“Excluir nosso ecletismo musical do chamado mercado latino é se limitar demais”, diz Luan Santana

Luan Santana
Foto: Divulgação

Luan Santana, que faz show em Biguaçu nesta sexta-feira (2), fala sobre projetos e analisa o novo momento da música sertaneja. Foto: Will Aleixo

Luan Santana volta a subir no palco do Centro de Eventos Petry, em Biguaçu. O espetáculo, que faz parte da turnê do DVD 1977, inspirado no ano conhecido por ser o da criação do Dia Internacional da Mulher pela ONU, será nesta sexta e tem 20% de desconto para sócio e acompanhante do Clube.

O cantor deu uma entrevista por e-mail para o Clube sobre projetos, ritmos latinos e sertanejo. Confira:

Acordando o Prédio foi a música mais executada no Brasil em 2017. Você já está preparando um novo hit a altura? Quais os projetos para 2018?

Fiquei imensamente feliz. Além de todos os prêmios que a canção me trouxe (Prêmio Multishow, Melhores do Ano do Faustão, Caldeirão de Ouro, Nick) comecei o ano com o pé direito com essa notícia maravilhosa. Acordando o Prédio tem uma letra ousada, mas primamos em fazer um clipe que misturasse humor para que não explorasse o apelo sexual. Gostei do resultado. Sem falar que gravar em Cuba, “pedindo emprestado” aquela alegria do povo e o colorido da Ilha, foi inesquecível. Quero continuar acordando muitos prédios em 2018 com o sucesso desta música e outras tantas até ultrapassar 2050 ou a eternidade. Estamos planejando para este ano novos projetos. Tem a ideia de um DVD em comemoração aos meus 10 anos, que comemorei em agosto passado, e também a parceria com o mercado latino.

Você tem adicionado essa pitada latina nas suas músicas mais recentes, sem citar as parcerias com artistas do gênero. Era um ritmo que você já curtia antes? Por que você acha que o Brasil demorou tanto tempo para voltar os ouvidos para o gênero?

Sabe o que penso de verdade? Eu penso que é se limitar demais excluir todo esse ecletismo musical nosso, toda essa nossa brasilidade de sons e tons, de ritmos, de danças e de cores, do chamado mercado latino ou internacional. A gente tem de começar a levantar esta bandeira: somos latino-americanos, dizia Belchior e Zé Rodrix.

A música latino-americana inclui os estilos musicais de todos os países da América Latina. Creio que tem de fazer parte do “almejado” mercado latino desde os mariates do México, a salsa de Cuba, os sons indígenas do Peru, da Bolívia e Equador, a flauta andina… E por que não as sinfonias de Villa Lobos, a Bossa Nova de Tom Jobim, a Tropicália de Caetano, o Axé de Daniela, Ivete e tantos, o Pagode do Zeca ao Thiaguinho, o Sertanejo nosso de cada dia?

Não quero me sentir na obrigação de cantar em inglês e/ou espanhol para mostrar o meu trabalho ao mundo. Mas também posso cantar para que nos ouçam. Eu quero que o mundo nos veja pelo que de tão lindo temos: a nossa música, a nossa democracia musical. O gênero, de onde bebi da fonte, que é o sertanejo, tem este dom de se unir – em perfeita harmonia – com tantos estilos como o axé, o funk e outros.

Acredito que Tom Jobim fez a Bossa Nova ganhar o mundo com o nosso sotaque e a sua talentosa arte. Roberto Carlos é mundo, é internacional, com o seu romantismo em português. Emoção não tem fronteiras. E sem parecer pretensioso, eu quero que o meu canto ecoe com a mesma força com que este Brasil abraça tantos povos e línguas.

A maioria dos hits do momento não são de um só gênero, e sim misturas de sertanejo com reggaeton, funk com axé, sertanejo com funk, etc. E você é um dos primeiros caras a se destacar com essas misturas. Como você avalia essa tendência? E como fica o sertanejo mais raiz nisso tudo?

O sertanejo tem a característica de se unir a vários gêneros e fazer uma mistura única, com gingado, como o nosso Brasil de tantos sons e tons. O Brasil é um país muito romântico. Antes falar de amor era visto como brega. Todas as classes abraçaram essa essência do romantismo sem vergonha de dizer que curte o gênero.

O sertanejo que começou com Zezé Di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó em nada difere do que os sertanejos atuais fazem hoje, exceto em acordes. Eles cantam o amor da mesma forma. É o sertanejo que fala do amor. Vivemos o romantismo, com uma nova roupagem, mas, sem perder a essência.

Luan Santana

Quando: sexta-feira (2), a partir das 21h30
Onde: Centro de Eventos Petry – Rod. BR 101, km 193, Biguaçu
Quanto: R$ 60 (pista, 1º lote).  Desconto de 20% para sócio do Clube e acompanhante para o setor pista na compra do ingresso antecipado pelo site Blueticket.

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