Frank Sinatra, Padre Zezinho e Eu: o que aprendi sobre encarar desafios

Quando me vitimizo ou foco no problema, ele ganha força. Mas na vida ou a gente aprende ou aprende

Frank Sinatra
Frank Sinatra (Foto: Divulgação)

Eu tinha por volta de oito anos quando percebi que lá em casa as coisas, por alguma razão, não estavam caminhando bem. Meu pai e minha mãe haviam tido uma discussão um dia antes da minha apresentação de dança na escola, e eu escutei – minha percepção estava certa. Era Dia das Mães e eu dançava bem bonitinha. Dessa vez eu estava em destaque junto com a Letícia – a Lelê, minha amiga até hoje – dançando na frente e ajudando a conduzir o grupo, e a música era New York, New York, do Frank Sinatra.

Sinto que para uma criança, e para um adulto maduro também, tudo se resolve muito fácil – é uma questão de conversa, de pedir desculpas, de trabalhar em equipe, de ajudar o amiguinho. Conectados pelo amor de verdade a gente dá conta de si mesmo, e ainda sobra para estar com e pelo outro, de aprender e perdoar – a si e ao próximo. Pelo menos eu sempre vi a vida assim.

Naquele dia eu sabia que a discussão tinha chegado porque alguém tinha feito alguma coisa errada e eu não sabia bem o que era, só sabia que eu conseguiria resolver. Na cabeça de menina, eu pensei: se for dinheiro, eu trabalho; se foi porque chegou tarde, é só combinar de chegar cedo; se falou palavrão, é só não dizer mais; se bebeu, é só parar; se mentiu, melhor confessar porque apesar do cantinho do pensamento, logo tudo volta ao normal; e se tudo isso for muito difícil, “eu ajudo, eu peço ajuda, eu faço, fico junto, pode deixar”. Tudo absolutamente simples e leve. Para tudo existe jeito.

Certamente não era o meu papel tão cedo me envolver em problema nenhum, nem me foi demandada a tarefa de resolver a discussão daquele dia, mas no domingo do Dia das Mães, levantei com passo firme, o rostinho tentando esconder meu medo, e fui, mesmo preocupada, fazer o meu papel, dançar – que eu tanto amo – e dar orgulho para minha mãe. Dancei muito fofa, e lembro de ter aproveitado a missa que a escola fez para pedir que Deus ajudasse meus pais. Tocou Oração pela Família, do Padre Zezinho, e eu deixei escapar uma lagriminha de tristeza. Rapidinho sequei, respirei fundo e fui brilhar.

Todas as vezes depois disso, em que me senti vítima da vida, fui tomada por pensamentos ruins e uma fase de insucessos em tudo. Quando me vitimizo ou foco no problema, ele ganha força. Mas na vida ou a gente aprende ou aprende. Por isso, lembro com frequência daquele dia em que percebi que os problemas se resolvem quando a gente decide dessa forma – “vou resolver, vou encarar, eu dou conta!”, e também quando definimos por brilhar e continuar com a nossa dança. Dessa forma a vida desabrocha em brilho, milagres e quando a gente vê, resolvido. Passo firme, para a frente.

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