Empoderadas e empreendedoras: mulheres se unem para adquirir independência financeira

Inspirando umas as outras elas cada vez mais se destacam no mundo dos negócios

Foto: Tiago Ghizoni

Empoderamento feminino é uma das expressões mais utilizadas nos últimos tempos. Seria reflexo do novo perfil de mulheres que chegam a fase adulta cheias de planos e sonhos? Pode ser! Segundo uma pesquisa internacional realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (2017-2018), o Brasil é um dos países com mais mulheres empreendedoras no mundo. As brasileiras se destacam em áreas como a prestação de serviços e a liderança de pequenas e médias empresas.

Acredita-se que a expansão da veia empreendedora feminina fez com que as mulheres adquirissem mais independência financeira, fortalecendo as redes de apoio e gerando empoderamento.

– Quando uma mulher se destaca, serve de inspiração e exemplo para outras seguirem o mesmo caminho. Por isso criamos o Programa Sebrae Delas, que é um time de mulheres. É feito apenas por mulheres e para elas – explica Marina Barbieri, coordenadora do projeto lançado recentemente em Florianópolis e que tem como principal objetivo o empoderamento de negócios liderados por mulheres por meio de um Circuito de
Empreendedorismo.

 

Troca de experiências

Independente da fase em que se encontra o negócio, se ainda um projeto embrionário ou uma empresa estruturada, a troca de experiências é rica e serve de inspiração. É o caso de Camila Vione, 36 anos. Formada em direito, a empresária está a frente de um coworking familiar para pais e filhos localizado na Capital, pioneiro no segmento.

– Em 2017, minha sócia Fernanda virou mãe e, após o nascimento do filho, não via mais sentido em continuar na vida acadêmica. Ela queria empreender em algo que fizesse sentido para a sua nova vida ao lado do filho. Foi então que eu e a Lucieli, nossa outra sócia, decidimos nos unir a Fernanda e criamos o projeto do coworking, que nos permite estar perto das crianças unindo nossos propósitos de vida – conta Camila.

A ideia inicial era de ser um espaço apenas para as mães, porém os pais foram se inserindo aos poucos e participando da rotina do local. As três sócias sonham em ir ainda mais longe e se tornar uma referência para mães empreendedoras de todo o país.

 

Muito estudo para se estruturar

Foto: Marlon da Silva/Divulgação

Ana Carolina Silva, 35 anos, reflete muito bem a vontade de empoderamento que as mulheres vivem atualmente. Formada em administração e pós-graduada em contabilidade e direito tributário, decidiu mudar de rota e se aventurar no universo da beleza e conta que se apaixonou.

– Me encantei pelo conceito de esmalteria e encontrei o meu lugar no mundo. Comecei a trabalhar muito jovem e depois de tanto tempo no setor financeiro decidi empreender em uma área nova. Apostei em uma franquia e me decepcionei. Estudei e estruturei a minha própria marca e em junho de 2019 reinaugurei a esmalteria agora com o meu nome, minha identidade – conta.

A empresária descobriu que o empreendedorismo é o que a motiva, tanto que criou a empresa estruturada para ser uma franquia e o primeiro franqueado deve abrir sua unidade em setembro.

– Acredito no poder de transformação que as mulheres têm, seja nas empresas, na família ou na sociedade. Uma mulher empoderada leva outras junto. Nós somos ousadas, criativas e corajosas e estamos mostrando que existe uma nova forma de empreender, mais humana, flexível e dinâmica – acrescenta.

Saiba mais:

De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor sobre empreendedorismo feminino (2017-2018):

– A igualdade de gênero é a mais alta na região da América Latina e do Caribe, com 8 mulheres empresárias para cada 10 homens. É a mais baixa na Europa, com 6 mulheres para cada 10 empresários do sexo masculino.

– Os níveis de empreendedorismo feminino diminuem, à medida que o nível de desenvolvimento econômico melhora. Os índices são mais altos entre as mulheres das economias em desenvolvimento (13,3%) e mais baixos nas economias desenvolvidas (7%).

– As mulheres são 28% mais propensas que os homens a se motivarem pela necessidade nas economias em desenvolvimento. Enquanto a participação feminina no empreendedorismo é a menor dentre as economias impulsionadas pela inovação, em média, as mulheres são apenas 19% mais propensas do que os homens a serem motivadas pela necessidade.

 

Como tirar a minha ideia do papel?

Foto: Divulgação

A advogada Flávia Fiorenza, 39 anos, atuou por 14 anos na sua área de formação, porém nos últimos cinco não pensava em outra coisa a não ser em empreender. Com o passar dos anos ela começou a perceber que havia uma inquietação com relação a rotina de trabalho e notou que se sentia mais feliz quando estava se relacionando com pessoas, buscando novas experiências, conhecendo novos lugares.

– Com o tempo meu lado criativo passou a falar mais alto, sufoquei até o ponto de ter coragem para admitir que não estava feliz com a minha profissão – admite.

Foi então que decidiu planejar um negócio próprio. Flávia quer investir em um
e-commerce de cafés especiais e acessórios, sonha com um espaço para servir cafés e vinhos tão aconchegante que o cliente irá se sentir como se estivesse na sala de casa.

– Tenho medo que a realidade como empreendedora seja completamente diferente do que imagino, de que apenas eu veja a minha ideia como um negócio rentável e viável. Por isso é importante um apoio para administrar e identificar os eventuais pontos que necessitem de adaptação até as ideias saírem do papel – comenta.

Quem, assim como a Flávia, deseja apostar em uma carreira empreendedora, deve seguir alguns passos importantes. Fique atento nas dicas abaixo:

Conheça o mercado: Estude a área em que deseja atuar, pesquise e converse com pessoas que trabalham no segmento, analise os prós e os contras.

Defina o investimento: Planeje bem, pois nem sempre o retorno financeiro é imediato. É necessário ter reservas para garantir as despesas.

Faça um plano de negócios: Coloque no papel tudo sobre o negócio: local, se haverá e-commerce, site, como serão as redes sociais, horário de funcionamento, número de colaboradores, quem fará o financeiro, como será a decoração.

Resolva as pendências burocráticas: Consulte um advogado ou contador – ou ambos – para auxiliar com a documentação necessária.

Se você quer trocar ideias e ficar mais seguro, pode procurar pelo serviço do Sebrae, que disponibiliza atendimento com consultores que irão auxiliar no planejamento e construção do negócio e ajudar a dar entrada na formalização do microempreendedor individual ou pequena empresa, caso necessário.

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