“É um contraponto a esse mundo de máscaras e filtros”, diz fotógrafa Juliana Stringhini sobre a exposição Transborda

A mostra reúne cerca 40 fotos de pessoas convidadas a acessar seus sentimentos mais profundos, angústias, emoções, e chega neste fim de semana a Florianópolis

Foto: Juliana Stringhini/Divulgação

Transborda é o nome da nova exposição da fotógrafa Juliana Stringhini, que chega a Florianópolis neste fim de semana. A mostra reúne cerca 40 fotos de pessoas convidadas pela profissional a acessar seus sentimentos mais profundos, angústias, emoções. Convidadas a transbordar. A revelação desta viagem interior resultou na exposição que, depois de estrear em Joinville, chega ao Museu da Escola Catarinense (Mesc), na Capital, neste sábado, dia 4, e fica em cartaz até 30 de agosto. A visitação é gratuita.

Juliana, que também está no time de artistas da exposição Desterro Desaterro para celebrar os 70 anos do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), começou muito cedo a se interessar por fotografia. Nos Estados Unidos, graduou-se em comunicação audiovisual na International Fine Arts College, em Miami, atuou como produtora musical e assistente do fotógrafo Nick Garcia. Integra ateliês livres e faz acompanhamento de projetos com o artista e curador Scott Macleay. Focada por muito tempo na área comercial, agora cria trabalhos artísticos, como as fotos que compõem a Transborda, e revela que sempre teve interesse em acessar o ser humano por meio da fotografia.

Fotos: Juliana Stringhini/Divulgação

Nesta entrevista, ela fala sobre o processo de criação das obras que chegam a Florianópolis e do quanto também transbordou a executar o projeto. Confira:

Como foi o processo de criação dos trabalhos que compõem a exposição Transborda?

É um trabalho que eu iniciei com os olhos. Fui buscando pessoas indicadas por amigos, conhecidos, e algumas outras nas ruas. Foram dois anos e meio de processo, mas depois dessa parte dos olhos, eu acabei indo para as ruas mesmo, em Florianópolis, para abordar as pessoas e convidá-las a participar do projeto, com fotos no estúdio. Então fui para as outras fotos do busto, das costas, além dos olhos, do corpo mesmo.

Quem são as pessoas fotografadas? Onde as fotos foram feitas? Como foi feita a abordagem?

Em todas as fotos em estúdio, eu acabava me cobrindo com um pano preto, deixando o espaço mais confortável, pra pessoa se sentir mais a vontade, ter mais privacidade. Porque ela não ficava com ninguém vendo. Com cada uma tive uma conversa longa sobre o que realmente toca ela como ser humano, faz transbordar. Falando sobre isso, eles lembram muito de experiências e acabavam entrando em contato novamente com esse sentimento e transbordando. No total, eu fotografei 400 pessoas. Claro que na exposição a gente não consegue colocar todas, e nem todas se deixaram transbordar. Mas foi um número bem bacana que conseguiu entrar no sentimento.

Você também se emocionou?

Muito. Eu terminava exausta porque emocionalmente foi muito forte. Muitas pessoas, muitas histórias. E era bom eu estar atrás do pano preto, porque eu me emocionava junto e não queria influenciá-los.

Por que a escolha por esse nome?

Foi resultado daquilo que eu capturei. Eu estava em busca desse sentimento. E a partir do momento que eu comecei a fazer as fotos e percebi que pra elas se deixarem levar, tinham que reviver um momento muito forte, de transbordamento emocional. E fiquei interessada por esse momento. Era algo muito rápido, em que elas se mostravam abertas, cruas como seres humanos.

Uma obra como essa traz um debate sobre a importância de acessarmos fragilidades, expor o que está escondido, se deixar transbordar?

Com certeza. A gente tem vivido em um mundo de relações muito mais distantes, e se deixa transbordar cada vez menos em frente aos outros, compartilhando isso. Então, pra mim, foi muito legal ser testemunha disso. É um contraponto a esse mundo de máscaras e filtros.

Além das fotos, a exposição conta com outros recursos?

Tem um vídeo, as fotos e a instalação. São aproximadamente 40 fotos.

Fale um pouco de sua trajetória. Como começou seu trabalho na fotografia?

Eu me formei em comunicação audiovisual em Miami e sempre trabalhei na parte mais comercial, lá em Miami, também no Rio de Janeiro. Quando eu voltei pra Floripa, há uns 10 anos, eu abri um estúdio de fotografia na área comercial. E de um bom tempo pra cá eu comecei a me envolver realmente com fotografia multimídia, vídeoarte, o lado mais artístico e menos comercial. Mas mesmo na minha formação comercial eu estava em busca dessa verdade através da foto. Faz parte da minha busca de vida pessoal. Me interessa muito o ser humano.

Foto: Divulgação

 

SERVIÇO
O quê: Exposição Transborda, de Juliana Stringhini
Quando: 4 de agosto a 30 de agosto
Horário: de segunda a sexta das 13h às 19h
sábado: 10h às 16h
domingo: fechado
Onde: Museu da Escola Catarinense – Mesc (Rua Saldanha Marinho, 196 – Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuita

Fotos: Juliana Stringhini/Divulgação

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