Felipe Morozini traz exposição a Floripa e defende intervenções urbanas

Artista premiado internacionalmente apresenta a arte como meio de reflexão nas cidades

felipe morozini
Foto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Quem conhece o paulistano Felipe Morozini sabe que é difícil encontrar uma definição exata sobre o seu trabalho. Fotógrafo, cenógrafo e designer, é figura conhecida de eventos badalados como São Paulo Fashion Week, fez ensaios fotográficos para grandes publicações e atualmente é diretor da Associação Parque do Minhocão, organização social que defende que o elevado se transforme numa área de lazer para os moradores.

Em Floripa assina a direção criativa de um hotel boutique que tem apenas quatro quartos e uma das vistas mais espetaculares da Lagoa da Conceição. De volta a Santa Catarina para a abertura da exposição que inaugurou uma nova galeria de arte no hotel que leva sua assinatura, Felipe me recebeu para um papo sobre intervenções urbanas e arte contemporânea.

Como nós podemos aproveitar melhor a cidade?
Tem que ter estímulo, que pode ser artístico também, mas principalmente a cidade precisa ter três elementos: iluminação, calçada e segurança. São questões de governo. A arte vem para colocar um pouco de poesia no meio dessa rotina. Mas se você tiver uma boa iluminação, uma boa calçada e segurança todas as pessoas adorariam estar na rua, só pelo simples fato de poder estar ali.

Você viu alguma iniciativa que tenha chamado atenção em Florianópolis?
Vi algumas coisas. Acho interessante porque intervenção urbana é um respiro no meio de uma cidade, mas como ter um respiro numa cidade como Florianópolis que é toda respiro? Então acho que até a relação do artista aqui é diferente. Vocês têm o horizonte do mar, a lagoa, a duna, a lua nascendo.

Mas também temos trânsito, violência…
Sim, e a arte pública tem que estar nesses lugares. Onde tem transito, violência, para fazer as pessoas refletirem sobre o lugar.

Como as intervenções urbanas podem impactar nas cidades e seus moradores?
Impactam na medida em que se eu tiver uma filha que vai todo dia para a escola eu prefiro que ela olhe para uma instalação do que para um lugar cheio de entulho. Tem uma questão estética – faz bem olhar o belo – e tem uma questão intelectual que faz você pensar e refletir sobre o nosso tempo.

Qual seria uma cidade exemplo nesse sentido?
Infelizmente nenhuma no Brasil. Todo ano eu vou estudar as cidades que ganham o prêmio de cidades para pessoas. Visitei duas esse ano: Portland, que já ganhou dez vezes, e Paris.

Você assinou a direção criativa de um hotel de luxo em Floripa. Como é atuar em trabalhos tão ecléticos?
Eu acho que é tudo o mesmo assunto: sonho. O hotel é um sonho, a ocupação de um espaço público para a maioria dos urbanistas também. Eu acho que esses projetos dialogam. Foi um prazer assinar a direção criativa do hotel e tentar fazer com que o design não ficasse maior do que a natureza, que já é linda.

O hotel acaba de inaugurar uma galeria aberta ao público. Qual a importância de espaços como esse?
Acho importante ter um lugar que difunda novos pensamentos, novas ideias, que faça as pessoas dialogarem sobre assuntos que elas não conversariam. Eu adoro imaginar que as pessoas saiam das suas casas para ver coisas que não fazem sentido. Em algum lugar do cérebro eu acredito que essas coisas fazem bem pra gente, e quando você fala de arte contemporânea, uma galeria abrindo é um lugar mágico, onde você tem um lugar para pensar em outras coisas.

A sua exposição chamada Eu me vejo em você traz imagens bem curiosas…
Muitas! Eu fotografo do mesmo ponto há 18 anos e fiz um recorte de 14 fotografias que mostram situações que por mais que sejam íntimas fazem parte da nossa rotina. A gente é igual a todo mundo e é muito bonito imaginar que se um paparazzi pode fotografar um famoso numa varanda, a vida ordinária também me interessa, o retrato coletivo urbano também. Não é só o voyeurismo que as pessoas sempre falam da minha fotografia, é muito mais se enxergar no outro, mesmo que o outro seja muito diferente.

felipe morozini
Foto Felipe Morozini/Divulgação

Serviço
O que: Exposição Eu me vejo em você, de Felipe Morozini
Onde: Galeria Pedra no Hotel Casa Quatro Oito, Lagoa da Conceição
Quando: até 14 de novembro. A galeria abre ao público nas quartas, sextas e sábados, das 18h às 22h Entrada gratuita

felipe morozini
Foto Felipe Morozini/Divulgação

Assista ao vídeo com a entrevista:

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