Filme Yonlu, que estreia em SC, conta a história real do músico que morreu precocemente

A obra usa as linguagens da animação, do musical e do videoclipe para representar a trajetória de um jovem criativo, mas que escondia segredos

Foto: Rodrigo Marroni/Divulgação

Estreia nesta quinta-feira, dia 27, em Florianópolis, o filme nacional Yonlubaseado na história real do jovem músico gaúcho Vinicius Gageiro Marques (1990 – 2006), que morreu precocemente aos 16 anos. A obra usa as linguagens da animação, do musical e do videoclipe para representar a trajetória de um jovem criativo, mas que escondia segredos. Foi unindo gêneros que o diretor e roteirista Hique Montanari encontrou a sensibilidade necessária para entrar em um tema delicado: o suicídio na adolescência.

— Em 2009, na ocasião do lançamento do seu álbum internacional pelo selo de Nova York, o Luaka Bop (David Byrne), interessei-me em descobrir mais coisas a respeito do artista Yonlu, além de revisitar a história em si. Nessa pesquisa, imersão e resgate, deparei-me com todos os bons elementos para um roteiro cinematográfico: narrativa, tema atual, drama, criação e legado artístico, além de um universo particular de um garoto extremamente inteligente, com ideias maduras e consistentes sobre o ser humano e as relações em sociedade — revela Montanari.

Para o diretor, o filme celebra a vida do adolescente:

— Resgatar a história de Yonlu e todas as suas nuances é jogar o seu legado artístico para o mundo.

Montanari ainda explica que houve preocupação com a abordagem do tema, que foi amplamente discutido com profissionais da saúde mental. Yonlu participava de grupos de potenciais suicidas na internet.

— Nossa linha mestra era a de evitar a vitimização do personagem, mas também não o tornar um super-herói, não romantizar o suicídio.

O filme, segundo o diretor, trabalha sobre algumas camadas narrativas: Yonlu na vida real, no mundo virtual, a música.

— Minha ideia, com isso, foi a de também reproduzir um pouco a forma fragmentada como vivemos hoje — completa.

“Fiquei bastante impressionado e tocado com o trabalho artístico dele”, diz Thalles Cabral, protagonista do filme

Thalles Cabral
Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Yonlu é um personagem bastante complexo. Você conhecia a história?
Conhecia antes do filme, sim. Tive contato com o trabalho musical dele em 2012, enquanto cursava faculdade de Cinema. Fiquei bastante impressionado e tocado com o trabalho artístico dele e triste com a maneira com que ele se foi e tão cedo.

Como foi a preparação para este papel?
O processo foi dividido em partes. Tive preparação com a atriz e preparadora Liane Venturella, tive encontros com uma atriz e professora de inglês, Claudia Sachs, para as cenas do fórum (que são todas em inglês), aulas de violão focadas nas músicas do Yonlu e também trabalho de mesa com o diretor, Hique Montanari, onde esmiuçamos cada cena do roteiro.

Você foi indicado a Melhor Ator Principal em Filme Estrangeiro no Festival Internacional de Cinema de Madrid 2018. Como vê este reconhecimento?
Fiquei muito feliz e surpreso, não esperava. É uma sensação deliciosa ser reconhecido por um trabalho que você se dedicou, fez com bastante amor e carinho.

Onde assistir:

O filme está em cartaz no Paradigma Cine Arte, em Florianópolis, e é exibido todos os dias, às 18h30min. Sócio do Clube NSC e acompanhante têm desconto de 50%.