Conheça mulheres que realizam a maior festa de Páscoa de Santa Catarina

A representatividade das mulheres é um dos fatores fundamentais na organização da Osterfest, em Pomerode

Foto Rejane Koch

Por Sabryne Anne, especial

A comemoração, que para muitos é sinônimo de chocolates e guloseimas, tem um significado que vai muito além disso. Ela representa a ressurreição de Jesus Cristo e é a principal celebração, mais antiga e importante festa cristã. E em Pomerode, no Vale do Itajaí, a tradição está viva até hoje.

Para que os costumes permaneçam, foi criado na cidade um evento que enaltece a cultura pascal dos imigrantes germânicos, a Osterfest. Na 11ª edição, a festa celebra as tradições dos colonizadores, desde a pintura realizada em casquinhas de ovos naturais até o consumo de pratos típicos. Este ano a programação vai até 21 de abril, de quinta a domingo, das 10h às 20h, e tem entrada gratuita.

Em 2018, o evento recebeu mais de 100 mil pessoas – mais do que o triplo da população da cidade. Além disso, o setor de turismo, que envolve as festas periódicas como Natal e Páscoa, por exemplo, representa cerca de 1% do PIB de Pomerode – o que mostra a força turística do município, que fica ainda mais evidente durante esses períodos.

Mas, engana-se quem acha que os eventos são fáceis de organizar. O planejamento da Osterfest, por exemplo, inicia antes mesmo da última edição acabar, ou seja, mais de um ano prévio. E isso só é possível, claro, através de um conjunto de detalhes que
devem andar juntos. O envolvimento de pessoas engajadas, sem dúvidas, é o
principal deles.

A representatividade das mulheres é um dos fatores que fazem as festas, como a Páscoa, acontecerem. Envolvidas em vários processos que efetivam as comemorações, elas são parte crucial para que o planejamento ocorra conforme o esperado. Por isso, reunimos quatro histórias que são motivo de inspiração para qualquer um.

A artista das casquinhas

Foto Divulgação

A blumenauense Silvana Pujol começou a pintar cascas de ovos quando as famílias se reuniam para preparar os festejos de Páscoa. Filha de artista plástica e de ourives, ela considera 14 de março de 1963 como a data de início de sua carreira, que dura até hoje. Naquele dia, ainda criança, vendeu para a mãe de uma coleguinha de escola um ovo que havia pintado.

A tradição de pintar ovos foi herdada dos colonizadores da região do Vale do Itajaí e é ainda fortemente mantida nas cidades, principalmente em Pomerode, onde um concurso anual na rede de ensino tem a participação de centenas de alunos.

No entanto, os pintados por Silvana não seguem as técnicas da tradicional pêssanka – com motivos religiosos –, ou da pintura bauernmarlerei, que prima por razões da natureza. Desde cedo, ela aplicou nos ovos um estilo próprio, onde os desenhos simétricos e repetidos têm a influência da arte do pai, que criava formas para o trabalho final de lapidadores de diamantes.

Uma curiosidade que a artista tem orgulho de mencionar é sobre o ovo mais trabalhoso que fez.

– Um americano veio até mim e propôs um desafio: realizar uma pintura de 700 horas em um ovo de avestruz. A encomenda inusitada levou quatro meses para ficar pronta e foi o maior ovo que já pintei até hoje – conta.

Para se ter uma ideia, o ovo de galinha leva em torno de um dia para fazer ser finalizado. O menor ovo que a artista já pintou foi o de lagartixa, que é comparado ao tamanho de uma pérola.

Nos bastidores

Foto divulgação

Atuante há mais de 10 anos na área de turismo e eventos de Pomerode, Rejane Kock Goede é uma das pessoas responsáveis pela organização da 11ª Osterfest. Amante das tradições germânicas, ela conta que a paixão está em seu sangue.

– A cultura é repassada de geração em geração. E, assim como meus familiares me passaram, eu transfiro o que posso também aos meus filhos – diz.

E é esse sentimento que a faz levantar da cama todos os dias para fazer a Páscoa acontecer.

– Assim como nós, que nascemos e moramos em Pomerode, temos as tradições germânicas em nossas vidas desde cedo, os visitantes que chegam para conhecer a festa também querem vivenciar um pouco da experiência que é estar aqui. É isso que procuramos passar – destaca.

Quando falamos em tradição, muitos remetem a palavra a algo antigo, mas não é bem assim. Rejane conta que mesmo a Osterfest estando na 11ª edição, a ideia é ter novidades todos os anos.

– Para que a festa continue atraindo cada vez mais visitantes, temos que buscar coisas novas que façam com que as pessoas sintam vontade de vir até nós, mesmo que de outra cidade, como acontece muito – destaca.

No turismo

Foto Divulgação

Gicele Lanser Correa é sócia da Vila Encantada e da Casa Branca Pousada Boutique de Pomerode. Mas o turismo nem sempre fez parte da vida da empreendedora. Ela atuava na área têxtil, na indústria da sua família. No entanto, o seu sonho sempre foi trabalhar com turismo recreativo.

– Antes de me formar em Engenharia Civil, estudei Turismo. Já naquela época, me encantava a possibilidade de trabalhar no segmento. Hoje estou realizando e alcançando aquilo que sempre sonhei – conta.

A empreendedora fala que a Páscoa, assim como os outros eventos que acontecem na cidade mais alemã do Brasil, são responsáveis por uma grande parte da economia do município.

– Hoje a Osterfest, por exemplo, ocupa 100% do leito da primeira pousada boutique do Vale Europeu – coloca.

Ela comenta ainda que sempre busca ressaltar a cultura germânica nos pequenos detalhes.

– Desde o chocolate de boas vindas até o café colonial. Tento trazer ao máximo essa experiência para quem vem visitar nossa cidade – destaca.

Já sobre a criação da Vila Encantada, Gicele diz que a motivação veio por conta dos três filhos.

– Em nossas viagens, sempre buscamos aliar diversão à educação. Por isso resolvi investir nesse parque, que hoje recebe turistas e famílias aos finais de semana e alunos de escolas durante o período escolar – diz.

O sabor de Pomerode

Marlene Volkmann é natural de Pomerode e proprietária da tradicional Confeitaria Torten Paradies. Em 1988, a empresária se desligou do banco onde trabalhava para se dedicar a realizar o sonho de sua mãe, o de ter a sua confeitaria.

– Tudo começou há 35 anos, quando minha mãe, Dona Madalena Volkmann, fazia sonhos recheados e vendia para amigas e vizinhas – conta.

Para Marlene, a paixão pela gastronomia vai muito além de estar atrás de um fogão e cozinhar.

– Isso é um dom que minha família herdou e que tentamos transmitir para os moradores e turistas que vêm nos conhecer. É uma forma de os visitantes levarem Pomerode em seus corações – diz.

Hoje, a executiva diz que os eventos da cidade cresceram e já são reconhecidos mundialmente, como a Osterfest.

– A Páscoa é um acontecimento de referência em Pomerode que, sem dúvida, gera aumento de arrecadação para o município – destaca.

 

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