“As pessoas procuram a medida que não é a delas”, diz Fernando Rocha, que lança livro em SC

Nesta entrevista, Fernando Rocha fala sobre dietas e outros desafios

Fernando Rocha
Foto: Ramón Vasconcelos/TV Globo

Jornalista e apresentador do programa Bem Estar, transmitido pela NSC TV, Fernando Rocha define seu primeiro livro, Na medida do possível, como um “não manual para uma vida saudável e feliz”. Ele lança o título amanhã em Florianópolis.

Ao longo das 150 páginas da obra, Rocha não impõe regras ou dá dicas de dietas da moda, muito menos tenta doutrinar seu leitor. Com muito bom humor, linguagem coloquial e uma prosa que cria empatia imediata com quem está lendo, o mineiro fã da costelinha frita da mãe, de pão de queijo e de cerveja de garrafa, abre o jogo em uma conversa franca sobre o esforço para emagrecer, a depressão, e suas experiências na Dança dos Famosos e na corrida São Silvestre. Nesta entrevista, ele fala mais sobre o livro.

Você classifica o Na medida do possível como um não manual. Você não acredita que existem fórmulas mágicas para uma vida feliz e saudável?

Na verdade é uma brincadeira com esses cursos de escrita criativa. Não existe um manual porque cada um tem seu jeito de vida, o seu próprio metabolismo, e até de encarar a vida, de ser feliz e de ser triste. Na verdade, assim como não existe esse manual, não existe uma pessoa igual a outra. Cada um tem o seu jeito, cada um tem sua medida, cada um tem sua fita métrica. A capa do livro traz uma fita métrica, fazendo uma alusão clara a isso. Eu tento mostra isso, que regimes existem com essa finalidade. Eles têm um prazo determinado, mas isso não é vida real. Você vai fazer regime, vai atingir seu objetivo e depois a sua vida vai seguir. A obesidade é uma epidemia, hoje são mais de 230 tipos diferentes de obesidade, então, se existem tantos tipos, como a gente vai tratar essa doença com um único tipo determinado de dieta?

Com a chegada do verão, as pessoas começam a buscar dietas para entrar em forma de maneira rápida. Para você, que perdeu 20 quilos em dois meses, como foi o processo?

De forma nenhuma foi uma pressão da emissora. O programa começou a ser arquitetado dois anos antes de ir para o ar e eu já era o apresentador, e já era gordinho. Em nenhum momento houve nenhuma referência ao meu peso. Tive total liberdade para seguir desse jeito. Mas falando de saúde e qualidade de vida todas as manhãs, é claro que isso passou a me incomodar, mas a ponto de me fazer um regime. Eu jamais faria um regime que não coubesse na minha rotina, eu achava uma coisa ridícula. Aquela coisa de “coma uma torrada com chá pela manhã”, para mim, é bastante ridícula. Não tinha disciplina para isso, quando na verdade a coisa mais importante de tudo era a disciplina. Achar a chave que abre de dentro para fora. Eu preciso entender e precisava querer abrir essa porta da mudança. Apareceu uma oportunidade de fazer uma reportagem com clínicas especializadas em programas com poucas calóricas. A gente queria fazer isso no programa. Estávamos em uma reunião de pauta, olharam para mim e falaram: “e aí, Fernando, você topa?”. A gente pensou em fazer isso escondido, mas eu logo pensei: escondido, não dá. Vamos fazer na boa. As pessoas duvidaram. Eu respondi: “consigo sim!”. Eu gosto do desafio. Eu já tinha corrido a São Silvestre com 115 quilos, já tinha aprendido a correr e não tinha conseguido emagrecer, porque eu ligava a chave da recompensa. Hoje essas coisas todas mudaram. Eu acabei de chegar de uma ultramaratona e agora faço corrida de montanhas, fiz agora uma corrida nos Alpes Suíços de 40 quilômetros. Os parâmetro mudaram. Mas, voltando, eu aceitei a proposta e começamos numa segunda-feira após o Carnaval. Eu tinha dois meses para fazer. Comecei na segunda com o veredito de que passaria os dias com 800 calorias sem passar fome, e se passasse, é porque tinha alguma coisa errada, porque regime correto, é quando a pessoa não passa fome. E teve jeito. A casa emagreceu comigo, isso foi muito importante, eu tive um apoio da minha família muito importante. É um período que você precisa de acolhimento, compreensão do amigos, dois meses que foram fantásticos e que estão descritos no livro. Virou um movimento o #afinaRocha .

Então é possível ser feliz tendo que controlar alguns prazeres da vida, como comida pesada e uma boa cerveja gelada?

Claro! Porque se não você vai viver de regime, mas entra a história da disciplina. A liberdade é a disciplina. Caso contrário vira uma bagunça, uma desordem total, que era o que eu vivia. O obeso vive uma desordem completa, que beira a insanidade. É uma doença, um descontrole total. O corpo está em desordem.

Falando em disciplina, como foi o processo de escrever o livro?

É natural que quando você passa por um processo tão vitorioso quanto esse, de perder quase 20 quilos, você quer contar isso para o mundo inteiro. Tenho o aval no prefácio do Bruno Halpern, filho do doutor Alfredo Halpern, o autor da dieta dos pontos, que infelizmente nos deixou em 2015, mas ajudou muito no programa. O Bruno fala que a manutenção do peso é, sem dúvida, a parte mais difícil do processo. Eu esperei. Eu já tinha completado a São Silvestre cinco vezes, então o processo da corrida estava muito forte em mim. Era uma história de superação, eu tinha emagrecido e estava conseguindo manter e então eu me toquei que contar seria legal, e dividir também essa coisa da manutenção, tentar colocar o esporte, a atividade física, tentar explicar como é que a manutenção desse peso se faz e explicar como é a luta diária. Tem quatro anos que eu consegui essa liberdade e esse aval. Eu fiz a Dança dos Famosos. Então são três superações interessantes: correr, emagrecer e dançar. Três coisas que as pessoas tentam e nem sempre conseguem, porque elas estão muito preocupadas com a opinião dos outros e não conseguem superar os próprios limites, virar essa chave. Estão procurando a medida que não é a delas.

Você percebe que as pessoas querem se espelhar em outras?

As pessoas colocam a expectativa muito no alto, mais alto do que é possível. Precisamos valorizar aquilo que temos. É aqui que eu consegui chegar e vibrar com as conquistas.

Você está sempre muito alegre no Bem Estar. No livro você fala de um processo de depressão. Como foi lidar com esse assunto?

Foram batalhas que eu achei importante colocar no livro, mostrar que a vida é real. Eu queria mostrar que na medida do possível você precisa lutar e ser feliz. E não é fácil não. A forma que contei não cita nomes, mas quem acompanhou sabe da depressão de um forma mais leve, mas eu saí muito machucado. Não deu certo, mas como eu me dediquei tanto àquilo, que achei que os meus leitores deveriam saber dessa história contada do meu ponto de vista. Eu me dei esse direito.

A internet não perdoa esse seu lado mais engraçado, e vez ou outra você acaba virando meme nas redes sociais. Isso te incomoda?

Não. De jeito nenhum. É uma forma de comunicação moderna, é cool e meus filhos são meus radares. São muito antenados nisso, eles acham superbacana e eu também. Eu não sei muito bem porque algumas coisas acabam virando o que viram, porque se eu soubesse eu faria mais (risos). Os meus filhos me contam que os colegas deles perguntam como eles se sentem sendo meu filho, de um um meme em pessoa.

E como é ter um filho que seguiu a sua profissão (Pedro Rocha, que trabalha em SC)?

É uma alegria muito grande. Eu diria que não sei quem é mais fã de quem. Eu sou muito coruja. A gente acabou de gravar uma reportagem sobre isso, falando até a gente se emociona e chora, porque é um orgulho muito grande. Eu fui jornalista esportivo no início da carreira e ele está brilhando aí em Santa Catarina, e isso me aproxima muito do Estado e de Chapecó, e ele está ajudando muito nessa reconstrução. É muito emocionante, muito bonita a história e eu torço muito por ele.

Serviço

Lançamento do livro Na medida do possível, de Fernando Rocha
Dia 30 de outubro, terça-feira, às 19h30min
Livraria Catarinense – Beiramar Shopping (Rua Bocaiuva, 2.468, Centro, Florianópolis)

Confira as livrarias parceiras do Clube NSC