Beleza natural: depois de ser mãe, a editora e empresária Patrícia Lima decidiu apostar no mercado de cosméticos orgânicos

Foto: Diorgenes Pandini 

A empresária Patrícia Lima ficou conhecida no meio da moda como editora da revista Catarina, produzida em Florianópolis. Depois de dar à luz a pequena Maya, há quatro anos, ela repensou seus hábitos e decidiu criar a Simple Organic, marca de cosméticos orgânicos que foi a primeira do segmento a assinar a beleza de desfiles nas principais semanas de moda brasileiras. A gente bateu um papo em seu escritório no Centro da Capital. Confira:

Como nasceu a ideia de investir no mercado da beleza?

Quando engravidei, trabalhei até o último dia. Eu sempre fui workaholic, e na Catarina fazia livro, catálogo, e tudo que não é sustentável. E aí, num momento em que eu estava amamentando, vi minha filha colocando a mão no meu rosto com maquiagem sintética e levando na boca. Aquilo me incomodou. Deu um clique. Deixei de usar maquiagem, já não achava tão legal fazer catálogo que vai para o lixo… Não queria mais fazer parte dessa indústria que alimenta o consumo dessa maneira. Aí foram quase três anos de pesquisa. O propósito agora é totalmente diferente. O que estou fazendo hoje, minha filha e as próximas gerações vão ganhar mais pra frente.

Mudou sua rotina e seus hábitos?

Tudo. A alimentação está diferente lá em casa. Além do orgânico, a gente vem em um processo de vegetarianismo. Mudou o processo de descarte do lixo. Achei que ia trabalhar menos, queria ter uma vida slow. Mas, na verdade, desde que a gente lançou a marca foi um sucesso muito grande. O fato de ser slow não quer dizer que a gente não queira lançar tendência. É slow no processo de respeitar a cadeia, de ser certificado, rastreado. ter selo. Mas a gente quer estar na fashion week, e isso gera um trabalho muito grande.

Veja como foi a conversa:

Como que a marca foi recebida nesse meio da moda, dominado por grandes grifes?

O consumidor estava procurando por isso. Existia beleza natural, mas não era tão desejada. A gente lançou no São Paulo Fashion Week e foi quando todo o mercado da moda falou: nossa, existe isso. Porque a beleza orgânica e sustentável é muito nichada ainda, coisa de natureba. A gente quis mostrar que o natureba é legal. Continua sendo desafiador. Em um desfile, por exemplo, tinha dois pigmentos, um nosso e um sintético de uma marca grande, e a maquiadora foi direto no outro.

O que caracteriza o movimento slow beauty?

O consumo consciente. Comprar o que precisa, e não por impulso. E todo o processo tem que ser transparente. Isso é o slow beauty. A nossa água de pitanga, por exemplo, vem diretamente da extração e destilação da folha e do caule da planta. Tem que respeitar o tempo da colheita da pitanga, não vai ter o ano todo. É de uma fazenda orgânica pequena, a uma hora e meia de Florianópolis. É um lugar lindo e um processo muito simples. Isso vem no contraponto das grandes indústrias. Eu descobri esse conceito na Califórnia. Lá, as marcas de beleza naturais são maravilhosas e com fórmulas muito simples. Quis trazer isso.

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