“É o festival da diversidade”, diz diretora-artística do Isnard Azevedo

Mais de 300 artistas e técnicos são esperados para o evento que vai extrapolar os palcos: as peças também serão exibidas em praças e até salões paroquiais de comunidades

Espetáculo Kutampra faz parte da programação (Foto: Divulgação)

Uma semana de teatro por todos os cantos de Florianópolis. Começa neste sábado e vai até o dia 22 de setembro o Festival Isnard Azevedo, maior evento teatral de Santa Catarina, retomado após dois anos. Esse hiato poderia ter enfraquecido o nome do festival, que chega à 23ª edição, mas os números mostram o contrário.

Foram mais de 500 espetáculos inscritos, de todo o Brasil e da Argentina, que resultaram em 86 apresentações em locais públicos e privados da Capital catarinense. Mais de 300 artistas e técnicos são esperados para o evento que vai extrapolar os palcos: as peças também serão exibidas em praças e até salões paroquiais de comunidades. Sulanger Bavaresco, diretora artística do evento, fala sobre a expectativa para este retorno.

Sulanger Bavaresco
Sulanger Bavaresco (Foto: Ana Guimarães/Divulgação)

O festival está de volta depois de dois anos. Como será o evento este ano?

Teremos muitas apresentações teatrais, e a programação contempla as mais diversas linguagens. A gente está chamando de festival da diversidade. Porque os temas são diversos, temos teatro infantil, circo-teatro, drama, musical, comédia, solos. É um panorama teatral bem diversificado.

Este hiato de dois anos enfraqueceu o festival de alguma forma ou, pelo contrário, as pessoas estavam tão ansiosas pelo retorno que vão fortalecer o evento?

Vem bastante fortalecido. Esse hiato de dois anos deixou toda a classe artística numa grande expectativa. Recebemos manifestações de apoio de outros estados, porque o festival integra a rede de festivais internacionais, e se manifestaram como reconhecimento da importância. A gente abriu com mais de 500 inscrições. Foi bem difícil chegar à seleção final, porque tínhamos tanta qualidade de espetáculos inscritos que brincávamos entre os curadores que havia material o suficiente para realizarmos três edições em um ano só, porque são muitos bons espetáculos inscritos. A grande expectativa era realmente construir uma programação que, além de contemplar a diversidade de linguagem, estabelecesse um espaço consolidado para mostra da produção teatral catarinense. Esse ano tem a Mostra Quintais Cênicos ampliada, com a participação de muitos coletivos teatrais que vão atuar em seis espaços na cidade. Cada espaço desses vai colocar na programação seis apresentações teatrais e uma oficina. São muitos artistas e grupos de Florianópolis também envolvidos nesta programação, e isso fortalece o festival, porque a própria cidade se vê no evento. Isso consolida, dá respaldo. É um evento daqui, temos vocação para o teatro.

Além de o festival ocupar espaços já destinados às artes, também terá ações em locais públicos e nas comunidades. É uma maneira de popularizar o teatro?

Essa ação de levar para praças a gente vem desenvolvendo há alguns anos no festival, é a Cena Aberta nas Comunidades. É sempre muito bem-vinda. A gente seleciona espetáculos com características para estarem nestes espaços. E é muito interessante porque as comunidades aguardam o retorno de um espetáculo na próxima edição do festival, recebem os artistas super bem. São experiências muito lindas as comunidades recepcionando os grupos. Em um ano tivemos um grupo paulista se apresentando lá no Rio Vermelho. Passaram uma tarde lá e foi incrível, porque as pessoas da comunidade os convidavam para tomar um café em casa. É outro tipo de relação que democratiza o ato de assistir teatro. Florianópolis tem esse desenho geográfico dos bairros bastante afastados e, às vezes, as pessoas evitam esse deslocamento de ir até o Centro ver um espetáculo. Mas ter contato ali, no seu meio, desperta um novo olhar e uma vontade de ir depois aos teatros. Temos experiências de gente que nunca tinha assistido a uma peça e adorou, que pega a programação, assiste no bairro e depois decide ir no teatro, quer conhecer.

Como o festival é realizado?

Está sendo feito quase que totalmente com recursos que vêm através da Lei Rouanet. O patrocínio é fundamental, não só para o festival, mas os eventos da área artística e cultural precisam muito desse aporte financeiro para serem realizados. É uma cadeia produtiva imensa. Essas 86 atrações, mais as 16 ações formativas, significam que nós estamos envolvendo diretamente em torno de 300 artistas e técnicos diretamente, e indiretamente é muito mais, porque essas pessoas vão se hospedar em Florianópolis, vão se alimentar. É muita gente, tem um custo para o festival para tornar essa vinda à cidade uma boa recordação, e consequentemente essas pessoas mexem com a cadeia produtiva de outros setores, o turismo, o comércio.

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