Escritores catarinenses criam editora para publicações independentes

Vaquinha online movimenta recursos para a criação da Caiaponte Edições

Escritores catarinenses fazem vaquinha online para abrir a Caiaponte Edições

A vontade de ter encontrar espaço no mercado editorial para escritores independentes fez com que três catarinenses criassem a própria editora. Marcelo Labes, Telma Scherer e Gustavo Matte, cada um de um canto do Estado, iniciaram uma campanha de crowdfunding, uma vaquinha online, para arrecadar recursos suficientes para imprimir os primeiros livros da Caiaponte Edições.

— A ideia é arrecadarmos o dinheiro da impressão vendendo nossos três primeiros títulos. Nossa meta é recolher R$ 15 mil até o dia 19 de janeiro. Esse valor é referente às impressões dos três títulos, os registros legais na Biblioteca Nacional e ISBN [International Standard Book Number] e o envio a todas as pessoas que adquiriram seus livros e os receberão pelo correio — explica Marcelo Labes.

Marcelo Labes é de Blumenau e vive em Florianópolis (Foto: Caiaponte/Divulgação)

Além de dar espaço para obras independentes, os escritores querem criar uma editora que faça mais que um trabalho de gráficas — uma das críticas do projeto.

— A ideia é que uma editora independente não faça somente o trabalho de impressão de livros. Para isso, já há diversas gráficas especializadas. Nossa proposta é trabalhar o livro junto às autoras e autores que pensam em publicá-los, seja lendo e criticando, seja buscando a melhor forma de publicação de um título. Também vislumbramos aumentar a circulação de autores e obras entre Santa Catarina e o resto do país. Não é raro que um escritor tenha seu livro publicado e sinta que não consegue fazê-lo chegar a seus leitores. Uma editora precisa fazer esse tipo de conexão para que os livros sejam reconhecidos e tenham saída — completa Labes.

Telma Scherer é gaúcha e mora em Floripa há alguns anos (Foto: Caiaponte/ Divulgação)

Outro ponto que motivou a criação da Caiaponte é que as editoras tradicionais, por estarem situadas principalmente nos grandes centros, não têm fôlego para conhecer e publicar todos os autores dos quatro cantos do país.

A nova editora propõe tiragens pequenas, de 100 a 300 exemplares de cada título. Os escritores também estão estudando a possibilidade de disponibilizar um selo para publicações acadêmicas — livros teses, dissertações — em que a escrita foge do texto acadêmico e se aproxima da literatura.

Gustavo Matte é de Chapecó e atualmente reside em Porto Alegre (Foto: Caiaponte/Divulgação)

— Temos uma chamada de originais aberta até o dia 31 de janeiro. Além desses, temos conversado com autores de Santa Catarina e de outros estados, Piauí, por exemplo, e São Paulo, que nos procuraram para pensar futuras publicações.

Até o momento, o projeto recebeu apoio de 180 leitores em 14 estados do país e já está com quase 80% da meta concluída. Quem quiser colaborar, aqui está o link da campanha “Ajude a Caiaponte Edições a nascer!” no Cartase. 

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