Endometriose: entenda a doença que afeta a fertilidade e a vida sexual das mulheres

Foto Divulgação

Hoje, vou dedicar a coluna para falar sobre o Março Amarelo – mês dedicado mundialmente a conscientização sobre endometriose. A importância da doença é dada pela grande quantidade de mulheres afetadas. A fertilidade, vida sexual, enfim, a qualidade de vida das mulheres é abalada.

A endometriose é uma doença crônica, caracterizada pela presença de tecido endometriótico fora da cavidade uterina – o endométrio é a camada mais interna do útero, que descama a cada mês, repercutindo na menstruação. A teoria mais aceita sobre a origem da doença é justamente um fluxo retrógrado a cada menstruação, levando esse endométrio para a cavidade abdominal.

Não para por aí. Existe uma contribuição genética, imunológica e hormonal capaz de contribuir para a formação e o desenvolvimento dos focos de endometriose, demonstrando o caráter multifatorial da doença.

Esse tecido ectópico produz uma intensa reação inflamatória, provocando aderências e graus diferentes de distorções anatômicas. Além disso, provoca uma diminuição da captação do óvulo, interferência do transporte do óvulo por alteração na motilidade tubária e interferência com a própria fertilização, por ser capaz de alterar o espermatozoide
e a implantação do óvulo.

Diante disso, além dos sintomas comumente sabidos de endometriose – cólica menstrual, aumento do fluxo menstrual, dor na relação sexual –, a infertilidade ocupa um papel de destaque. É função do ginecologista avaliar e investigar pacientes com sintomas sugestivos da doença, a fim de não apenas amenizar o sintoma, mas também orientar o futuro reprodutivo dessa mulher. Ainda assim, existirão pacientes assintomáticas, que só descobrirão a doença ou por uma cirurgia abdominal por outra causa (achado de exame) ou pelo diagnóstico de infertilidade.

Apesar do auxílio do exame físico, exames laboratoriais e de imagem como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética, o diagnóstico definitivo depende da biópsia da lesão, mesmo não sendo sempre indicada e ficando restrito a dúvidas diagnósticas. Dependendo do grau, dos sintomas e do desejo reprodutivo, o tratamento
indicado pode ser diferente.

É importante dizer que nem toda cólica menstrual é igual a endometriose e, muito menos, que qualquer mulher com cólica deve fazer ressonância magnética ou cirurgia diagnóstica. Manter a avaliação ginecológica de rotina deve ser passível de suspeita diagnóstica e, então, investigação e tratamento.

Endometriose: conheça três mulheres que venceram a doença e se tornaram mães

Qual a idade limite para engravidar?

DIU Mirena ou de cobre? Saiba quais são as vantagens e desvantagens e tire suas dúvidas