.

Sem entregar mais nenhum trecho do livro, Barone afirma que a história traz curiosidades sobre esses encontros e desencontros no período da guerra, pelo qual se diz entusiasta e apaixonado. Além deste livro, ele também assina A Minha Segunda Guerra, de 2009, e tem participação na produção de dois documentários, O Caminho dos Heróis e Um Brasileiro no Dia D, tudo resultado do interesse pelas memórias pouco compartilhadas pelo pai, ex-combatente que lutou para libertar o povo italiano da dominação nazifascista.

Leia também:

Comemorando 35 anos de Paralamas do Sucesso, João Barone afirma: “A nossa união é a nossa vida”

Compre livros com descontos nas livrarias parceiras do Clube NSC