Estampas que ressaltam a fauna e flora brasileira ganham destaque nas passarelas

Fotos: Dari Luz, especial

A fauna e flora brasileiras não ganharam destaque internacional só nas artes plásticas, representadas por Tarsila do Amaral na Semana da Arte Moderna, mas foram parar também nas estampas das roupas e em acessórios. Neste contexto não posso deixar de citar Carmem Miranda, que não dispensava nenhum “balangandã” com o tema nos looks e já inspirou muitas coleções e estilistas de moda mundo afora.

Vestido Belloni, lenço Tida e joias Lidwina. Foto: dari Luz, especial

Tropicalismo na moda

Uma das estampas que mais remetem ao Tropicalismo — movimento cultural brasileiro que teve um curto período, entre 1967 a 1968, mas que foi um furacão da contracultura — são as florais e de pássaros, como destaco na coluna deste final de semana. As cores vibrantes e um certo exagero, que vão da moda à decoração, são facilmente adaptados aos tecidos de cortinas, guardanapos, almofadas e papeis de parede. O movimento explodiu em tons, palavras e sons no final da década, com a brasilidade, tipo exportação, que continua em alta até hoje. Com a intenção de valorizar o país, mas sem se fechar para as influências externas, se inspirou nas fontes do Movimento Antropofágico, encabeçado pelos modernistas nos anos de 1920.

Vestido Pat Bo, joias Lidwina e lenço Tida. Foto: Dari Luz, especial

Clássico da moda

Durante os grandes desfiles internacionais e nacionais, vira ano, sai ano, são apontadas as estampas de palmeiras, flores, frutas e pássaros como previsão de um verão tropical. Também conhecido como Tropicália, o movimento foi inovador ao mesclar aspectos tradicionais e uma sincronia entre vários estilos musicais como rock, bossa nova, baião, samba, entre outros. A música tradicional brasileira, que vinha de um banquinho e violão da bossa nova, tocou sons, com a presença de guitarras elétricas e a mistura do rock com vibe psicodélica. Seus representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Torquato Neto, Tom Zé, Jorge Bem, Gal Costa, Maria Bethânia que acreditavam que a inovação estética musical já era uma forma revolucionária. Assim, as capas de disco, os cenários dos shows e, principalmente, as roupas usadas em apresentações e aparições públicas foram fonte de choque escândalo para o grande público.

Saia e blusa NXTLVL, joias LidWina e lenço Tida. Foto: Dari Luz, especial

Sustentabilidade é a grande palavra da temporada

A cor da temporada é um azul esverdeado, uma cor oceânica muito pura, em forma “hiper-romântica” que apareceu nas passarelas. À medida que os consumidores se tornam mais conscientes do impacto ambiental do setor, as marcas procuram melhorar suas credenciais ecológicas: a Burberry apresentou um desfile certificado como neutro em carbono, enquanto a passarela da Dior estava repleta de árvores que seriam replantadas em Paris. O tema verde continuou em Paris, onde Christian Dior revelou looks marcados por trepadeiras, espinhos, enquanto Stella McCartney usou poliéster reciclado, algodão orgânico e ráfia sustentável em suas criações fluidas e florais.

Fauna e Flora

Saia e Blusa Maria Filó, cinto Iorane, joias Lidwina e lenço Tida. Foto: Dari Luz, especial

Muitas cores e estampas usadas de todas as formas foram apresentadas nas últimas passarelas internacionais. Muito shape de animais no desfile de Jeremy Scott, em Nova York e flores no desfile de Carolina Herrera. Houve um ótimo uso da cor, seja em tons misturados com laranjas saturados, verdes e azuis. Detalhes de franjas apareceram na Burberry, onde o diretor criativo Riccardo Tisci decorou saias, mangas e vestidos com elas. Ele acenou para a natureza, colocando árvores e animais em tops e saias estampados. O tema da natureza também ficou evidente em Milão, onde Giorgio Armani chamou sua coleção de “Terra”; o tema da selva tomou conta das passarelas Versace e Dolce & Gabbana, onde predominavam as estampas tropicais. Na passarela com estampa de leopardo, as modelos usavam conjuntos cáqui inspirados em safáris, antes que as estampas de girafa, tigre, zebra e leopardo assumissem o controle. Papagaios e pelicanos adornavam desenhos, assim como padrões florais, de frutas e de folhas tropicais.

DNA Catarinense

A catarinense Fernanda Wagner Tirloni e a gaúcha Débora Ebert são sócias, e diretoras criativas, da recém apresentada ao mercado, Lidwina Joias. O nome da marca é para homenagear a avó materna de Débora, vinda da Alemanha e que, apesar de não falar uma palavra de português, foi quem criou a sua mãe.

Saia e blusa Carmem Stefens e joias Lidwina. Foto: Dari Luz, especial

Cada coleção, prevista em quatro por ano, contará com aproximadamente 15 peças em turmalinas coloridas, ametistas, topázios, peridotos, quartzos, esmeraldas, rubelitas, lapis lazuli, espinelios e brilhantes.

— As vendas são diretas e em eventos privados, preferimos dar um atendimento individualizado para cada cliente — explica Fernanda.

Natural de Florianópolis, Fernanda é formada em Direito mas fez diversos cursos na área das artes.

— Estes cursos estimularam minha criatividade e abriram minha mente para novas possibilidades. As joias sempre foram minha grande paixão e foi aí que comecei a produzir minhas próprias peças. No início de 2019 fiz curso com a Débora Ebert, minha sócia, e percebi que o hobby poderia se tornar profissão — relata.

Saia Eva, blusa Novoa, cinto NXTLVL, joias Lidwina e lenço Tida. Foto: Dari Luz, especial

Já Débora é formada em design de produtos e ourivesaria.

— Após me formar decidi me aprofundar nas técnicas clássicas, já que meu foco sempre foi a alta joalheria. Fui estudar em Florença e cursei design avançado nas grandes Maisons de Joias. Após isso trabalhei em duas empresas de joalheria em Florença. Passados três anos na Itália, voltei para o Brasil, onde abri a Lidwina Joias.

Desfiles por aí, nas ruas, destacando a arquitetura

Tom Ford mostrou sua coleção numa estação abandonada em Nova Iorque, ao lado de outras plataformas totalmente funcionais. Ford decidiu pelo local depois de ver uma fotografia de Andy Warhol e Edie Sedgwick em um bueiro. Os convidados foram conduzidos escada abaixo para a plataforma subterrânea e sentados entre as passarelas. As placas de metrô foram deixadas no lugar, como os sinais de saída, os nomes das plataformas e das estações iluminados vagamente nos tons azul-violeta. Já Tommy Hilfiger fez desfile no Apollo Theatre no Harlem, Nova York, onde revelou sua coleção outono inverno 2019 – em vez de uma coleção primavera/verão.

A prestigiada academia de arte Accademia di Brera, em Milão, preparou o cenário para o desfile de primavera-verão 2020 de Jil Sander, projetado em torno de um tema de opostos harmoniosos. Lideradas por Luke e Lucie Meier, roupas minimalistas combinavam com a arquitetura clássica e atemporal da escola. A dupla encheu a galeria principal da Pinacoteca di Brera de pilhas de areia branca.

A Missoni revelou sua coleção nas piscinas públicas de Bagni Misteriosi para uma grande plateia. Apresentando ternos e vestidos boêmios femininos, a coleção reflete o conceito “alegre, feliz e leve” de Angela Missoni, misturando ziguezagues, bolinhas e texturas de crochê em uma única roupa.

Os assentos, em forma de anfiteatro, se expandiram para o cenário de Balenciaga no desfile da Paris Fashion Week, que ocorreu no Cité du Cinema — um estúdio e complexo apoiado pelo diretor de cinema Luc Besson. O conjunto monocromático fez fotografias azuis distintas nas mídias sociais, o mesmo tom usado pela União Europeia.

Chanel optou por uma revelação essencialmente parisiense de sua coleção primavera/verão. A diretora criativa, Virginie Viard, modelou o cenário da cobertura depois da Rue Cambon, local do escritório da marca de luxo há mais de 100 anos. Tetos revestidos de zinco e janelas de sótão replicando a fenestração do escritório foram instalados dentro do Grand Palais para o desfile. Vestidas com o visual eterno da Chanel, de jaquetas de tweed e saias combinando, as modelos contornavam as passarelas elevadas e as chaminés que “prestam homenagem a Paris”.

O diretor criativo da Yves Saint Laurent, Anthony Vaccarello, realizou o desfile da marca em Paris no ponto de referência mais reconhecido da cidade, a Torre Eiffel. A passarela toda preta foi instalada com mais de 100 focos giratórios, brilhando feixes brancos no céu escuro em frente ao edifício icônico que era iluminado em laranja na noite.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Yohana Schreiber/ DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Beleza: Yago Cunha/Hair Dress
Marcas participantes: Belloni, Carmem Steffens, Eva, Novoa, NXTLVL, Iorane, Maria Filó, Lidwina, Tida e Pat Bo