Entrevista! Alexandre Herchcovitch lança coleção plus size em parceria com marca de Joinville

alexandre herchcovitch - plus size

Alexandre com a modelo francesa Clémentine Desseaux, que veste um dos modelos da coleção – Foto Divulgação

Por Thamires Tancredi

Não há dúvida que o mercado plus size vem evoluindo. A passos ainda curtos, é verdade, mas é fato que mais e mais marcas do segmento estão, finalmente, dando ouvidos às necessidades do público GG. Havia, porém, uma grande dívida do mundo fashion com as garotas curvilíneas: nenhum estilista nacional de peso havia criado uma coleção para quem veste mais do que 46. Até agora.

Um dos maiores criadores do Brasil, Alexandre Herchcovitch acaba de assinar sua primeira linha plus size – como a gente adiantou aqui no blog. Resultado de uma parceria com uma marca de Joinville, a coleção chega às lojas em novembro e vem recheadíssima. São 45 peças com opções que vão do dia à noite: de moletom a vestido de festa, Herchcovitch propõe um guarda-roupa completo, repleto de alfaiataria e brilho. Vai além: pelos spoilers que já conferimos, traz vestidos ajustados, paetês, cores e estampas. Tudo o que uma mulher que gosta de moda e tendências pensaria em usar, seja ela gordinha ou não. 

Durante sua passagem por Porto Alegre neste mês, o estilista conversou com exclusividade com Donna sobre sua estreia com modelagens plus.

– Fiquei muito feliz em fazer. Achei a iniciativa de me convidarem muito visionária – conta. – As vendas estão indo superbem. A coleção foi muito bem aceita, e é uma grande novidade.

A seguir, veja os melhores momentos do papo com Herchcovitch sobre a coleção e o mercado plus size.

Qual a importância de um estilista como você assinar uma linha plus size?
O mercado de tamanhos maiores ficou esquecido por muito tempo, e as pessoas tendo de se virar com o que tinham. Muita coisa sem estilo definido. As pessoas sem poder se expressar através da roupa, ou usar a roupa que queriam… Eu sei exatamente o que é. Quando eu era adolescente, tinha problemas não com tamanhos, mas não encontrava o que eu queria. Então comecei a fazer. Foi um marco. Outras empresas plus size vão correr atrás para trazer novidades. Outros estilistas que, de repente, nunca pensaram em fazer (linhas plus size) ou nunca quiseram podem fazer. Porque você se aventura em um mercado que não domina. Quem tem a ganhar é o consumidor.

E como está a repercussão?
Demais, demais! As pessoas me escrevem, me mandam mensagens: “Só podia ser você o primeiro a assinar”. As pessoas estão muito felizes! Eu adorei. Espero que continue com outras coleções.

E o que você pode contar da linha?
É uma linha que tem desde jeans até roupa de festa. Tem camiseta, moletom, calça, macacão, body, tem tudo! Roupa para o dia a dia, festa, longos, curtos… É um guarda-roupa bem completo. Hoje falei com um dos diretores e ele me disse que as lojas estão comprando a linha inteira. Eles ficaram muito surpresos com a minha interpretação. Não tem uma referência, um tema. São clássicos que eu gosto. Tem muita alfaiataria, inspiração em smoking. Roupas muito chiques para a mulher.

Como foi para você criar para a mulher plus size?
Foi a mesma coisa! Eu não pensei de modo diferente, pensei da mesma maneira. Existem algumas questões técnicas que são as ampliações dos tamanhos e as proporções, que eu fui aprendendo e entendo o que o mercado gosta. Muita gente pensa que a mulher plus size quer usar roupa larga para esconder. Mas é ao contrário, ela quer usar roupa justa, a mesma roupa (que as mulheres de manequins menores), mostrar que está tudo bem com o corpo dela e com ela mesma. Não teve uma grande mudança na minha maneira de pensar. Eu pensei no público mesmo.

 

E existe alguma possibilidade de, na À La Garçonne, por exemplo, vocês trazerem tamanhos maiores?
É possível. Mas hoje temos muitas coisas oversized na ALG, que cabem em qualquer pessoa. Fica largo em mim, que sou tamanho 52, 54. Nossa numeração é bem estendida, vai até XXL e ainda fica bem largo. Então não é que privilegie a todos, tem do XP até XXL. Mas eu sei que plus size é mais específico, porque são tamanhos bem maiores do que isso que estou falando… Até mais de 60. Quem sabe a gente pode se enveredar?

E essa não nominação pode ser algo para o resto do mercado?
O que eu acho, no geral, é que o mercado plus size vai ganhar muito com isso. Tanto o consumidor quanto as próprias marcas, que não sabem que as mulheres (maiores) querem se vestir também. Eles têm uma ideia de que precisa ser algo muito diferente do que as mulheres que não são plus size, mas não é. É a mesma coisa, mas precisa ser maior. Ela quer também a tendência, só precisa fazer um pouquinho maior. Só isso.

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