Dia do Sexo: Estudo revela que uso de camisinha é tabu entre mulheres no Brasil

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Foto Elizabeth Tsung on Unsplash, divulgação

Em tempos em que o emponderamento feminino é uma das pautas mais debatidas, o preservativo, a mais popular forma de proteção durante o sexo, ainda é tabu. Um estudo encomendado por uma das principais marcar de camisinhas do Brasil, divulgado nesta quarta-feira, Dia do Sexo, mostra que o país ainda precisa evoluir muito quando o assunto é igualdade entre gêneros.

Para tentar compreender o que pensam mulheres e homens sobre o sexo e de que maneira se comportam em relação ao preservativo, a pesquisa entrevistou mil pessoas sexualmente ativas entre 18 e 35 anos de todo o Brasil.  De acordo com  a pesquisa, 52% das mulheres e 47% dos homens declaram que nunca ou raramente usam camisinha. Os números assustam ainda mais quando considerado o volume de informações disponíveis a respeito do tema.

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Desconforto e vergonha

Especialista em comportamento feminino, a antropóloga Mirian Goldenberg reforça que o público que participou da pesquisa faz parte de uma geração que cresceu com um verdadeiro bombardeio de informações a respeito da importância do uso da camisinha como o meio mais eficiente, simples e barato de proteção contra a Aids, doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada, o que revela um descompasso entre tudo o que a chamada “geração pós-Aids” aprendeu e vivenciou e o seu comportamento na prática.

Para as mulheres, o não uso do preservativo pode estar relacionado ao desconforto em adquiri-lo, já que 42% dizem que esta é uma tarefa muito desconfortável e 37% se sentem julgadas no momento da compra. Ao responderem à mesma pergunta, 72% dos homens declararam achar natural e tranquilo ir até a farmácia ou supermercado comprar o preservativo.

— O constrangimento e a vergonha parecem estar relacionados ao medo de serem julgadas como promíscuas, enquanto os homens não sofrem o mesmo julgamento. É a dupla moral sexual: os homens são mais livres sexualmente e até mesmo estimulados a terem uma vida sexual ativa e diversificada. Já as mulheres ativas sexualmente seriam representadas socialmente de forma muito negativa, sofrendo inúmeras acusações, tais como: promíscuas, fáceis, periguetes, etc — diz a antropóloga.

Camisinha na bolsa

Outro ponto relevante é que uma quantidade mínima de mulheres leva preservativos na bolsa.

— 77% das mulheres e 61% dos homens acham que as mulheres deveriam sempre levar camisinhas na bolsa, mas quando perguntamos quem realmente anda com o preservativo, os dados são bem diferentes. Enquanto 45% dos homens sempre estão com o preservativo, somente 29% das mulheres o carregam — diz Mirian.

Um dos dados mais impressionantes é que 63% das mulheres pesquisadas já fez sexo sem camisinha porque nenhum dos dois tinha o preservativo no momento da relação.

— Apesar de defenderem uma maior igualdade de gênero em seus discursos, elas ainda têm receio do julgamento e do preconceito dos outros a respeito de seus comportamentos sexuais. Neste sentido, a vergonha não é necessariamente do parceiro, mas é uma vergonha cultural, vergonha de não corresponder a um modelo de ser mulher que controla ou reprime a própria sexualidade — explica a antropóloga.