Fashion Revolution: mais transparência, sustentabilidade e consciência dentro da moda

fernanda simon
Foto: Edmilson Junior, divulgação

*Por Jhenifer Pollet

Já se perguntou sobre quem fez as suas roupas? Quem está por trás do design, dos tecidos, da costura, do corte, das etiquetas? Essa é a reflexão que o Fashion Revolution propõe. O movimento atua há cinco anos no Brasil e conscientiza quanto aos impactos socioambientais ocasionados pela moda, incentiva a transparência e celebra as pessoas por trás das roupas.

Fernanda Simon, diretora executiva do Fashion Revolution Brasil, esteve recentemente em Santa Catarina para participar do ONDM – O Negócio da Moda. Durante o evento, falou sobre a importância de sustentabilizar a moda, cada um de seus processos, e incentivar essa mudança.

Ela também comentou sobre os projetos do Fashion Revolution Brasil, como o Blackstage: onde estão as negras e negros dentro da moda, feito em conjunto com a catarinense Barbara Poerner, e conversou com a Versar:

 

Fernanda, como o Fashion Revolution tem contribuído para que as pessoas entendam melhor o papel de uma moda mais consciente?

O Fashion Revolution tem como projeto principal a semana Fashion Revolution, que acontece em abril, e tem como mote a pergunta “Quem fez minhas roupas?”. Para celebrarmos essas pessoas, trazê-las como protagonistas dessas histórias e fomentar toda essa discussão em prol desse elo que foi perdido, entre quem fez e quem usa. Através dessa pergunta, as pessoas passam a se conectar e pensam mais antes de fazer uma compra, começam a entender que elas têm poder quando fazem uma escolha. Fora isso, nós temos outros projetos, como o Índice de Transparência na Moda, o Fórum, o Fashion Experience e todos, de uma maneira geral, incentivam um consumo mais consciente e trazem dados para munir o cidadão de informações e incentivá-lo a escolher melhor.

 

Como era a percepção das pessoas com relação à sustentabilidade e como é hoje, cinco anos depois do projeto no Brasil?

Começamos com um movimento bem pequeno. Em 2014 foram três eventos e neste ano, em 2019, a gente teve quase mil eventos organizados por diversos parceiros pelo Brasil. O projeto cresceu muito! O Fashion Revolution apoiou, incentivou e fomentou muito essa discussão no Brasil. Em 2014 começamos a ativar as faculdades, fazer projetos com elas e hoje já temos 138 instituições parceiras. Foi uma entrada super forte e nós percebemos o reflexo do nosso trabalho rapidamente, porque hoje começamos a ver os alunos que foram impactados pelo início do Fashion Revolution, se formando, alinhados com o que a gente prega. Tudo isso colaborou muito e não só por conta das questões da moda, mas em tudo. Como esse assunto está mais em pauta, hoje em dia, o trabalho do fashion revolution que já vem acontecendo há alguns anos, é visto como algo consistente. Então eu acho que essa é a mudança, mas considerando o tamanho do nosso país, o tamanho dessa indústria, o impacto que ela causa, a gente ainda tem muito o que fazer, a gente ainda precisa crescer muito para alcançar nosso objetivo.

 

Como você vê o futuro da moda com relação a sustentabilidade?

Eu acreditei durante algum tempo que existia uma moda sustentável e que ela queria transformar o setor através dessas pequenas marcas, ou não tão pequenas, que começaram construir uma história totalmente baseada nesses princípios, nesses valores, já em suas raízes e que essas marcas iriam ser as protagonistas dessa mudança. Hoje em dia eu vejo que estava equivocada. Eu acredito que é fundamental que essas marcas existam com essa potência porque elas são os grandes exemplos, as grandes inspirações e o trabalho delas é essencial, mas eu acredito que a gente não pode mais falar de moda sustentável, mas sim, de sustentabilizar a moda. A gente precisa entender que todas as marcas, todas as partes da indústria, tudo precisa tratar da sustentabilidade, olhar para isso e a gente tem que incentivar essa mudança em todos os lugares, para que a sustentabilidade seja uma regra e não uma exceção.

 

Blackstage

Já sobre o Blackstage: onde estão as negras e os negros dentro da moda, Fernanda, que divulgou o projeto no palco do ONDM, achou melhor que a criadora, Barbara Poerner, contasse mais sobre a importância dele.

Barbara Poerner
Foto: Divulgação

A catarinense, de apenas 22 anos, é microempreendedora e foi representante em Florianópolis do Fashion Revolution Brasil, em 2017 e 2018, onde passou a fazer parte da equipe nacional.

Segundo ela, o projeto surgiu da inquietação que teve em alguns apontamentos, feitos em equipe, sobre onde estão as pessoas negras na moda e como o racismo estrutural se manifesta nesses contextos. A expectativa do Blackstage é mapear e identificar pessoas negras no âmbito da moda, criando uma rede e combatendo o racismo em todas as suas manifestações; promovendo o debate sobre moda e raça a partir de uma perspectiva mais profunda e combater as manifestações do racismo estrutural na vivência de pessoas negras.

— Mais que importante, essa iniciativa é urgente na moda. Se falamos de criar uma nova nova, precisamos de uma atuação antirracista. Sustentabilidade é sobre isso também —  conta Barbara.

A pesquisa do projeto Blackstage está disponível na página do Instagram do Fashion Revolution Brasil. Quem quiser, basta acessar e responder. E para saber mais sobre os projetos do movimento, ficar por dentro de tudo o que está acontecendo dentro da moda em questão de sustentabilidade, é só ficar de olho nas redes sociais do projeto e no site: fashionrevolution.org

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