“Quem faz a cidade são as pessoas”, diz fotógrafo do Floripa em 3×4

O projeto foi vencedor do Prêmio Elisabete Anderle, promovido pela Fundação Catarinense de Cultura

Foto: Divulgação

Durante um ano, Radilson Carlos Gomes adotou a mesma rotina: carregando suas câmeras lambe-lambe, se posicionava nas ruas do centro de Florianópolis para fotografar retratos.

— Eu quis sair do comum de fotografar uma cidade. Quem faz a cidade são as pessoas que passam por ela, que transformam a arquitetura, que trazem o movimento. Por isso decidi registrar Floripa em 3×4 — contou o fotógrafo.

Mais do que enfrentar o desafio de parar as pessoas na rua para serem fotografadas, Radilson decidiu fazer isso com uma câmera lambe-lambe. A máquina, que surgiu no início do século XX, é uma relíquia. Com uma caixa de madeira apoiada num tripé, funciona como um mini laboratório que, além de capturar a cena, permite revelar o negativo na hora.

É desta forma que o fotógrafo vê a cena, dentro da caixa de madeira. A imagem é registrada de ponta-cabeça, num processo explicado pela física (Foto: Diorgenes Pandini)

Veja como é esse processo

As câmeras utilizadas pelo fotógrafo foram ou construídas ou restauradas por ele próprio, sendo a primeira com a ajuda e orientação de Sérgio Sakakibara.

— Eu cheguei a pensar em utilizar as máquinas digitais e fazer apenas algumas fotos com as máquinas lambe-lambe, mas o domínio do processo me fascinou e acabei usando só elas — relembra Radilson.

Radilson ao lado da márquina lambe-lambe construída por ele (Foto: Diorgenes Pandini)

Durante o período de captação, o fotógrafo contou que muitas pessoas se aproximavam por curiosidade, quando viam o grande equipamento montado. Entretanto, foram os idosos que mais se encantaram com o projeto vencedor do Prêmio Elisabete Anderle — promovido pela Fundação Catarinense de Cultura.

Leia mais sobre a exposição Floripa em 3×4

— Muitos idosos se aproximavam relembrando seus passados, dividiam histórias sobre as poucas vezes que foram fotografados com o equipamento. Essas fotos saíam caro, principalmente as feitas sem câmeras de estúdio, apesar de ter sido a máquina que popularizou a fotografia no mundo.

 

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990/1000. Solange Foletto, natural de São Luiz Gonzaga/São Paulo. Projeto realizado com o apoio do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, FUNCULTURAL e Edital Elisabete Anderle/2017. Projeto Floripa em 3×4 – O Retrato de Quem Passa… os anônimos de Florianópolis sendo retratados por um máquina Lambe – Lambe l projeto patrocinado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura #floripa #3×4 #floripaem3x4 #retrato #analogphotography #fotografiaartesanal #floripando #pinholedayfloripa #3x4photography #retrato#florianopolis #floripa #florianópolis #fotofloripa #amorfloripa #ilhadamagia #floripando #retrato #3x4photography #vintage #photography #photographyvintage28400 #blackandwhite #everdayeverywhere #portraitphotography #instagram #everyday #streetphotography #portrait #brb #brasilpb #igers #photovintage #vintagephoto #lambelambe

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Foram 1.300 fotografias de 1.030 pessoas que vieram de 22 países. Radilson fez um levantamento de que 90% são brasileiros e, desses, apenas 24% são florianopolitanos. O restante, 76%, são de 288 cidades brasileiras diferentes.

Para a exposição Floripa 3×4, que começa nesta sexta-feira, 22 de março, na Fundação Cultural Badesc, Radilson utilizou um processo híbrido: os negativos, revelados nas lambe-lambe, foram digitalizados para a criação de painéis. A experiência já havia sido realizada com sucesso em Brasília, quando o fotógrafo iniciou a série 3×4.

— Eu ainda quero fotografar o Brasil inteiro. Comecei há 15 anos esse projeto, já fiz Brasília em 3×4, e agora faço Florianópolis. A meta é continuar e fazer esses levantamentos sobre quem faz a cidade.

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