Conheça o jornalista que largou tudo para morar e empreender no mato

O jornalista e fotógrafo Tarcísio Mattos fez aquilo que muita gente tem vontade, mas não coragem – ele deixou a vida na Capital, onde tinha uma editora, e se mudou para um sítio em Alfredo Wagner. Ao lado da companheira inseparável Lu Eicke, ele planta frutas cítricas, oferece um café aos fins de semana e mantém uma pequena pousada. Batemos um papo inspirador sobre a vida mais próxima “do mato”. Vale também assistir ao vídeo e ver quão lindo é o lugar. Confira parte da nossa conversa. Foto: Felipe Carneiro.

Você já se definiu como um ex-urbanoide convicto…

Nunca imaginei que ia deixar de ser um urbanoide. A compra do sítio foi me trazendo gradativamente para cá. E fui criando condições de sobrevivência aqui, como plantação de citros, o café, a pousada e outras pequenas coisas que a gente vai organizando para ter meio de vida. Então, sim, sou um ex-urbanoide convicto. Estava convicto, em determinada época da minha vida, que eu jamais iria morar no mato.

A distância entre Florianópolis e Alfredo Wagner não é tão grande, mas o estilo de vida é totalmente diferente. Como era sua rotina antes?

Eu tinha a editora, então havia as reuniões e toda uma vida voltada para a realização dessas coisas. Aqui, às vezes – mas não sempre, porque há trabalho –, não tenho nada para fazer. Aquele momento de ter bastante tempo para cuidar de mim e da Lu. É uma coisa que a gente não tinha. E isso muda totalmente a visão que se tem de mundo e da relação com as pessoas. Não tenho mais ninguém que “incomode”. É tudo mais simples, mais seguro, mais honesto. Mas toda essa experiência prévia com comunicação, jornalismo e fotografia eu aplico dentro do trabalho aqui. E essa história de criar, permanece. Me considero uma pessoa que precisa sempre inventar alguma coisa. Um trabalho que conheci vindo para cá foi a marcenaria. Também descobrimos que conseguimos fazer coisas mais legais no fogão.

Você velejava. Continua mantendo a paixão pelo mar?

Velejei muito, participava de competições de vela oceânica e ganhei campeonatos. Num determinado dia de 2008, terminei uma regata, passei no meu apartamento, troquei de mochila e vim para o sítio. Era um sábado. Quando entrei aqui, subi no deque e me perguntei: “Do que eu gosto mais? Daqui ou do mar?” Naquele momento, as coisas foram mudando. Eu dizia que o mar era o meu lugar, e a dúvida veio. Quando decidimos fazer a pousada, eu vendi os barcos para investir. Agora, em determinadas épocas do ano, pedimos um barco emprestado, velejamos, botamos um pouco de sal no sangue e voltamos para cá. Mas não tem mais aquela atividade quase rotineira da prática de velejar. E sem nenhum arrependimento.

Assista à entrevista completa:

Você acabou se tornando presidente do conselho de turismo de Alfredo Wagner. Como foi essa experiência?

As pessoas que estão envolvidas com alguma atividade turística se encontraram e surgiu a necessidade de ter uma organização mais efetiva. Montamos o conselho municipal e tentamos manter um foco voltado mais para o público interno que o externo. Primeiro, fazer com que o alfredense conheça Alfredo e saiba o que o turismo pode lhe trazer de bom. Nós pensamos como ele pode ser bom para quem está aqui. A partir desse momento, as pessoas abraçam e entendem a causa com uma visão preservacionista, de sustentabilidade, de não aglomeração. Os pequenos empreendimentos turísticos estão voltados para essa linha de pensamento, e a ideia é manter assim.

O que mais te apaixonou aqui?

A beleza do vale. Me atrai há muitos anos, desde quando eu viajava pelo interior do Estado. Sempre queria chegar aqui perto para olhar para o vale. Jamais imaginava que viria a morar aqui, isso é coisa de muitos anos atrás. E quando a gente viu esse terreno pela primeira vez… vimos na quarta e compramos na quinta.

Tarcísio, Lu e os móveis feitos por eles mesmos

 

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