Festival Varilux 2019 traz filmes consagrados do cinema francês para Santa Catarina

Cena do filme Meu Bebê (Divulgação)

A Revista Versar esteve no evento de lançamento e conversou com a delegação de atores e diretores que vieram divulgar suas obras em terras brasileiras

De 06 a 19 de junho Balneário Camboriú, Blumenau, Florianópolis e Joinville recebem em cinemas selecionados 16 longa metragens franceses participantes do 10º Festival Varilux de Cinema.

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Entre os destaques da programação estão dois filmes que tratam de temas polêmicos e emocionantes, como abusos sexuais relacionados à igreja católica e a relação intensa de mãe e filha que precisam enfrentar uma dolorosa separação. No Rio de Janeiro, a Revista Versar bateu um papo com atores e diretores dos filmes “Graças a deus” e  “Meu bebê”. Confira.

Graças a Deus” (Grâce à Dieu/California Filmes)

O longa que recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim deste ano conta a história de meninos violentados sexualmente dentro da igreja pelo padre da arquidiocese de Lyon. No filme, o ator Swann Arlaud interpreta Emmanuel Thomassin, uma das vítimas que teve a história da sua vida refeita quando um grupo de pessoas resolve remexer as memórias do passado em busca de justiça.

A produção é uma crítica aos inúmeros casos de abuso que acontecem na igreja, mas também um alerta para a necessidade de cautela no uso de um tom acusador ao mostrar o padre pedófilo como alguém consciente de sua doença.

– O filme não quer demonizar os pedófilos, há a inteligência de salientar a gravidade e realidade do mal que eles provocam, mostrando sua concretude e como agir efetivamente para evitar que crimes dentros das instituições religiosas não voltem a acontecer – comenta Arlaud.

O filme mostra como aconteceu a formação do grupo de vítimas “La Parole Libérée”, com mais de 85 depoimentos de meninos abusados pelo padre ao longo dos anos.

“Meu Bebê” (Mon Bébé/Bonfilm)

O filme traz a terna relação de uma mãe com a filha que está prestes a sair de casa para estudar no Canadá. A história retrata a dificuldade de uma mãe que centrou toda a sua existência na criação dos filhos. A relação com a caçula é tão próxima e forte que a chegada do momento de voltar a ser protagonista da própria vida provoca sensações imprevisíveis.

Assistido por quase 600 mil pessoas na França, recebeu o Grand Prix de direção pelo trabalho de Lisa Azuelos e de melhor atriz para Sandrine Kiberlain, no Festival Internacional do Filme de Comédia de L’Alpe d’Huez, em 2019.

O filme provoca reflexões sobre a relação entre qualidade e quantidade de tempo despendido aos filhos e o impacto dessa relação na criação das crianças.

— O ponto importante é saber o que você transmite para o seus filhos. O relevante é a qualidade da relação, não é necessário estar 100% do tempo com eles. É preciso permitir que eles existam, tirar essa ideia de propriedade, de pertencimento. Os filhos não são meus. Eles são do mundo, pessoas únicas, com vontades próprias. É preciso haver esse espaço para que a criança se desenvolva — afirma Lisa Azuelos, diretora do filme.

Festival Varilux decola

Christian e Emmanuelle Boudier (Divulgação)

Em 2010, o Festival era apresentado em nove cidades para 22 mil espectadores. No ano passado, desembarcou em 88 cidades e conquistou 180 mil espectadores, provando que o público para um cinema diferente é sempre mais numeroso.

— Mostramos que o Festival também se dedica a formar novos públicos – comenta Emmanuelle Boudier, diretora e curadora do Varilux.

Confira a programação em Santa Catarina no site.