Conheça o trabalho ativista e inspirador da artista catarinense Camila Rosa

Artista se destaca com ilustrações empoderadas. Foto: Arquivo pessoal

Camila Rosa é uma das ilustradoras que mais vem se destacando, com um traço cheio de identidade e pautado em temas como feminismo e veganismo. Nascida em Joinville, a artista de 29 anos está de volta à cidade (pelo menos temporariamente) após passar um ano e meio em Nova Iorque. E ela já “chegou chegando” – por aqui, foi a única mulher entre os quatro artistas responsáveis por criar a arte de uma lata colecionável e limitada da nova camisa da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, além de ter assinado uma campanha para o novo batom da linha Intense de O Boticário, em parceria com a cantora Anitta. Vale a pena ficar de olho!

Como o desenho e a ilustração entraram na sua vida?

De forma mais intensa, foi por meio do Coletivo Chá – um coletivo de street art que eu faço parte com mais quatro amigas e que nasceu em Joinville, em 2010. Passei a desenhar com frequência porque nós fazíamos lambe-lambe para colar pelas ruas, e depois de um tempo acabamos fazendo alguns trabalhos comissionados e eu tive que me dedicar mais à ilustração. E foi a partir dessa necessidade que eu descobri que eu gostava muito disso e que gostaria que fosse a minha profissão.

E como virou seu trabalho de fato? Você vive hoje exclusivamente disso?

Eu acredito que foram vários fatores, mas foi essencial para mim ter um tempo para me dedicar exclusivamente à ilustração para poder consolidar meu estilo. Isso acabou acontecendo em 2016. Antes disso, eu sempre tive que conciliar trabalho integral com ilustração nas horas vagas, e sentia que eu acabava não evoluindo muito. Hoje eu vivo exclusivamente da ilustração, mas ainda é um meio inseguro e todo mês é um desafio. Tenho um longo caminho antes de me sentir totalmente segura em relação a isso, mas é questão de tempo e experiência.

Você morou um tempo nos EUA. Acompanhei pelas redes sociais que você participou de vários projetos legais por lá, né?

Sim. Ilustrei a minha primeira revista, a BUST Magazine, que é uma revista feminista na qual eu tinha muita vontade de estar. Foi incrível e me abriu caminhos por lá e no Brasil. Outro trabalho que eu gosto muito foram três ilustrações que fiz para a Refinery29 (um portal de lifestyle focado em jovens mulheres). Elas me chamaram para ilustrar sobre o Mês da Diversidade e sobre amor ao próprio corpo. Foi uma grande oportunidade e era um dos meus objetivos quando cheguei por lá. E por último, ter sido uma das 50 artistas escolhidas para fazer parte da exposição itinerante produzida pela Amplifier.org, site dedicado a apoiar artistas que tenham um trabalho político. A exposição Hear Our Voice foi o resultado de um concurso produzido por eles e pela organização da Women’s March. Dentre cinco mil inscritos, eles escolheram 50 para fazer parte da exposição que rodou por alguns lugares dos EUA, e o meu cartaz foi um deles!


No seu trabalho, há bastantes mensagens sobre o feminismo, veganismo… são temas que sempre estiveram na sua vida?

Sim, meu envolvimento com feminismo e veganismo começou na adolescência. Com 13, 14 anos eu comecei a frequentar shows de hardcore e punk, e foi onde eu ouvi pela primeira vez sobre diversos temas como feminismo, veganismo, homofobia, racismo. Aconteciam debates entre shows que falavam sobre isso, existiam outros que também abordavam esses e outros temas. Foi o início de tudo e foi como eu aprendi muita coisa que faz parte da minha vida até hoje. Depois que você aprende, não tem como voltar atrás.

Agora de volta ao Brasil, você já fez trabalhos de destaque para marcas como O Boticário e para a Nike. Como que rolaram esses convites?

Para O Boticário, foi um trabalho para o lançamento do novo batom da linha Intense, chamado 330 loucuras. A Anitta é a atual porta voz da linha, então eles mesclaram o lançamento do clipe novo dela (de Indecente) com o lançamento do batom, e eu criei o conceito visual da campanha digital. Curti muito, apesar de toda a loucura que foi, porque fizemos acontecer tudo de um dia para o outro e isso foi um desafio, tecnicamente e emocionalmente. Já para a Nike, o tema era Brasileiragem, um conceito que resume a união entre o futebol e o amor dos brasileiros pelo esporte. Foi uma lata para a nova camisa da Seleção, com edição limitada de 1,5 mil unidades para cada um dos quatro artistas convidados, que ficou à venda durante 72h. Foi muito legal porque é mais uma consolidação do meu trabalho, a gente sempre espera poder fazer parte de projetos incríveis. E também pude experimentar novas linhas visuais, sair da minha zona de conforto.

Lata assinada por Camila Rosa
E você já curtia futebol ou foi um tema novo para você?

Eu curto muito futebol, ia muito ao estádio quando ainda morava em Joinville, acompanhava o meu time que é daqui, o JEC. Então foi incrível para mim poder colocar todo esse amor dentro desse projeto, e mostrar uma outra perspectiva sobre o olhar da mulher em relação ao futebol e a ser torcedora.

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