Youtuber Fred Elboni lança sexto livro sobre relacionamentos

Nesta entrevista, o jovem que mora em Blumenau fala do sucesso nas redes sociais, dos conselhos amarosos direcionados às mulheres e da expansão do conteúdo para diferentes plataformas

Fred Elboni
Luís C. Kriewall Filho/Especial

Aos 27 anos, Fred Elboni, morador de Blumenau, tem uma legião de fãs na internet. São mais de 870 mil inscritos em seu canal no Youtube e 356 mil seguidores no Instagram. Pra atrair tanta gente, ele aposta num tema que nunca deixa de ser discutido: relacionamentos. E o modo de falar sobre isso é simples, com bom humor, e claramente focado no público feminino e jovem.

Com tanto engajamento, ele passou a ser considerado um “guru dos relacionamentos”, foi roteirista do programa Amor & Sexo, da Globo, e suas opiniões saíram das redes
sociais para ganhar outra plataforma. Na próxima semana, Fred lança em Santa Catarina seu novo livro, Você e outros pensamentos que provocam arrepio.

Você e outros pensamentos que provocam arrepio
Foto: Reprodução

A obra segue a temática de seus outros cinco livros, que já venderam mais de 200 mil exemplares, e do conteúdo que publica no site Entenda os Homens (EOH), que tem mais de 5 milhões de acessos mensais. Agora, ele foca em crônicas. Você e outros pensamentos que provocam arrepio tem 50 textos sobre relacionamentos com uma característica em comum: sempre que mencionam uma mulher, ela é a protagonista da história. As crônicas são acompanhadas por ilustrações e tratam de temas como saudade, intimidade, sexo, encontros casuais, paixão e o amor. O livro será lançado no dia 31 de julho, em Blumenau, e 1° de agosto em Florianópolis.

Nesta entrevista, Fred fala sobre sua trajetória profissional e os motivos que o levaram a escolher relações interpessoais como matéria-prima. Confira:

“Ela podia ser tudo que o quisesse, e a mim, como companheiro, amante e amigo, só me restava apoiar, sorrir e amar. Deixemos os julgamentos para aqueles que carregam a pobreza de se limitar” (Trecho da crônica Beijos nas costas)

Você é super jovem e já tem uma carreira consolidada como youtuber, roteirista e escritor. Por onde sua trajetória profissional começou? De que forma as portas foram se abrindo para estas diferentes plataformas?

Comecei com um blog daqueles simples, que qualquer um pode criar por conta própria em plataformas já predefinidas. Lembro exatamente: era meados de 2009 e eu ficava feliz só por conseguir mudar a cor do blog ou inserir os widgets das redes sociais. Era uma alegria só! Felizmente, a internet é um tubo de ensaio muito divertido e aberto e a gente pode aprender rápido e sozinho, por tentativa e erro. Logo em seguida, enquanto eu estava na faculdade de Publicidade, recebi um convite de um dos diretores da Globo para fazer um teste para ser roteirista do programa Amor & Sexo. Fui aceito e fiquei por quase dois anos lá. O blog foi crescendo e surgiu o convite para lançar meu primeiro livro. Lembro bem que a mensagem veio pelo Facebook, diferente e ousado, porém resultou bem. O crossmedia sempre foi algo que valorizei bastante, gosto da liberdade da internet, da complexidade da televisão e dos universos mágicos dos livros. Nessa área de criatividade, a descoberta é constante, a gente aprende diariamente e vai se testando em amores antigos que nem sabíamos que existiam dentro de nós. Quem sabe o teatro não será o próximo?!

Em seus vídeos, você trata de temas como relacionamentos e sexualidade, além de questões cotidianas, com bastante humor. Acredita que este é um bom caminho para tratar de assuntos que por vezes ainda são encarados como tabu?

Se você me permite, eu não chamaria exatamente de humor, mas de bom humor. Digo isso pois, no momento em que estamos vivendo, em que pessoas vêm sofrendo e gastando energia em quedas de braço constantes contra qualquer manifestação que possa ser contrária às suas convicções, acredito que a leveza e o bom humor têm um papel importante nos questionamentos sociais. Conversas leves, regadas a bom humor e sem opiniões tão marcadas a ferro quente fazem as pessoas te ouvirem sem pedras nas mãos, pois, por mais que as opiniões sejam divergentes, você não está menosprezando as suas enraizadas opiniões. Necessitamos gerar questionamentos saudáveis nas pessoas, mas, para isso, precisamos adentrar como água mansa, aos poucos, e não como uma bola de demolição. Por fim, precisamos nos questionar mais e nos afastarmos um pouco das verdades absolutas, porque elas são sempre muito perigosas…

Falando sobre relacionamentos, você se dirige, muitas vezes, ao público feminino, tanto que ganhou muito espaço entre as mulheres. De onde surgem os assuntos que você aborda e seu interesse pelo universo feminino? Procura ouvir e dialogar com mulheres antes de se dirigir a elas?

Acredito que muito pela minha vivência com minha mãe, já que meu pai faleceu quando eu tinha 14 anos. Muitas questões do universo feminino já rondavam minha cabeça, principalmente no final da adolescência, e como eu não tinha muito com quem conversar, eu usava a escrita como minha terapia. No papel, eu respondia e amansava as questões turbulentas da minha cabeça. E faço isso até hoje. Claro, minhas questões mudaram, meus medos são mais profundos, e minha terapia pessoal necessita de mais páginas, mas, honestamente, no fundo só espero que a liberdade interna que venho conquistando potencialize a liberdade dos outros. Sobre conversar com as mulheres, nada me faz mais feliz que uma boa conversa, ouvir histórias de vida, traumas, alegrias, ou choros impossíveis de conter. Muitas vezes, as pessoas podem não perceber, mas sou só porta-voz das coisas bonitas que capto por aí, sejam elas como forem. E os assuntos vêm muito dos papos que tenho com minha mãe, namorada, amigas, leitoras e colegas de trabalho. Não perco a chance de conversar, é sempre um combustível para os meus textos.

O sucesso entre o público feminino é evidente, mas você também recebe críticas de mulheres pelo fato de ser um homem tratando destes temas? Se recebe, como lida com isso?

Honestamente, não costumo receber muitas críticas. Sabe, sempre procurei tratar os temas sem autoridade, mas como uma conversa entre pessoas que procuram evoluir como seres humanos. Antes de sermos mulheres ou homens, somos pessoas à procura de conseguir viver com verdade a liberdade que já é nossa por natureza. Ninguém deveria precisar conquistar a sua própria liberdade, já que ela é nossa por direito de nascimento. E sobre ser homem, se queremos igualdade, eu, como homem, também preciso me desconstruir, aceitar meus privilégios e dar as mãos por uma luta mais coletiva. Se as mulheres se reposicionaram no mundo, os homens também precisam rever agora seu lugar.

Também tem a preocupação de se dirigir ao público masculino para falar de relacionamentos ou sexualidade? Consegue fazer isso com facilidade?

Isso é uma das coisas que mais me questiono. Eu escrevo sobre sentimentos, comportamento e me entristece que muitos homens não se interessem por ler esses temas. Meus temas não têm gênero, são assuntos plurais. Mas, admito que estou pensando em um projeto que possa ter mais conexão com o público masculino, de uma maneira que os atinja mais.

Em seu novo livro, você encoraja mulheres a buscarem a liberdade. Como é encorajar isso sendo homem? Você acredita que os homens têm esse papel de buscar entender melhor o universo feminino? Uma obra como estas, apesar de dirigida às mulheres, também dialoga com homens?

Como disse, a liberdade é algo que nasce conosco, independentemente do gênero ou da orientação sexual. Ou pelo menos deveria. As mulheres podem, e devem, caso sintam vontade, fazer e falar de sexo abertamente, como os homens podem, e devem, chorar quando o coração apertar. Segmentar as emoções que as pessoas devem demonstrar e sentir segundo seu gênero, de uma maneira limitada a ele, é de uma pobreza astronômica. E, sim, os homens precisam buscar entender o universo feminino, pois do que adianta as mulheres conquistarem essa liberdade se os homens não entendem a importância dessa liberdade para uma melhora social?! Não há concorrência na vida real, todos crescemos juntos. Entender e encorajar essa nova mulher, atual e livre, é que vai ajudar a fazer nascer o novo homem, sem machismos, preconceitos ou ideias antiquadas.

Mais sobre o autor

Fred Elboni
Foto: Divulgação

Fred Elboni nasceu em 1991, em São Paulo, e mora em Blumenau. Formado em Publicidade, é escritor, roteirista e palestrante. Seu canal no Youtube tem mais de 870 mil inscritos.