Fibras naturais voltam com tudo na decoração de interiores

Varanda com caideras feitas de corda. Foto: Fernando Willadino, divulgação

Popular entre as décadas de 50 e 70, o uso das tramas naturais como vime, palha, corda, bambú ou similar na decoração está voltando com força total após um período fora de cena. Só que agora, o que antes era utilizado apenas em casas de campo ou praia, está compondo principalmente espaços contemporâneos urbanos, deixando para trás o estigma de serem peças remanescentes da casa da vovó.

Além disso, com a revalorização do artesanato, o material entra trazendo um toque de charme e design a ambientes como cozinhas, sala de jantar, varandas e até mesmo em escritórios, que geralmente caracterizam-se por uma decoração moderna. E vale em qualquer lugar ou espaço: seja em releituras inusitadas, na composição de móveis planejados ou em peças avulsas como poltronas, tapetes ou na clássica cadeira de balanço.

 Para a arquiteta catarinense Cris Passing, uma das tendências para o uso das fibras naturais, e que ainda alia funcionalidade, está em aplicar o material em divisórias como portas pivotantes, biombos ou em portas de armários nos quartos.

— O uso da palha natural que já foi tratada para garantir resistência e durabilidade, por exemplo, é muito indicado para as regiões litorâneas, em que é preciso contornar os problemas com a alta umidade. No caso do closet, os vazados dos desenhos ajudam principalmente na ventilação das roupas, além de dar um toque charmoso ao ambiente — explica.

A presença de elementos da natureza na decoração de casas e apartamentos reflete o retorno da valorização do natural e sustentável. Que no caso das tramas ganha um bônus pela sua versatilidade, sendo que móveis e peças com este estilo ficam bem em qualquer espaço e o seu acabamento ainda pode ser pintado em diversas cores.

Cris destaca que hoje estes elementos recebem tratamento que os tornam maleáveis, confortáveis e duradouros.

— Não acontece mais da palha soltar, descascar, ou das tramas serem incômodas em cadeiras e poltronas. Tecnologia e processos sustentáveis estão ditando esta tendência, que penso ter vindo para ficar — explica a arquiteta, que tem usado estes elementos em seus projetos e apresenta em seu Loft Duo, na Casa Cor, diversas maneiras de compor uma decoração contemporânea com elementos de fibra natural.

 

 

Conheça alguns tipos de fibras naturais:

Bambú – a fibra é extraída de uma pasta celulósica homogênea e pesada, com aspecto suave e reluzente. Ela é considerada uma das plantas de maior resistência do planeta, sendo muito utilizada na construção de móveis, cestos, paredes e até casas.

Palha de Bananeira – é produzida a partir das bainhas foliares extraídas do pseudocaule da bananeira, de onde é possível a obtenção de vários tipos de cores e texturas diferentes. Quando preparadas de forma adequada, as fibras garantem às peças durabilidade e resistência e podem ser utilizadas na fabricação de cestos, tapetes, porta-copos, entre outros.

Fibra de Coco Patauá – Palmeira típica da região amazônica, o Patauá tem seus ramos trançados enquanto ainda estão verdes. Muito utilizado na manufatura de tapetes, capachos, pela alta durabilidade;

Rattan – parente próximo do vime, ela apresenta o mesmo tipo de tramas e trançados. Muito utilizado em casas de praia ou campo, hoje em dia é cada vez mais comum encontrar projetos de interiores com poltronas, aparadores, bancos e cestos; 

Sisal – é cultivado em regiões semi-áridas (Paraíba e Bahia). Dele, utiliza-se principalmente a fibra das folhas que, após o beneficiamento, é destinada à indústria de cordoaria e ao artesanato (cordas, cordéis, fios, tapetes etc.);

Vime – material utilizado desde tempos primitivos, principalmente na manufatura de cestos e móveis.

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