Florianópolis Audiovisual Mercosul 2019: 23 anos de resistência

Festival que já exibiu mais de 2 mil obras para um público de cerca de 350 mil pessoas, concluiu o evento em 2019 com números que impressionam e muitas novidades

Foto: Leo Munhoz

A cerimônia de premiação da 23ª edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM, o festival de cinema da capital catarinense aconteceu na última quarta-feira, 2, no Teatro Álvaro de Carvalho, e reconheceu os filmes de maior destaque do cenário Mercosul, divididos nas categorias: Mostra Curtas Catarinense, Curtas Mercosul, DOC-FAM, Infantojuvenil, Videoclipe, Rally Universitário, e duas novidades: Longas Ficção Mercosul e Work in progress (filmes que ainda não estão finalizados). Sendo distribuídos mais de
R$ 200 mil em prêmios.

Neste ano, o FAM registrou recorde de inscritos, 1.164 filmes, sendo 80 selecionados. Um crescimento de 47% no número de filmes inscritos e de 112% na quantidade de
obras exibidas.

Os filmes foram apresentados no complexo CineShow do Beiramar Shopping, que teve suas cinco salas ocupadas integralmente pelo FAM, ao longo dos sete dias de evento, entre 26 de setembro e 2 de outubro. Pertinho dali, no Hotel Majestic, ocorreu o Encontro de Coprodução do Mercosul, evento voltado para o mercado do audiovisual. As atividades de formação, como palestras, oficinas e seminários aconteceram no Museu da Escola Catarinense, prédio da antiga Faculdade de Educação da Udesc.

O Festival que figura entre os mais antigos do Brasil e que leva o nome de Florianópolis para outros países, já exibiu em toda a sua história mais de 2 mil obras para cerca de  350 mil espectadores. Nesta edição recebeu um público de mais de 7 mil pessoas entre atividades do Fórum e do Cinema.

— Consideramos um bom número que, somado a todos os elogios e retornos positivos que falam em crescimento do evento, só nos trás boas perspectivas para 2020 — acrescenta Marilha Naccari, diretora de Programação do Festival.

Sempre com o olhar atento às tendências do setor do audiovisual, em 2019 o FAM trouxe para o público a mostra Realidade Virtual, com a curadoria do catarinense Ranz Ranzenberger. A mostra paralela reuniu seis obras que utilizam realidade virtual em suas produções.

 

Inclusão

Pela primeira vez, o FAM contou com equipamentos que garantiram a acessibilidade de pessoas cegas, surdas e ensurdecidas em 12 filmes do Festival. Ao todo, 100 equipamentos, sendo 50 de audiodescrição e 50 de janela de Libras, foram adquiridos pela rede CineShow e que foram inaugurados durante o Festival.

 

Novidades

Depois de 15 anos ocupando outros espaços, o Festival voltou ao centro da cidade, movimentando ainda mais o centro histórico da capital, ganhando mais qualidade e conforto para as exibições.

— Essas mudanças estimulam que o próprio Festival se reinvente e abra novas oportunidades — destacou Antonio Celso dos Santos, diretor-geral do FAM, na premiação.

Outra novidade do FAM 2019 foi a Mostra Longas Ficção Mercosul, que pela primeira vez se torna competitiva. A categoria recebeu 107 inscrições e seis delas entraram para a competição. Nesta categoria, o Brasil foi representado pelo filme Pacarrete, dirigindo por Allan Deberton, e ficou com o prêmio de destaque na escolha do Júri Oficial e Popular. Pacarrete também foi o grande vencedor do 47º Festival de Cinema de Gramado, realizado em agosto deste ano.

 

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🏆::VENCEDORES MOSTRA LONGAS MERCOSUL:: 🏆 Melhor Filme: Pacarrete, diretor Allan Deberton

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O curta-metragem colombiano Ausencia, de Andrés Tudela, foi o principal vencedor na Mostra de Curtas Mercosul da 23ª edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 2019, com quatro prêmios.

 

Destaque catarinense

Nossa Terra, do diretor Samuel Moreira, ficou com a principal premiação da categoria Curtas Catarinense. O filme apresenta o fortalecimento dos índios Xokleng por meio do resgate cultural, educação qualificada e o ensino da língua materna dentro do currículo escolar.

Sobre o reconhecimento da sua obra no FAM, Moreira se diz surpreso.

— Eu não esperava esse reconhecimento, porque os outros filmes eram muito bons. Eu fiquei surpreso até mesmo com a seleção para o Festival, que é um dos maiores do audiviosual do Estado. Ele é muito importante no meio, principalmente por reunir filmes do Mercosul. Há uma exposição muito grande, eu já estava bem feliz com isso.

 

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🏆::VENCEDORES MOSTRA CURTAS CATARINENSE:: 🏆 Júri Oficial: Nossa Terra, diretor Samuel Moreira

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O Nossa Terra é resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso, Samuel se formou em Produção Audiovisual, em julho do ano passado. Natural de Mafra e morador de Itajaí, Samuel começou a pesquisar sobre os índios da região.

— Pesquisando várias etnias eu acabei descobrindo o povo Laklãnõ-Xokleng. Descobri que eles viviam numa reserva indígena em José Bosteaux, próximo de Ibirama, por isso a terra se chama Ibirama-Laklãnõ. Ali eu acabei descobrindo várias histórias. Umas das pesquisas me mostrou como os índios chegaram lá, inclusive eu encontrei essa informação em uma matéria do Diário Catarinense, assinada pela repórter Carol Macário, que falava sobre os 100 anos da ‘suposta’ pacificação do índios Xokleng. Foi através dela que cheguei em outros pesquisadores.

O recorte do curta produzido por Moreira foi a educação dos índios Xokleng, durante a pesquisa o diretor descobriu que a língua materna deles estava inclusa no currículo escolar. Com esse informação ele construiu o trabalho que tem 20 minutos de duração e que foi o destaque entre as produções catarineses no FAM 2019.

 

Muito além de Florianópolis

Uma parceria entre o FAM e o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) da Argentina levou 14 curtas-metragens brasileiros para o público argentino de forma gratuita. Os filmes, que fizeram parte de edições passadas do FAM, ficaram em destaque na página inicial da plataforma CINE.AR PLAY durante a realização do Festival e, agora, seguem para o catálogo, onde permanecerão por 24 meses. A CINE.AR PLAY é uma plataforma de Video On Demand (VOD) gratuita que já possui mais de 1,4 milhão de inscritos com um catálogo de cerca de 500 filmes argentinos.

— Estar presente nessa iniciativa do INCAA, que leva o cinema argentino para o mundo, é de extrema relevância para o FAM, e esse é apenas o início dessa parceria que pensa tanto no direito ao acesso quanto na importância das alianças — comenta Naccari, diretora de Programação do Festival.

 

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