Exposição fotográfica em Florianópolis provoca reflexão sobre a vista da cidade

As fotos, vídeos e obras de arte exibidos retratam a vida e a vista que há além do mar

Foto: Soninha Vill

Como você vê a sua cidade? Em Florianópolis, um coletivo de fotógrafos fez essa pergunta e percebeu que a vista é muito contraditória. Enquanto o turismo e a especulação imobiliária vendem o mar, é no Centro que a cidade pulsa, num paradigma explorado pela fotógrafa Soninha Vill.

— A cidade/Ilha que tem na propaganda de venda de imóveis, cenários paradisíacos, normalmente com imagens de natureza e com a promessa de apartamentos com vista para o mar, tem a sua paisagem transformada, fragmentada e cada vez mais focada no concreto. Parece que estamos precisando ver mais e de diferentes perspectivas. Atualmente vemos menos verde, menos mar, menos as pessoas — avalia a fotógrafa.

 

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Essa é a crítica da exposição coletiva VeraCidade, que acontece na Fundação Cultural Badesc entre os dias 14 e 22 de março, e que tem Soninha entre os expositores. As fotos, vídeos e obras de arte exibidos retratam a vida e a vista que há além do mar.

— Construção e relações humanas acontecem nesse Centro da cidade, que fica esquecido. Eu, que vivo em Florianópolis desde 1985, vivi esse lugar, esse Centro da cidade, nos arredores da Rua João Pinto, da Rua Tiradentes, como um lugar de passagem todos os dias. E a partir do momento em que o terminal mudou de lugar, esse canto ficou marginalizado e esquecido, mas esse lugar é onde de fato a cidade acontecia e nasceu, entre o Mercado e a Alfândega. Era um lugar nobre e passou a ser esquecido em nome de um progresso e de um avanço que não vemos assim. A cidade precisa ser humanizada — comenta a curadora da exposição, Maria Lucila Horn.

Serão expostos mais de 10 trabalhos que representam a cidade e sua ocupação arquitetônica e humana. Os artistas participantes integram o Núcleo de Estudos em Fotografia e Arte (Nefa): Arthur Cunha, Eduardo Beltrame, Lucas Flygare, Maria Luiza Sunienski, Soninha Vill e, convidado especial, Diorgenes Pandini, fotógrafo da NSC Comunicação, que estará presente com registros da vida na madrugada.

— Sem julgamentos ou valores, as fotos representam o que habita o Centro depois que o comércio fecha, registrando os moradores dessas ruas. É uma releitura do Centro dos marginais como protagonistas de uma vida quase que oculta da cidade — descreve Pandini.

Foto: Diorgenes Pandini

A fotografia cumprindo seu papel

A exposição acontece no mês de aniversário da Capital, que completa 346 anos em 23 de março, com questionamentos sobre a veracidade do que se vê e, mais do que provocar reflexão, cumprir o papel da arte.

— A fotografia dá a ver essa população, essa ideia de eterna construção de uma ponte que não liga nada a lugar nenhum, é possível ver a cidade que está tampando a vista para o mar, o olhar para a cidade como um lugar sem espaço para mais nada, ou visualizar a mesma casa, sob um mesmo fundo e suas alterações cotidianas e, no meio dessa cidade, ver essa ligação entre passado e presente. É o estopim para a reflexão, mas também é de grande valia para a construção social de cada autor — finaliza Maria Lucila Horn.

Serviço

Abertura exposição coletiva VerAcidade, organizada por Lucila Horn

Quando: 14 de março, quinta-feira, às 19h

Local: Fundação Cultural Badesc – Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro – Florianópolis

Entrada gratuita

Visitação até 22 de março, de terça a sábado, das 12 às 19h

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