Florianópolis recebe a exposição “Zumblick – O pintor da história catarinense”

Autorretrato Zumblick
Fotos Carlos Rocha/Divulgação

A exposição “Zumblick – O pintor da história catarinense” inaugura o Espaço Arte Catarinense, local de valorização aos artistas estaduais na nova sede administrativa do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o Edifício Ministério Público, inaugurado nesta sexta-feira, 7. O prédio fica na Rua Bocaúva, 1792, Centro de Florianópolis.

A mostra, que conta com 22 telas do artista plástico, ficará sediada no hall de entrada do novo prédio durante oito meses. Willy Zumblick é nascido em Tubarão e conhecido internacionalmente como o maior artista plástico catarinense. Por sua história e relevância, os trabalhos dele foram escolhidos para estrear o Espaço Arte Catarinense que será destinado a artistas do Estado que retratem em seus trabalhos a história e a cultura de SC. A exposição ficará aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h.

O Místico Monge João Maria - Foto Carlos Rocha

Willy Zumblick

Willy Alfredo Zumblick foi cidadão e artista plástico catarinense. Nasceu na cidade de Tubarão, Sul do Estado de Santa Catarina, no dia 26 de setembro de 1913. Faleceu na sua cidade, onde sempre viveu, em 03 de abril de 2008, aos 94 anos de idade. Foi eleito um dos vinte catarinenses mais ilustres do século XX. Além de exuberante artista, foi cidadão respeitável, dedicado às causas sociais e ao desenvolvimento da sua cidade, comerciante exemplar e zeloso chefe de família. Foi relojoeiro e ótico durante toda a sua vida na cidade de Tubarão. Herdou de seu pai e manteve a loja de relógios e óculos, fundada no ano de 1902, existente até hoje, estando já na quarta geração da família. Tornou-se conhecido no Estado e no Brasil como pintor. Encerrou suas atividades no ano 2000, após 75 anos dedicados à arte. Ninguém sabe ao certo quantas obras produziu, mas foram muitas. Zumblick usou seu talento natural e seguiu seu impulso criador para registrar em telas as particularidades da natureza, tipos característicos, cenas do cotidiano, fatos históricos, o folclore, as tradições, a cultura e a religião. Muito conhecidas são suas coleções temáticas, como a saga do Contestado, a constituição da República Juliana, com seus principais protagonistas, Giuseppe e Anita Garibaldi, as Bandeiras do Divino. Willy Zumblick deixou tão importante obra sob os aspectos artístico-cultural-histórico que é considerado um dos maiores artistas plásticos brasileiros. Respeitado e admirado, é tido como O Pintor da História Catarinense. Com o mesmo talento que manejou pinceis, combinou tintas e sublimou cores, ele também trabalhou com cinzéis, desbastou pedras, cortou ferro, modelou concreto e moldou metais, produzindo monumentos, estátuas, estatuetas e painéis. A maior parte da sua exuberante produção artística pertence a coleções particulares ou a proprietários esparsos, permanecendo desconhecida do público. Como cidadão, deixou o exemplo de pessoa dedicada à família, à vida da cidade e das pessoas. Como artista, deixou um acervo valioso, considerado um tesouro artístico e cultural.

Recolhendo Prendas para a Festa do Divino - Foto Carlos Rocha

O pintor das Bandeiras do Divino

Willy Zumblick tinha verdadeira adoração pela Bandeira e pela tradição da Festa do Divino. Tornou esse símbolo um dos mais presentes na sua criação artística. Pintou perto de duas centenas de telas com esse motivo. Em traços e cores fortes, reproduziu a peregrinação da Bandeira na sua cidade de Tubarão, pelo litoral catarinense e em muitos lugares. Por tantos registros e por sua luta para o resgate e preservação da Festa do Divino Espírito Santo, é considerado “o Pintor das Bandeiras do Divino”. Ele mesmo afirmava: “Não conheço e não creio que outro pintor tenha dedicado toda uma vida, como eu, pintando Bandeiras do Divino Espírito Santo”.

A Guerra do Contestado

Zumblick foi o único pintor que ousou registrar em telas, dentre outros temas da nossa história, os episódios do Movimento do Contestado. Num conjunto de trabalhos em grandes dimensões, o artista ilustrou a história bélica de sangrentos combates ocorridos entre 1912 a 1916 na região do Planalto Norte Catarinense. Documenta os principais episódios, colocando na tela, com a força de sua pintura de um expressionismo místico marcante, os costumes e tradições, a índole guerreira e a pureza da fé do Homem do Contestado. A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu na região Sul do Brasil entre outubro de 1912 e agosto de 1916, envolvendo cerca de vinte mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual que disputavam área territorial entre os estados do Paraná e de Santa Catarina.

(Textos dos livros: “Zumblick 100 Anos” e do livro “Zumblick para Sempre”, ambos de Volnei Martins Bez, Valmiré Rocha dos Santos e Carlos Rocha)

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