Slash fala sobre show em Florianópolis e dá pistas sobre novo álbum do Guns N’ Roses

Nesta entrevista, consagrado guitarrista analisa o cenário musical e a turnê que chega neste mês ao Estado

Slash (Foto: Felix Zucco/ Agência RBS)

Dez minutos no telefone com Slash. Era tudo que tínhamos para falar sobre a turnê que passa pelo Brasil e chega a Florianópolis no dia 22 de maio. O guitarrista ficou consagrado por sua atuação nas bandas Guns N’ Roses e Velvet Revolver. Em 2010, lançou seu primeiro álbum solo — não tão solo assim: contou com grandes nomes da música como Ozzy Osbourne, Lemmy e Iggy Pop, e outras parcerias inusitadas, como Fergie e Adam Levine. O resultado foi um sucesso, que motivou outros três discos agora assinados com a banda Myles Kennedy & The Conspirators. É o novo trabalho, Living the Dream, que Slash traz a Santa Catarina. Nesta entrevista, ele fala sobre o show, analisa o cenário musical e dá pistas sobre o próximo álbum do Guns, que contará com sua guitarra clássica.

Você já tocou no Brasil algumas vezes, tanto com o Guns’n Roses quanto na carreira solo. O que vem à sua cabeça quando pensa nos fãs brasileiros?

Eu sempre fico muito animado quando penso no Brasil e nos fãs brasileiros, porque eles são muito entusiasmados, muito apaixonados pela música. Eu já toquei muitas vezes no Brasil, acho que a primeira foi no final dos anos 1980 [na verdade, a primeira vez que o Guns N’ Roses tocou por aqui foi em 1991, no Rock In Rio II], mas eu sempre fico ansioso e empolgado quando sei que vou tocar aí, porque a audiência é incrível.

Você nunca fez show em Santa Catarina. Já esteve aqui alguma vez? Sabe alguma coisa sobre o estado e Florianópolis?

É a primeira vez que vou aí. Eu não sei muito sobre o Estado ou a cidade, mas isso me deixa ainda mais empolgado para conhecer! [risos] É uma pena que nós vamos fazer muitos shows em um curto período de tempo na turnê sul-americana, então acho que não vamos ter muito tempo para explorar. É algo que eu gosto de fazer quando temos a chance.

Como será o setlist do show? O público vai ouvir músicas mais antigas ou a apresentação será focada no último álbum, Living the Dream?

Nós botamos muito material desse disco, simplesmente porque ele fez muito sucesso, é realmente popular entre os fãs. Claro, também há algumas músicas dos dois álbuns anteriores a esse [World on Fire, de 2014, e Apocalyptic Love, de 2012; os dois assinados com a banda Myles Kennedy & The Conspirators]; até mesmo alguma coisa do meu primeiro disco solo [Slash, de 2010]. Também costumamos tocar algumas faixas do Guns N’ Roses. Mas eu diria que 95% das músicas vêm de Living the Dream.

Quando esse álbum foi lançado, em um primeiro momento, as pessoas associaram o título – vivendo o sonho, em português – com a sua vida especificamente, algo como “Slash está vivendo seus sonhos, fazendo turnês mundiais com sua própria banda”. Mas você já declarou que, na verdade, há uma ironia por trás do nome. A que esse título se refere?

O título do álbum foi motivado pela situação política atual nos Estados Unidos – ou no mundo todo, se você parar para pensar. Foi meu jeito de fazer um pequeno manifesto a respeito dos tempos que estamos vivendo. Claro, se você quiser pensar nele dessa maneira positiva, eu acho que poderia mesmo se aplicar à minha vida [risos], mas não foi isso que inspirou o título em um primeiro momento.

Como é trabalhar com Myles Kennedy e os outros músicos na The Conspirators? Como é a dinâmica entre você e os outros integrantes do grupo?

Essa banda é tão simples que eu mal sei o que dizer. Geralmente eu escrevo enquanto estou na estrada, gravo pequenos trechos para guardar alguma ideia ou inspiração que tive, e, quando a turnê termina, em algum momento nós nos reunimos para discutir as ideias de todo mundo e gravar – sempre gravamos ao vivo no estúdio. Tudo acontece de uma maneira bem orgânica, todos contribuem com alguma coisa. É uma ótima banda. Nós não estamos tentando ser gigantes, ser uma dessas bandas superpopulares: nós só queremos fazer nossa música, continuar fazendo o som de que gostamos.

Recentemente, você disse em uma entrevista que acha que a indústria musical hoje em dia é “mais difícil” do que quando você começou, e que as pessoas precisam ser “mais espertas” se quiserem ser bem-sucedidas nesse meio. Por quê?

Eu acho que, há algumas décadas, era mais fácil ser criativo, ser original, arriscar – e mesmo assim ter uma gravadora disposta a acreditar no seu talento, assinar com você e desenvolver sua carreira. Nos anos 1960, 1970, você se tornava grande aos poucos, quando já estava dentro de uma gravadora. Hoje em dia, quando um artista grava seu primeiro disco, a gravadora já diz “Okay, nós precisamos de um hit”. Se você não emplacar um sucesso logo de cara, vão desistir de você. Então todo mundo grava músicas desse ou daquele jeito, conforme a gravadora mandar, porque “é isso o que toca no rádio”. Acho que é por isso que o rock acaba ficando meio de fora desse cenário mainstream. Então, se você é um artista novo, com ideias originais, e quer manter sua integridade enquanto ganha dinheiro para viver, é meio difícil, porque não é isso que as gravadoras querem. Mesmo assim, é bom dizer que há sim oportunidades, há caminhos, há alternativas – a internet está aí para quem quiser divulgar seu próprio trabalho, o que é uma coisa que nós não tínhamos antigamente. Não há uma fórmula para dar certo: eu diria que você tem que se manter focado na sua música e no que você ama, e dar o seu melhor, persistir. Mas muita gente acaba se rendendo e simplesmente fazendo o que a gravadora manda.

E quanto ao próximo álbum do Guns N’ Roses? Você pretende começar a trabalhar nisso depois desta turnê?

Esse é o plano, basicamente. Mas isso é tudo que eu posso dizer por enquanto!

Colaborou Stefani Ceolla

Serviço

Slash com Myles Kennedy e The Conspirators
Quando: 22/5, 21h
Onde: Stage Music Park (Rodovia Jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho, 2.500, Jurerê, Florianópolis)
Quanto: A partir de R$ 253. Desconto de 50% para sócio do Clube NSC e acompanhante na compra do ingresso antecipado no site Blueticket

Para ser sócio do Clube NSC, você deve assinar um dos jornais ou o NSC Total em Assine NSC. A partir de R$ 9,90 por mês na modalidade digital, você tem acesso a todo o conteúdo e tem direito a utilizar os descontos do Clube em festas, shows, restaurantes, cinema, educação, serviços e muito mais. Aproveite, os benefícios são ilimitados. Saiba mais em Clube NSC.

Leia também:

Slash em Florianópolis: compre ingressos com 50% de desconto

Relembre 10 grandes shows de rock no Estado

Conheça a banda que abrirá o show de Slash em Florianópolis